Cuca retorna com Libertadores como 'obsessão' e Crefisa mais parceira

José Edgar de Matos

Do UOL, em São Paulo (SP)

  • Cesar Greco/Ag Palmeiras

    Crefisa investe, participa e exige mais: a mira do atual Palmeiras é o Mundial

    Crefisa investe, participa e exige mais: a mira do atual Palmeiras é o Mundial

Cuca chega ao Palmeiras praticamente como uma unanimidade entre conselheiros, associados e torcedores. Ao mesmo tempo em que possui um respaldo gigantesco, fruto do título brasileiro conquistado no ano passado, o treinador encontra uma pressão acima da qual enfrentou ao chegar pela primeira vez à Academia de Futebol. Com um suporte maior, estrutura melhor e reforços caros, a Libertadores institucionalmente se tornou uma 'obsessão'.

Até a nova camisa de aquecimento do clube carrega o termo, cantado nas arquibancadas pelos torcedores. Cuca sabe desta pressão, mas conta com um suporte não encontrado durante a primeira passagem – além de uma situação muito mais favorável para a equipe dentro da principal competição sul-americana do calendário.

Cuca assumirá o Palmeiras como o líder do Grupo 5 da Libertadores. Com 10 pontos somados em cinco rodadas disputadas, o clube depende de apenas um empate no próximo dia 24, diante do Atlético Tucumán, no Allianz Parque, para avançar como o primeiro colocado da chave para as oitavas de final. Uma participação melhor a de 2016 é mais do que provável.

O velho/novo treinador palmeirense contará com dez dias antes da primeira decisão, e encontrará no dia a dia um Palmeiras diferente em comparação ao qual deixou em dezembro do ano passado. A começar pelo papel da patrocinadora Crefisa, hoje muito mais ativa nas questões do futebol profissional palmeirense.

Longe das fortes divergências do período de Paulo Nobre, Leila Pereira aproveitou-se para obter uma forte influência no clube. Hoje eleita conselheira deliberativa, a proprietária da Crefisa tem acesso livre nas alamedas da Rua Palestra Itália e à diretoria de futebol, em virtude da maior proximidade com o presidente Mauricio Galiotte.

José Edgar de Matos/UOL
Leila Pereira sonha com a conquista do Mundial de Clubes em 2017

A Crefisa possui maior exposição na nova gestão palmeirense. A marca da empresa está estampada no novo centro de excelência, completamente novo, na Academia de Futebol – o espaço destinado com academia, fisioterapia, dentista, refeitório, hotel e outras comodidades apresenta-se como novidade para Cuca, que conviveu com o CT em reforma no fim da temporada passada.

A patrocinadora ainda tratou de assumir para si a responsabilidade de reforçar o elenco campeão brasileiro no ano passado com novos atletas. Com o investimento da empresa, o Palmeiras trouxe os dois grandes destaques da Copa Libertadores do ano passado: Alejandro Guerra e Miguel Borja, campeões no ano passado e que tornam o time mais 'cascudo' para o torneio sul-americano.

Borja, por sinal, é o grande reforço ofensivo que Cuca não teve no ano passado. Em meio à disputa do Campeonato Brasileiro do ano passado, o treinador pediu um atacante de alto nível para ser incorporado ao time. Leandro Pereira chegou, mas atuou pouco na conquista do título nacional.

O colombiano, por outro lado, custou R$ 35 milhões e surge como a principal esperança ainda da equipe, apesar dos quatro gols em 13 jogos. A diretoria avalia que o atacante ainda se encontra em 'fase de transição', e Cuca terá como uma das missões fazer o camisa 12 embalar com a camisa verde.

A contratação do colombiano simboliza a responsabilidade ainda maior de Cuca, conforme palavras da própria Leila Pereira. "Os investimentos são não para conquistar as Américas, mas o Mundial. Sempre, sempre", disse, no dia da renovação de patrocínio para a gestão de Mauricio Galiotte.

No ano passado, sem o suporte atual da patrocinadora, Cuca chegou ao Palmeiras para evitar a eliminação precoce na Libertadores – eram três jogos, dois deles fora de casa (Rosario Central e Nacional-URU). Não deu certo: a equipe caiu ainda na etapa de grupos e se concentrou no Brasileiro, conquistado posteriormente.

Agora a mira se encontra mais à frente, em um Mundial no qual o Palmeiras ainda está longe de disputar. Cuca tem pela frente o Tucumán e toda a fase de mata-mata pela frente. O Campeonato Brasileiro do ano passado, título que o consagrou, agora se encontra em um segundo plano.

 

A liberdade da Crefisa também mostra uma diferença de linha de trabalho da nova gestão. Durante a Era Paulo Nobre, com quem não possuía boa relação, Leila Pereira se encontrava mais afastada do dia a dia do clube. Hoje, diante da boa relação construída com Galiotte, grava até entrevistas com atletas do elenco para exibir nas redes sociais.

Esta maior participação da patrocinadora atinge diretamente o novo treinador, que terá parte dos vencimentos pagos pela Crefisa. Apenas uma mera patrocinadora durante a conquista do Campeonato Brasileira, o grupo de Leila Pereira e José Roberto Lamacchia se encontra mais participativo nestes primeiros meses de 2017. Agora é com Cuca.

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