United pobre de Manchester tenta ser 'do povo' e ataca time do coração

Do UOL, em São Paulo

  • Dave Thompson/Getty Images

    O FC United tem estádio próprio e quase 4 mil sócios-proprietários

    O FC United tem estádio próprio e quase 4 mil sócios-proprietários

É uma relação de amor e ódio. Todos os fundadores torcem pelo Manchester United, mas também o odeiam. O sentimento negativo é pela forma como o tradicional time inglês "se vendeu" para o dinheiro norte-americano. Por isso, eles criaram o FC United para provar que um clube pode ser do povo e fazer tudo diferente do que faz o Manchester.

"Três mil pessoas se uniram para mostrar ao mundo que as coisas podem ser feitas de um jeito diferente no futebol moderno. O futebol ficou louco, está totalmente desconectado do homem da rua", resume Damian Chadwick, CEO do FC United.

O clube surgiu em 2005, após o Manchester United ser comprado pelo norte-americano Malcolm Glazer. Insatisfeitos com o que definiram como uma "venda da alma para o dinheiro", três mil torcedores se juntaram para formar o novo time.

A ideia de gestão é simples: todo sócio tem o mesmo poder a voto. E as decisões são tomadas com base no que deseja a maioria. No ano passado, inclusive, uma crise política rondou o clube porque parte dos sócios acusou a diretoria de tomar decisões autoritárias.

O problema foi contornado. O FC United conta hoje com 3,8 mil sócios que são proprietários do clube em divisão igual. Anualmente, eles devem contribuir com pelo menos 160 euros. No entanto, quem não pode arcar com o valor, desembolsa menos. Quem quer dar mais, também o faz, como foi o caso do milionário Scott Fletcher.

O executivo doou um valor "com seis zeros" ao FC United. "Cada pessoa ter direito a um voto é fundamental para preservar os valores do clube. Ninguém pode fazer como o Manchester, que vendeu sua alma por dinheiro. O futebol é cada vez menos dos torcedores, mas aqui nós sentimos o time como nosso", disse ele ao "The Guardian".

O FC United é semi-profissional, mas já tem estádio próprio nos arredores de Manchester com capacidade para cerca de cinco mil pessoas. Uma das obrigações do clube é contribuir com a comunidade local por meio de projetos sociais, como forma de se manter próximo de seu povo.

A maioria dos sócios ainda torce pelo Manchester United. Mas o CEO, por exemplo, diz que não dá dinheiro para o "primo rico". "Claro que o Manchester é meu time, mas decidi que não vou dar nenhum centavo do meu bolso para os Glazer e para esse modelo de futebol", declarou Chadwick ao El Mundo.

Não por coincidência, o FC United tem as mesmas cores do Manchester: vermelho, preto e branco. E o apelido é parecido: em vez de Red Devils (diabos vermelhos), eles são os Red Rebels (rebeldes vermelhos). O nome diz tudo.

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