Ganso pressiona Sampaoli com atuação e espera por saída do argentino

João Henrique Marques

Do UOL, em Barcelona

Substituído aos 35min do segundo tempo, Paulo Henrique Ganso caminha ao banco de reservas lentamente enquanto é ovacionado pela torcida do Sevilla no estádio Sanchéz Pizjuán. Ao passar por Jorge Sampaoli não há um abraço, aperto de mãos, sequer uma troca de olhar. O meia brasileiro, destaque do time ao marcar os dois gols da vitória por 2 a 0 contra o Granada, na última sexta-feira, pelo Campeonato Espanhol, já não aguenta mais o convívio com o treinador que o deixou afastado por quase quatro meses.

O UOL Esporte apurou com pessoas próximas a Ganso que a esperança do jogador é pela saída do técnico argentino. O relacionamento entre eles foi afetado por uma série de motivos. O principal, claro, foi o logo tempo de ausência no time. Nesta quinta-feira, o meia aguarda por nova chance como titular diante do Celta de Vigo.

Ganso tem como objetivo principal para a próxima temporada a permanência no Sevilla. A adaptação a cidade e ao clube pesam a favor na decisão do brasileiro. Só que para isso, um novo treinador é considerado vital.

Nos últimos dias, Ganso se animou. Viu Sampaoli ser nome forte para dirigir a seleção da argentina e deixar de ser unanimidade no Sevilla. No empate sem gols contra o Sporting de Gijón, dia 2 de abril, o treinador argentino foi vaiado pela exigente torcida.

Foi o fim de um amor que durou até a eliminação para o Leicester na Liga dos Campeões. Nos cinco jogos seguintes, o time teve uma vitória, três empates e duas derrotas. Pior, o ataque parou de marcar, tendo passado em branco em três desses jogos - além da derrota de 2 a 0 para o Leicester.

É aí que entra Paulo Henrique Ganso.

Cristina Quicler/AFP Photo


No ano passado, o meia teve as melhores atuações pelo Sevilla quando encarou times com 11 jogadores atrás da linha do meio campo. Foi assim nos 25 minutos finais que jogou contra o Alavés, ficando marcado pela assistência de calcanhar em um dos gols da vitória por 2 a 1, e na goleada por 4 a 0 sobre o  Dínamo de Zagreb, sendo eleito o melhor em campo. O duelo contra o Granada tinha as mesmas características.

Para o confronto, Sampaoli ainda tinha as baixas Vitolo e Nasri, titulares do ataque. Foi a vez de Ganso voltar a ter oportunidade de jogar.

"A verdade é que ninguém sabia nada sobre o Ganso. São quatro meses treinando bem, em forma e sem jogar. Agora o pensamento é de que talvez o Sampaoli tenha sido injusto com ele. Merecia mais minutos. Não há no Sevilla alguém com último passe como o dele", destacou Jesus Márquez, repórter do Canal Sur, de rádio e televisão de Sevilla.

Como a relação começou a ruir

Os 45 minutos iniciais da derrota por 3 a 0 para o Real Madrid, dia 4 de janeiro, era a última chance de Ganso até então. Na derrota, o excelente desempenho de Marcelo foi atribuído pela mídia espanhola por conta da liberdade que Ganso deu ao compatriota no setor. Sampaoli também encarou dessa maneira e passou a se embasar em fatores defensivos para não escalar o brasileiro.

A revolta de Ganso foi aumentando com o passar do tempo. O meia não gostou das declarações do treinador de que não tinha novas chances no Sevilla por "decisão pessoal".

Outro fator que o deixou irritado aconteceu na janela de transferências. Sampaoli teve o pedido atendido de contratação do meia argentino Walter Montoya, do Rosário Central. A concorrência para Ganso ficou ainda maior.

Cristina Quicler/AFP Photo
Após quatro meses fora do time, Ganso marcou dois gols contra o Granada

Walter atuou em três jogos pelo Sevilla enquanto Ganso sequer era relacionado por Sampaoli. Calado, o meia brasileiro nem esperava novas oportunidades no fim desta temporada. Diante do Granada, teve atuação que deixou a todos empolgados. Menos o treinador argentino.

"Se o Ganso está em Sevilla é em parte graças a mim, que pedi a contratação. Se não joga bem, também tenho culpa. Ele foi bem, mas na posição dele também tenho outros jogadores", destacou Sampaolli após a partida.

Diante do Celta, o meia francês Nasri está de volta. O time titular ainda é mistério. A ausência de Ganso parece loucura. Mas a julgar pelos quatro meses de inatividade, o problema com Sampaoli é capaz de pesar.

"Não sei se é uma atuação dessas para ficar no time de qualquer maneira. Penso que o time precisou de outras coisas nessa temporada com as quais não tem o jogador brasileiro", destacou Sampaoli.

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