Suspeita de estupro na base faz Justiça interditar alojamento do Araçatuba

Felipe Pereira e Pedro Lopes

Do UOL, em São Paulo

  • @aeaoficial/Facebook

    Estádio Municipal Dr. Adhemar de Barros, em Araçatuba

    Estádio Municipal Dr. Adhemar de Barros, em Araçatuba

A Justiça proibiu o Atlético de Araçatuba de abrigar jovens da categoria de base em seu alojamento, que fica no estádio municipal da cidade, porque estaria acontecendo abuso sexual de adolescentes no clube. A decisão ocorre porque já havia uma decisão de impedir o acesso do suspeito do crime, que era técnico e diretor da equipe, e ela não estava sendo respeitada.

"O fato mais grave, contudo, reside nos sérios indícios de que os adolescentes/atletas do time teriam sido assediados sexualmente pelo Instrutor Paulo Giovane de Aguilar Carvalho (que foi indiciado pelo crime de estupro em relação ao adolescente [nome omitido pelo UOL Esporte].
 
O descumprimento da decisão de impedir o acesso do diretor foi constatado pelo conselho tutelar durante uma visita. Houve denúncia à Polícia Civil que confirmou a situação. Alertado, o Ministério Público acionou a Justiça que determinou a retirada dos jovens do alojamento.

"Defiro o pedido de tutela de urgência para determinar ao réu Atlético Esportivo Araçatuba que não receba nem aloje nenhum adolescente nas dependências do Estádio", escreveu o juiz.
 
O clube informou que não pode garantir que o suspeito nunca tenha voltado ao alojamento. A Justiça concedeu prazo de 30 dias para que a liminar seja cumprida. Foi estabelecida multa diária de R$ 1 mil se a decisão não for obedecida. A assessoria de imprensa da prefeitura, que administra o estádio, informou que está tomando as medidas necessárias para cumprir a decisão e enviou a seguinte nota:

"A secretaria de Esportes, Lazer e Recreação de Araçatuba afirma que a Prefeitura já tomou as providências de solicitar judicialmente a desocupação dos alojamentos no Estádio, ocupados pelos atletas do Atlético."

Encontros consensuais e fora do clube

O presidente do Araçatuba, Sidnei Giron, afirmou que não compactua com qualquer forma de exploração sexual. Ele contou que soube do caso em junho de 2016 e em seguida procurou a Polícia Civil. Chegando na delegacia, viu um boletim de ocorrência registrado por um garoto de 17 anos.

"Ele foi junto com a mãe fazer um BO contra um técnico que era diretor também do clube por suposto abuso sexual. Era um abuso ao inverso. O Paulo é homossexual. A mãe permitiu que seu filho de 17 anos tivesse uma convivência, inclusive para dormir na casa no Paulo."

O diretor foi chamado para uma conversa e não quis se abrir justificando que sua vida pessoal não dizia respeito a mais ninguém, relatou o presidente do Araçatuba. A única coisa que Paulo teria revelado é que o relacionamento era consensual e os encontros ocorreram fora das dependências do Araçatuba.

"Perguntei se aconteceu algo dentro do estádio e disse que não", disse Giron.

Ao saber da situação, o presidente seguiu a recomendação do Ministério Público e pediu que o diretor se afastasse da equipe. A solicitação foi atendida. Giron não sabe se Paulo voltou ao local ou não e ressalta que o estádio é público e a pista é usada para caminhadas diárias de centenas de moradores da cidade.

Sobre a decisão de retirar os adolescentes da base do estádio, o presidente do Araçatuba afirmou que ela é inócua porque o time está com as atividades paradas. Sem campeonatos para disputar, não há elenco.

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