Mancha usa velhos líderes e se aproxima do Palmeiras para recuperar imagem

Danilo Lavieri e José Edgar de Matos

Do UOL, em São Paulo

A Mancha Verde tenta ganhar uma nova imagem perante torcida, time, diretoria e opinião pública. Dois meses após a morte trágica de Moacir Bianchi, um dos fundadores da organizada, o grupo muda alguns conceitos de liderança por uma nova cara.

A mudança vem logo após um dos piores momentos da Mancha Verde. Bianchi, um dos fundadores do grupo, foi morto a tiros em março deste ano em uma emboscada. O assassinato ocorreu horas depois de uma reunião considerada "tensa", e a relação com a organizada fez a Justiça pedir a prisão temporária de dois membros, suspeitos do crime. A própria Mancha chegou a suspender suas atividades e afastou 20 membros, entre eles Anderson Nigro, presidente na época da tragédia. 

A partir desse cenário, a Mancha começou a implementar mudanças internas. A preocupação é se livrar do estigma de ser um grupo que pensa apenas em si, colocando seus interesses acima dos do time de futebol. Mais de uma vez, por exemplo, a Mancha foi vaiada dentro de casa pelos "torcedores comuns", incomodados com atitudes da organizada.

Para tentar reverter essa situação, nomes importantes na história da instituição voltaram a se envolver mais com as decisões. O ex-presidente Paulo Serdan, por exemplo, deixou um pouco de lado a escola de samba para estar sempre presente nos eventos importantes do futebol. Hoje, praticamente não há divisão entre a ala que cuida de Carnaval e a que cuida da atuação nos estádios, ao contrário do que ocorria até meses atrás.

Além disso, houve uma reformulação na antiga cúpula, com o afastamento de alguns membros que foram acusados de desviar o grupo de suas intenções originais. Logo na primeira homenagem a Moacir, no dia 11 de março, o novo comando esteve na linha de frente. Ao lado de outras organizadas, a Mancha Verde desceu a Avenida Sumaré com bandeiras e faixas e fez uma homenagem aos familiares da vítima.

NEWTON MENEZES/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Torcida do Palmeiras lota a frente de CT antes de jogo com a Ponte Preta

No fim do mês passado, Serdan entrou na Academia de Futebol ao lado de André Guerra, que também é ex-presidente, para conversar com os jogadores e manifestar apoio ao elenco para conseguir a virada contra a Ponte Preta.

Para efeito de comparação, há quatro anos, a mesma organizada agrediu jogadores do Palmeiras em um aeroporto na Argentina após um revés na Libertadores. Aquele episódio foi um dos mais decisivos para que Paulo Nobre, então presidente do clube, rompesse relação.

Os organizados ainda promoveram festa no aeroporto de Guarulhos para Borja, quando ele foi contratado, e para recepção da equipe após a virada em cima do Peñarol. Os torcedores ainda ajudaram na organização e até escoltaram atletas no desembarque após o triunfo no Uruguai.

Líderes da torcida também mantinham contato com Eduardo Baptista. Quando saiu, o ex-treinador mandou uma mensagem especial onde cita nominalmente os organizados para agradecer por todo o apoio, dizendo que "nunca iria esquecer" a relação que mantiveram.

José Edgar de Matos/UOL Esporte
Seguranças do Palmeiras posam ao lado de organizada em aeroporto

Essa relação com Baptista é outro ponto de mudança em relação ao passado recente. Pouco antes dessa reformulação, em fevereiro, a organizada havia gritado o nome de Cuca nas arquibancadas, ampliando a pressão sobre o então treinador.

A saída de Nobre é importante nessa mudança de imagem. Com a chegada de Maurício Galiotte ao poder, os organizados não estão mais na lista de inimigos do Palmeiras e agora têm relação aberta com a diretoria.

Para irem aos estádios como visitantes, por exemplo, eles conseguem adquirir os ingressos diretamente na bilheteria do Allianz Parque. Com Nobre, a venda era feita apenas no estádio do jogo, dificultando a programação.

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