Justiça determina exame de DNA em ação de paternidade contra Del Nero

Pedro Lopes

Do UOL, em São Paulo

  • Ricardo Stuckert/CBF

    Marco Polo del Nero, com Tite e Edu Gaspar posam em frente ao avião da seleção

    Marco Polo del Nero, com Tite e Edu Gaspar posam em frente ao avião da seleção

A Justiça de São Paulo determinou a coleta de material genético do presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, em uma ação de paternidade movida pelo comerciante Eduardo Prospero, que alega ser filho do dirigente. O exame de DNA será feito pelo Instituto de Medicina Social e de Criminologia de São Paulo.

O processo corre em segredo de Justiça. O UOL Esporte apurou que o exame foi um pedido do próprio Del Nero: Eduardo entrou com a ação no ano passado, e alega ter sido avisado pela mãe em 2010, já com 42 anos de idade, de que seu pai biológico seria o atual presidente da entidade que comanda o futebol brasileiro.

Os dois já fizeram um exame de DNA em um laboratório privado em 2010, e o resultado apontou 99,999997% de possibilidade de Del Nero ser pai de Eduardo. Seis anos depois e sem que tivesse havido nenhum reconhecimento, o comerciante acionou a Justiça, que agora determinou novo exame.

Procurados pela reportagem, os advogados de ambas as partes preferiram não se manifestar devido ao sigilo do processo. À reportagem, Del Nero disse que não irá comentar o caso.

Ao UOL Esporte em 2016, Eduardo contou sobre Del Nero

Segundo Eduardo contou à reportagem em 2016, a mãe dele, que hoje vive em Mairinque (interior de São Paulo), conheceu Del Nero quando ambos estavam na faculdade – ela cursava odontologia na USP (Universidade de São Paulo), e ele estudava direito no Mackenzie. Ainda de acordo com o filho, o dirigente foi avisado sobre o fruto do relacionamento logo depois do nascimento, mas não demonstrou qualquer interesse.

A mãe de Eduardo casou-se depois disso, e ele foi registrado pelo padrasto. "Foi a pessoa que me criou e que eu considero meu pai de verdade. Ele me deu tudo que eu precisava. Nunca tivemos problemas, mas eu sabia que não era meu pai", disse.

Em 1997, a mãe e o padrasto de Eduardo se separaram. Ainda assim, ela preservou até 2010 o sigilo sobre a identidade do pai biológico: "Ela tentou me contar, me chamou para almoçar, mas nunca coincidia de ficarmos sozinhos".

Guilherme Costa / UOL
Eduardo Henrique, 48, diz ter descoberto aos 42 anos a identidade do pai biológico

Quando descobriu a identidade de Del Nero, Eduardo resolveu procurá-lo. Segundo o comerciante, foi necessário insistir muito até ser atendido. Quando conseguiu conversar com o dirigente e relatou sua versão da história, disse que o dirigente quis saber se a mãe ainda era viva e pediu para conversar com ela.

Depois, Eduardo e Del Nero tiveram pelo menos mais três encontros – a pedido do dirigente, todos aconteceram em território neutro. O contato mais frequente do comerciante, na verdade, foi com um assessor jurídico do cartola.

"Acho que aproximação não tem jeito. Já tentei, já liguei no Dia dos Pais, mas não tive sucesso. Ele nunca falou sobre a família. Nunca falou sobre nada", disse Eduardo. "Ele me perguntou se eu queria saber a opinião dele e disse que o pai é quem cria. Eu respondi: 'Se o senhor quer saber a minha, eu não tenho culpa nessa história'", adicionou.

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