Wellington mostra incômodo com reserva no SP: "não entendo, mas respeito"

José Eduardo Martins e Pedro Lopes

Do UOL, em São Paulo

Cria das categorias de base do São Paulo, Wellington faz parte do grupo de jogadores que sabe o gosto de ser campeão pelo clube. Além do volante, no atual elenco, apenas Lugano, Denis, Breno, Rodrigo Caio e Cícero conquistaram um campeonato profissional pelo Tricolor. Neste ano, porém, um dos poucos remanescentes da Copa Sul-Americana de 2012 não vem tendo espaço no elenco comandado por Rogério Ceni. 

"Cresci aqui, então eu sei da minha capacidade. Primeiramente, conheço muito bem o treinador. Pude jogar nove anos junto dele, que hoje é técnico. Conheço bem o perfil, tivemos uma conversa antes da lista sair, onde ele colocou que eu não era uma das primeiras opções dele. Acabei entendendo, né? Respeitando. Entendendo não, mas respeitando", disse Wellington.

Nesta temporada, Wellington foi inscrito no Campeonato Paulista apenas no dia 3 de março, quase um mês após o início do torneio, quando ficou fora da seleção inicial. Ele disputou só quatro jogos em 2017, sendo que somente contra o São Bernardo foi titular. No total, ficou em campo em 111 minutos. Tal situação deixa o jogador incomodado.

O volante, que tem contrato com o São Paulo até 31 de outubro de 2018, concedeu entrevista exclusiva ao UOL Esporte. Durante a conversa, falou sobre as propostas que recebeu no início deste ano do Sport e do Fluminense, do caso de doping quando defendia o Internacional, em 2015, das lesões e da possibilidade de deixar o Morumbi.

Confira, a seguir, os principais trechos da entrevista:

Propostas

Na verdade, vieram duas propostas, onde o Fluminense e o Sport tinham muito interesse e o São Paulo acabou optando por não liberar no começo do ano. E após a pré-temporada o Sport retomou contato e queria a minha ida para lá. Mas não entraram em acordo o atleta e o clube, no caso o São Paulo, para ter uma possível saída.

Nota da redação: Segundo o UOL Esporte apurou, Wellington ficou perto de ser envolvido em uma troca com o atacante Rogério, do Sport. Porém, o volante não entrou em acordo com o clube pernambucano.

Sai ou fica no São Paulo?

Olha, eu não quero sair. Não tenho o pensamento de sair, estou na minha cidade, perto da minha família, da minha casa, de tudo. É o time onde eu cresci, pelo qual eu tenho um respeito enorme, o time que eu me identifico. Pretendo ficar, mas com certeza quero ter mais oportunidades. Já tenho 26 anos e fui campeão. Então, eu sei o gosto que é você estar jogando e o que é quando não está jogando. Então, para eu ficar eu tenho de ter um pouco mais de oportunidade.

Por que não tem oportunidade?

Olha, na verdade, o que tenho de fazer todos os dias eu tenho feito. Venho todos os dias, chego no horário, tenho trabalhado, tenho um parâmetro de treinamento. Como usamos o GPS, estou junto com todo mundo, bem fisicamente e bem tecnicamente. Falta de oportunidade é mais por opção do treinador. Não tem muito o que ser feito para o atleta, a não ser só trabalhar. Então, eu tenho vindo todos os dias e feito o meu melhor para conseguir uma chance o quanto antes. Mas não tenho entrado por opção mesmo.

Relação com Rogério Ceni 

A minha relação é muito boa. Não venho conversando. Não teve, na verdade, uma outra conversa após aquela [no começo do ano]. Mas a minha relação é muito boa, como a de qualquer outro aqui. É uma relação tranquila. Acredito que o treinador também, sei lá, não tem de ficar falando demais, ou que o jogador precise falar muito com o treinador. Acredito que cada um tem de fazer o seu melhor. Eu venho aqui, faço o meu melhor e estou apto para ele poder me escalar. Se ele não colocar, é uma opção dele. Mas eu tenho de estar sempre bem e 100% para quando ele me escolher eu dar conta do recado. 

Doping e lesões 

Atrapalham sim [as lesões e o doping] porque não estou no campo, não estou apto para trabalhar. Então, com certeza dá uma atrasada. Mas acho que isso você recupera, como eu, que estive machucado e tive o problema do doping. O próprio Breno é um exemplo gigantesco, ficou um bom tempo fora do campo e voltou. Você coloca ele no treino ou no jogo e ele dá conta do recado. Então, acho que isso você consegue suprir quando você volta.

Nota da redação: Em 2015, Wellington testou positivo em exame antidoping para as substâncias hidroclorotiazida e clorotiazida, que são classificadas como diuréticos [provocam o aumento da quantidade de urina, ajudam a expelir mais rapidamente líquidos e outras substâncias do corpo humano, sendo também para mascarar o uso de outras drogas]. O jogador teve de cumprir cinco meses de suspensão. 

100% fisicamente

Estou 100%. Até no começo do ano, fizemos todos os testes e eu estava bem. Acabamos saindo da Copa do Brasil e tivemos de repetir todos os exames, pela rotina do clube e tal, e estava tudo certo, também. Então, eu estou 100%, feliz, graças a Deus não tenho sentido nada. Então, agora, só falta mesmo oportunidade para dar sequência.

Nota da redação: Wellington foi submetido a cirurgia para correção de ruptura no ligamento cruzado do joelho direito em abril do ano passado.

Relação com torcedores

Às vezes, você sai na rua e as pessoas perguntam o que está acontecendo, perguntam o motivo de eu não estar nem relacionado para os jogos, o que vem acontecendo bastante. Eu procuro ser um cara sincero como sempre fui com qualquer torcedor. Acabo falando que é opção do treinador, que não tem me colocado e que tenho trabalhado firme para quando entrar dar conta do recado.

É muito marcador para o estilo de Ceni? 

Não sei, pode ser que sim. Não pensei nisso, mas eu acho que dentro das minhas características eu sei fazer os dois. Tanto que em toda a minha categoria de base eu não joguei de volante, joguei de meia. Então, eu sei muito bem a hora de marcar e sei e tenho uma saída muito boa também. Eu sei jogar com a bola nos pés e, quando o time precisa de uma marcação mais forte, eu sei fazer também. 

 

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