F. Diniz conta como nova aposta corintiana superou drama por perda do filho

Dassler Marques

Do UOL, em São Paulo

  • Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians

    Léo Artur na volta para o Corinthians: reforço após seis empréstimos

    Léo Artur na volta para o Corinthians: reforço após seis empréstimos

De principal aposta da base em 2012, Léo Artur deixou o Corinthians e parecia desacreditado até se encontrar com Fernando Diniz, logo após uma tragédia que marcará sua vida para sempre.

Com o treinador, seja pelo Oeste no ano passado ou com o Audax neste Paulistão, recuperou confiança, amadureceu e coroou um torneio de destaque com golaço sobre o Palmeiras. O presente veio dias depois, com o chamado de Fábio Carille para ele ser reintegrado ao elenco corintiano. 

A participação de Diniz foi fundamental nessa recuperação. Como contou em entrevista ao Lance, Léo Artur passou um momento de grande dificuldade no ano passado, com a perda do filho pequeno em um acidente doméstico. O menino Leonardo, 2 anos, se afogou numa piscina e perdeu a vida. 

Pouco depois, Fernando Diniz se encontrou com o atacante, que vinha de fiascos em quatro empréstimos seguidos e o ajudou a se reerguer, seja do ponto de vista pessoal, seja dentro de campo. As duas coisas, afinal, quase sempre estão interligadas. 

Ao UOL Esporte, Fernando Diniz conta os desafios enfrentados ao lado de Léo, as cobranças para que ele jogue em nível alto e o que Carille recebe para o próximo semestre:

Satisfação em recuperar uma promessa

Para mim, em primeiro lugar, trabalhar com ele foi um grande prazer. É um garoto que tem muita ética no trabalho, é muito dedicado, a nossa relação humana foi muito intensa. Ele chegou para mim com um problema bem difícil na vida pessoal, pelo que aconteceu com o filho dele, e nesse período [entre o segundo semestre de 2016 e o primeiro de 2017] foi uma das melhores coisas que aconteceu para mim. Fiquei muito feliz de poder conhecê-lo e de trabalhar com ele no período.

Estratégia de Diniz para o jogador superar a perda

Escutar tudo, estar sempre disponível para ele falar, porque ele vinha muito sensível. Há momentos em que ele precisava de espaço para desabafar e isso sempre ofereci para ele. A gente conseguiu trabalhar juntos para amenizar essa dor, que não tem cura, é para a vida inteira. O que podemos fazer é oferecer o máximo de apoio para amenizar um pouco. Tentei ficar perto dele o máximo que podia. Ele conseguiu, na medida do possível, se restabelecer, jogar muito bem. Se destacou na Série B e no Paulista. Apesar de tudo, conseguiu ser muito grande. 

Um ombro para Léo

A ideia foi criar uma relação de abrir espaço para ele se sentir à vontade. Acho que a gente, no Audax e no Oeste, conseguiu não só comigo, mas criar um ambiente de trabalho assim. O Léo é de Osasco, teve a família por perto perto e isso ajudou. No trato com ele não tem muito segredo, eu não precisava chamar atenção para nada.

Razão para mais cobranças do treinador

Danilo Verpa/Folhapress
Vice do Paulista 2016, Audax foi rebaixado neste ano com Diniz, mas Léo foi destaque

Eu o cobrava porque considerava um dos jogadores mais importantes. É um jogador que entende bastante o jogo, que quando eu passava informações ele absorvia com facilidade. Então, por ser um jogador diferente do time, apesar de pouca idade e pouco jogo, apostei que ele era capaz de decidir. Havia uma expectativa grande nele, e era cobrado para produzir o ápice da condição. 

Hoje, Léo faz coisas que não sabia ser capaz

É um jogador muito talentoso, hoje capaz de jogar em várias posições e que talvez não soubesse que poderia. Ele sempre foi, na base e no profissional, atacante de lado esquerdo. Comigo acabou jogando em muitas posições, onde eu tinha problema colocava o Léo e ele se adaptava. É um jogador de muita mobilidade, muito versátil, que faz muitas funções em campo e sempre com bastante qualidade. Confiei muito nele desde o início e ele correspondeu muito à expectativa. Ele teve um acréscimo de confiança muito grande para seguir no Corinthians. Tem um futuro brilhante.

Para Diniz, ele pode jogar em três posições

Ele é muito versátil. Acho que tem de ter a possibilidade de se mover, seja se jogar mais por dentro ou como atacante aberto. É um jogador que tem muito recurso e precisa participar ativamente. Sabe jogar curto, tem condução de bola, tem chute de fora, vira bem o jogo. Se pegar do nosso time vice-campeão paulista, ele basicamente jogou na função do Camacho [segundo volante], do Juninho [meia] e do Bruno Paulo [atacante pela esquerda]. 

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