Justiça rejeita ação do Flu contra jornalista que chamou de 'time picareta'

Bruno Thadeu e Vanderlei Lima

Do UOL, em São Paulo

  • Bruno Poletti/Folhapress

A Justiça de São Paulo considerou improcedente a ação movida do Fluminense por danos morais e materiais contra o jornalista Flávio Prado e rádio Jovem Pan. O clube carioca entrou com processo ao alegar que Prado se referiu ao Flu como o "time do tapetão", "time duvidoso" e "time que fica de picaretagem" ao acionar os tribunais por questões desportivas.

A decisão é em 1ª instância. Cabe recurso. O valor da ação é de R$ 50 mil. Segundo o processo do Fluminense, o comentário de Flávio Prado foi feito na rádio Jovem Pan durante comentário sobre a tentativa do Internacional de ingressar judicialmente para impedir seu rebaixamento no Brasileirão de 2016.

Contrário à tentativa jurídica do Inter para evitar a queda, Flávio disse que o clube gaúcho se juntaria ao Fluminense como "clubes odiados pelo país".

O jurídico do Flu destaca na ação que Flávio Prado teria violado o Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros ao usar o jornalismo para incitar a violência, a intolerância, o arbítrio e o crime.

Decisão do juiz

Em sua decisão, o juiz Marcio Boscaro registrou que o jornalista sequer estava se referindo diretamente ao Fluminense, mas sim, ao Internacional.

Sobre as supostas declarações de que o Fluminense "fica com picaretagem" ou que é "um time duvidoso", o juiz relata que Prado emitiu opinião pessoal, direito assegurado por lei.

"Deve ser entendida a expressão 'picareta', ou 'picaretagem', no sentido de manifestar veemente discordância com o recurso a Tribunais Desportivos, para reverter situações consolidadas em decorrência de resultados de partidas de futebol, vale dizer, vencer no "tapetão", depois de ter saído derrotado do campo de jogo. Assim, o certo é que em nenhum momento o jornalista ofendeu o requerente, imputando-lhe a prática de fatos falsos, com a intenção exclusiva de prejudicá-lo, haja vista que seu comentário é tão somente um posicionamento crítico acerca de um fato notório no meio futebolístico, cuja divulgação, acrescida de seu comentário e opinião pessoal sobre o tema, em nada podem agravar a honra do requerente".

O UOL Esporte tentou contato nesta terça-feira com a assessoria do Fluminense e com o presidente do clube, Pedro Abad, mas não conseguiu retorno telefônico.

Flavio Prado nega ter ofendido o Fluminense

Ao UOL Esporte, Flavio Prado comentou a decisão judicial:

"Ganhamos de goleada. O juiz falou que era completamente descabido o processo e determinou ao clube a apagar tudo, custas, tudo. 100% improcedente o pedido."

UOL Esporte - Como você se sente após decisão do juiz?

Flávio Prado - "Eu ganhei do Fluminense no Tribunal, que é uma especialidade dele. De tribunal eles entendem. Mas é claro que cabe recurso. No meu trabalho, eu sou muito individualista eu dou a minha opinião. Eu procuro fazer com muita responsabilidade, é óbvio. Eu não vou ser leviano e tal. Eu dou a minha opinião. Daí para frente faz parte da profissão se sentirem que tem que me processar. Faz parte do jogo. Eu não posso me inibir por causa disso e nem querer ser o salvador da pátria representante popular nada disso. Simplesmente eu emito as minhas opiniões e ponto

O que você falou que motivou o Fluminense ai para a Justiça?

Eu só estou falando o que está no processo. Quando o Inter entrou com aquele pedido do Vitor Ramos eu falei que era um absurdo, que o Fluminense estava fazendo escola, que era ridículo este tipo de picaretagem junto ao tribunal. Foi exatamente isso. Nada além disso. Sobre esse negócio de picaretagem no tribunal, eu disse que esses times só vão conseguir ser odiados por reclamarem

A questão de liberdade de imprensa. Qual o limite?

Eu acho assim. O cara tem o direito de se sentir ofendido e entrar com o processo. Não tem problema nenhum. Faz parte aí. É o juiz quem vai decidir. Se você extrapolar e atingir algum direito, se algum órgão de imprensa falar alguma coisa ao meu respeito e eu achar que não foi legal, eu também vou entrar com uma ação. Tudo é uma questão de responsabilidade.

Você falou que o Fluminense é o 'time do tapetão'?

Eles que se definem como reis do tapetão. Inclusive eu anexei matéria no processo quando o ex-presidente do Fluminense falou que eles eram time de tapetão. Eles quem provocaram essa situação. Não fui eu. Eu só retratei o que eles mesmos falam

O Fluminense solicitou retratação?

Eu não sei. Eles dizem que sim, mas eu não recebi nada. Jornalista tem que ter responsabilidade. Eu não me julgo acima do bem e do mal, tanto é que eu já me retratei pessoalmente com algumas pessoas que nem pediram retratação, porque eu errei

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