Mogi efetiva denúncia contra rival que teria tentado comprar jogo na A-2

Danilo Lavieri

Do UOL, em São Paulo

  • Reprodução

    5.abr.2017 - Mensagem de WhatsApp sugere que jogador do Mogi Mirim aceite dinheiro para ajudar a manipular o resultado contra o Votuporanguense. O Mogi perdeu por 2 a 0 a partida no sábado (1) e denunciou o caso depois

    5.abr.2017 - Mensagem de WhatsApp sugere que jogador do Mogi Mirim aceite dinheiro para ajudar a manipular o resultado contra o Votuporanguense. O Mogi perdeu por 2 a 0 a partida no sábado (1) e denunciou o caso depois

O Mogi Mirim efetivou, no TJD-SP (Tribunal de Justiça Desportiva), a denúncia contra a Votuporanguense pelo que trata como tentativa de compra de resultado na Série A-2 do Campeonato Paulista, a segunda divisão do Estadual. A partida entre eles ocorreu no dia 1º de abril e o Votuporanguense venceu por 2 a 0 e a denúncia veio logo depois

O UOL Esporte teve acesso à notícia de infração disciplinar desportiva que pede a punição ao Votuporanguense embora reconheça que o pagamento possa não ter sido efetivado. Segundo o documento, é claro que o código 242 do CBJD (Código Brasileiro de Justiça Desportiva) fala apenas na intenção e não necessariamente na efetivação da prática.

"Ora, apesar de Marcelo não ter respondido às mensagens, fato é que concretamente houve o tipo penal desportivo previsto no art. 242 do CBJD", inicia a argumentação.

"O art. 242 é claro: Dar ou prometer vantagem indevida a membro de entidade desportiva, dirigente, técnico, atleta ou qualquer pessoa natural mencionada no art. 1º, § 1º, VI, para que, de qualquer modo, influencie o resultado de partida, prova ou equivalente".

A notícia de infração ainda desdenha da desculpa do funcionário da Votuporanguense que diz que seu irmão pegou o celular e digitou as mensagens (ver na imagem). 

O pedido passa por uma multa que chegaria a até R$ 100 mil e na eliminação da equipe da competição. Além disso, o dirigente envolvido na oferta poderia ser banido para o resto da sua vida de práticas esportivas.

O presidente do TJD, Antônio Olim, afirmou que já iniciou as investigações desde a primeira denúncia, no início do mês, e que espera as conclusões da Polícia para o tema.

"Já ouvimos algumas pessoas, a FPF também, mas a gente está esperando algumas respostas da Polícia, porque este caso está bem desencontrado. Muitos falam em diferentes direções, então o caso está estranho. Vamos dar andamento com as novidades chegando", afirmou.

Em nota publicada em seu site no início das investigações, o Votuporanguense afirma que repudia este tipo de prática e nunca autorizou que o nome da agremiação fosse utilizado em uma suposta combinação de resultados.

"Acerca dos fatos notificados e supostamente denunciados, o clube comunica que já está apurando internamente através de auditoria administrativa a veracidade ou não das alegações que foram imputadas a um de seus colaboradores, sendo que, ao final do procedimento dará amplo conhecimento as autoridades competentes sobre o caso."

O Mogi Mirim está com 17 pontos, na 18ª colocação (antepenúltimo) e será rebaixado para a A-3. O Votuporanguense também corre contra a queda, mas está em situação um pouco mais confortável, com 23 pontos, na 13ª colocação. O primeiro que abre a zona da degola é o XV de Piracicaba, que tem 22 pontos. O campeonato tem mais uma rodada.

A compra de jogos e a máfia de apostas é uma das principais preocupações da FPF (Federação Paulista de Futebol). Recentemente, a entidade foi pioneira ao instalar um sistema de detecção de fraudes em jogos com base no comportamento de apostadores.

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