Ex-Palmeiras, Valentim vai à Itália estudar: "Não quero mais ser auxiliar"

José Edgar de Matos

Do UOL, em São Paulo (SP)

  • Divulgação/Red Bull Brasil

    Após passagem curta pelo Red Bull, Valentim participará de estágios na Itália

    Após passagem curta pelo Red Bull, Valentim participará de estágios na Itália

A primeira experiência como treinador terminou antes do esperado, com a eliminação precoce e a demissão no Red Bull. Alberto Valentim, no entanto, é insistente. O ex-auxiliar técnico do Palmeiras viajará para a Itália nesta quinta-feira para realizar estágios na Roma, na Udinese e em um terceiro clube ainda não definido. A ideia é passar quase 30 dias na Europa e retornar ao mercado de treinadores. Auxiliar, não mais.

"Não sinto falta [período de trabalho no Palmeiras]. Foi um período muito bacana e não tenho nenhum tipo de arrependimento. Sabia muito da escolha que tinha feito e não quero mais ser auxiliar", decretou, em entrevista exclusiva ao UOL Esporte.

Figura conhecida dos palmeirenses, que se acostumaram a vê-lo como interino nos últimos anos, Valentim deixou o clube justamente no seu momento mais vitorioso. Após ajudar na Copa do Brasil de 2015 e no Campeonato Brasileiro de 2016 como auxiliar, o agora treinador quer voltar ao mercado na nova função. 

"Quero voltar a trabalhar o mais rápido possível. Temos uma nova geração que está ganhando um espaço legal, até nos grandes clubes. (...) Ter abertura para a nova geração é importante. Espero em um futuro próximo estar no Brasileiro da Série A ou Série B", disse Valentim, que cita na ponta da língua nomes em quem se inspirar.

"Podemos falar de Zé Ricardo, o próprio Eduardo [Baptista] no Palmeiras é um cara novo, apesar de alguns anos. Ainda temos Fábio [Carille], Rogério [Ceni], tudo treinador de time grande", acrescentou.

Mesmo diante da queda precoce com o Red Bull no Campeonato Paulista, Alberto Valentim quer fugir da imagem de auxiliar do Palmeiras. "Em outra oportunidade, quero voltar em um futuro próximo ao Palmeiras e ser campeão lá", sentenciou, às vésperas do embarque para a Itália.

Cesar Greco/Ag. Palmeiras

Veja os principais trechos da conversa com Valentim:

Saldo da primeira experiência como treinador

Algumas coisas foram positivas, outras não. O aproveitamento nosso foi baixo e não conseguimos classificar. Ficou uma frustração, porque fizemos bons jogos. Conseguimos reagir durante a competição e fizemos um grande jogo contra o Corinthians. Quando resolvi mudar de lado, sempre acreditei nos treinamentos e levar nos jogos. Consegui ver muitas coisas dos treinos e ver o time jogar como treinava.

Mágoa por trabalho interrompido?

Não ficou nenhuma mágoa, de maneira alguma. Foram muito parceiros comigo, deram ótimas condições de trabalho. O CT é ótimo e tinha tudo o que precisávamos. Também deram todas as condições quando passamos alguns dias em Sorocaba. Ficou um carinho por ter sido o primeiro clube, com pessoas sérias e que trabalharam.

Saudades do dia a dia no Palmeiras?

Não sinto falta [período de trabalho no Palmeiras]. Foi um período muito bacana e não tenho nenhum tipo de arrependimento. Sabia muito da escolha que tinha feito e não quero mais ser auxiliar. Em outra oportunidade, quero voltar em um futuro próximo ao Palmeiras e ser campeão lá.

Trabalho do Eduardo é muito bom

Trabalho do Eduardo é muito bom, muito organizado, com conceitos na fase defensiva. Vejo o Palmeiras como time muito forte, individualmente falando, e consegue colocar a cara dele. Fez bons jogos no paulista e na Libertadores, e estamos falando do que talvez seja o melhor elenco do nosso futebol. Eduardo está colocando o jeito dele, tem muita coisa dele também.

Cesar Greco/Ag. Palmeiras

"Não tem trairagem"

Sempre falei com os jogadores: quando fiquei como interino, dizia que tem de ter respeito dos dois lados. Sendo muito verdadeiro, falar na frente de qualquer jogador, ajuda. Às vezes tem insatisfação de um que não joga, ou um que joga menos. É passar muita honestidade e ser sincero com todos. Nunca tive problema de relacionamento, não tem 'trairagem'. É uma gestão que não é fácil, mas o jogador acaba entendendo bem que não tem sacanagem.

Visita a Roma e Udinese

Fiz alguns contatos depois que sai do Red Bull. Luciano Spaletti que está na Roma, foi um grandíssimo treinador com quem trabalhei e já tinha manifestado o interesse de passar alguns dias com ele. Mas, na época, acabei contratado pelo Atlético-PR e não consegui ir mais pelo trabalho. Vou passar uns dias na Roma, depois uns dias na Udinese com o [Luigi] Delneri; vou ver se fecho com outro clube também para levar meu trabalho de treinamentos. Tenho gravados jogos, gols que fizemos, gols que tomamos. Essa vez vai ser diferente, porque trabalhei. São quatro ou cinco anos muito mais proveitosos porque tive experiencia como auxiliar e interino. Vou poder mostrar um pouquinho do meu trabalho. Vai ser muito mais rico.

Milan pode ser o terceiro estágio da viagem

Vou tentar com o Montella, que joguei muitos anos com ele, no Milan. Tivemos um contato legal quando ele estava na Fiorentina. Vou tentar ir para o Milan. Com jogadores que joguei na Itália, passar dias discutindo de futebol.

Nova geração se firmando nos grandes

Quero voltar a trabalhar o mais rápido possível. Temos uma nova geração que está ganhando um espaço legal, até nos grandes clubes. Podemos falar de Zé Ricardo, o próprio Eduardo [Baptista] no Palmeiras é um cara novo, apesar de alguns anos. Ainda temos Fábio [Carille], Rogério [Ceni], tudo treinador de time grande. Ter essa abertura para a nova geração é importante, espero em um futuro próximo estar no Brasileiro da Série A ou Série B.

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