Mais um: Dirigente do Fla é conduzido à PF em investigação contra BNDES

Pedro Ivo Almeida e Vinicius Castro

Do UOL, no Rio de Janeiro*

  • Divulgação/Blog Ser Flamengo

    Mário Esteves (d) preside o Conselho Fiscal desde 2013 - gestão Bandeira de Mello (e)

    Mário Esteves (d) preside o Conselho Fiscal desde 2013 - gestão Bandeira de Mello (e)

Apesar do bom momento em campo – título carioca, classificação encaminhada na Libertadores e apontado como um dos favoritos no Brasileiro que se inicia –, o Flamengo encara mais uma turbulência nos bastidores. O clube teve mais um dirigente envolvido em investigações da Polícia Federal (PF).

Desta vez, o presidente do Conselho Fiscal, Mário Esteves Filho, foi conduzido coercitivamente à sede da PF no Rio de Janeiro na manhã da última sexta-feira (12) para prestar esclarecimentos na investigação que apura uma fraude de R$ 8,1 bilhões em repasses do BNDES ao grupo frigorífico JBS entre 2007 e 2011 - Operação Bullish. O dirigente rubro-negro era chefe do Departamento de Política Financeira do Banco na época.

Aliado do presidente do clube, Eduardo Bandeira de Mello, de quem também era colega no BNDES, Esteves comanda o Conselho Fiscal desde o início da gestão - 2013.

Antes dele, o Flamengo já tinha visto outros dois nomes de sua diretoria citados em investigações da Polícia Federal: o ex-vice de futebol Flávio Godinho e o vice de gabinete da presidência, Plínio Serpa Pinto - de licença temporária do cargo.

O primeiro, então braço-direito de Eike Batista no grupo EBX, ficou preso de janeiro a abril deste ano acusado de ser um dos operadores do esquema que ocultava e lavava dinheiro de propinas recolhidas das empreiteiras que faziam obras públicas no Rio de Janeiro. O segundo foi citado por não ter declarado os R$ 500 mil que teria recebido como "premiação" da Odebrecht em uma venda da empresa em Niterói, região metropolitana do estado.

Reprodução
Mário Esteves chega à sede da PF no Rio de Janeiro para prestar esclarecimentos

Além de Mario Esteves, outras 36 pessoas foram conduzidas à Polícia Federal no Rio de Janeiro e em São Paulo para esclarecimentos nas investigações. Outras 20 tinham mandados de busca e apreensão. A Operação Bullish investiga compras, através do BNDESPar – braço do banco para a participação acionária em outras empresas – de ações da empresa frigorífica por valores acima dos de mercado. Também investiga-se a não devolução de recursos que haviam sido liberados pelo banco de fomento para uma aquisição empresarial que não se concretizou. Tal irregularidade teria gerado um prejuízo de R$ 1,2 bilhão aos cofres públicos.

Procurado pela reportagem para comentar a participação de mais um dirigente em investigação da PF, o Flamengo inicialmente respondeu: "Trata-se de um assunto de cunho pessoal, não cabendo ao clube fazer comentários", disse, em nota no início da tarde.

Horas mais tarde, após evitar comentar o caso inicialmente, o presidente Eduardo Bandeira de Mello se incomodou com a repercussão da notícia e procurou o UOL Esporte para se pronunciar sobre o ocorrido com o presidente do Conselho Fiscal.

"Em vista da exploração covarde que alguns veículos estão fazendo da situação do Mario Esteves Filho, meu amigo de várias décadas e colega no BNDES e no Flamengo, gostaria de deixar claro que o considero um exemplo de correção e de honestidade. Sou testemunha e posso assegurar que sua atuação no BNDES sempre foi marcada pela competência e pelo extremo rigor no trato da coisa pública, motivo pelo qual tenho certeza absoluta de que não prosperará nenhuma acusação contra sua honra. Defendo a apuração rigorosa de todas as denúncias sobre o uso indevido de recursos públicos no BNDES e em todas as instâncias governamentais e tenho certeza de que meu amigo Mário pensa da mesma forma. Como não tem nada a temer, responderá ao inquérito de cabeça erguida e tenho certeza de que sua inocência será provada", disse o mandatário, em nota enviada por sua assessoria de imprensa às 20h57 deste sábado (13).

Mário Esteves também foi procurado pelo UOL Esporte, mas preferiu não se posicionar sobre o ocorrido até o fechamento da reportagem. Ele informou que se sentiu "atendido pela nota do presidente". A Polícia Federal informou que não dará mais detalhes do caso.

*Atualizada às 21h02

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