Tite critica supervalorização de técnicos no Brasil e cobra estabilidade

Pedro Ivo Almeida

Do UOL, no Rio de Janeiro

  • Lucas Figueiredo/CBF

Comandante da seleção brasileira, o técnico Tite abriu o seminário "Somos Futebol", realizado nesta semana na sede da CBF, na Barra da Tijuca. Em evento que conta ainda com a participação de nomes como Fábio Capello e Marcelo Bielsa, o treinador falou sobre o trabalho à frente do time nacional e criticou a supervalorização da profissão no Brasil.

"Falo por mim, mas talvez fale por outros técnicos brasileiros. Há uma supervalorização do técnico no Brasil. Nós somos supervalorizados", disse.

"Gostaria muito de viver num país onde o técnico ganhasse menos (salário), mas tivesse mais estabilidade. Que não ficasse em média três meses apenas no clube, quando na Inglaterra a média é de 16 meses", completou.

De acordo com Tite, a responsabilidade tem que dividida tanto nos momentos de sucesso como de fracasso. Assim, ele não se ilude com a sua situação após vencer os nove jogos à frente da seleção.

"Não me ilude fato de estarmos classificados e temos feitos nove vitórias em nove partidas. Essa supervalorização de dizer 'ele é o cara'... Ele não é o cara. É um conjunto todo que tem responsabilidade numa estrutura, da mesma forma esse mesmo cara passa a ser culpado depois. Quando o aspecto disciplinar é diretivo, ele é dos executivos e do presidente. Essa responsabilidade é dividida, cada um com sua autonomia", explicou.

Na mesma linha, o treinador defendeu que a essência do futebol continua sendo os jogadores. "Nós debatemos ideias, e estamos falando que a essência é o atleta, e não os técnicos", disse.

Referência a 1982 e Zagallo

CBF/Divulgação
Tite já se encontrou com Zagallo depois de assumir seleção brasileira

Logo nos primeiros minutos de sua palestra, Tite tratou de reforçar sua inspiração na equipe canarinho que disputou a Copa do Mundo de 1982 – mostrando vídeos de gols de Sócrates e Júnior contra Itália e Argentina.

Pouco depois, ao seguir falando sobre suas referências, revelou um papo que pretende ter com Zagallo antes da Copa de 2018, na Rússia – que o Brasil já está classificado.

"Vou conversar com ele para entender as pressões da seleção brasileira", contou Tite.

O técnico ainda fez questão de exaltar nomes mais experientes como Rubens Minelli, Ênio Andrade, Carlos Alberto Silva e Telê Santana.

Na sequência, Tite iniciou a parte tática. O técnico da seleção brasileira utilizou imagens de seu time para repetir os conceitos de jogo apoiado, marcação alta (já no campo de ataque), compactação, linhas de quatro e transições a partir da marcação.

 

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