Lugano sai em defesa de Ceni e critica "reality show" em vestiário do SP

Pedro Lopes

Do UOL, em São Paulo

  • ROGÉRIO MOROTI/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

    Lugano, do São Paulo, tenta barrar jogada do Botafogo-SP

    Lugano, do São Paulo, tenta barrar jogada do Botafogo-SP

Mesmo com poucas oportunidades como titular no São Paulo, Lugano falou com a imprensa no CT da Barra Funda nesta quinta-feira. Um dos jogadores do elenco a agir para proteger de Rogério Ceni, o zagueiro defendeu e elogiou o treinador, citou Maradona e criticou o que que vê como um "reality show" em vestiários brasileiros.

"Todo mundo aqui sabe do Rogério, tem uma metologia de trabalho moderna, dinâmica, exigente dos jogadores. É um cara muito direto, honesto, frontal. O vestiário normalmente valoriza um treinador que publicamente protege o atleta, e na intimidade cobra. Normalmente, condena o contrario, aquele que cobra publicamente e não o faz na intimidade. Eu brinco que ele faltou na aula mais importante para um treinador: a de encantar serpentes".

O uruguaio não quis explicar a metáfora, mas deu sinais claros de se referir à imprensa. Ao citar o vazamento do incidente no qual Cicero foi atingido por uma prancheta chutada por Ceni no intervalo de clássico diante do Corinthians, Lugano criticou o excesso de câmeras nos vestiários, o que chamou de "reality show".

"Os vestiarios do Braisl são mais parecidos com um reality show do que com um vestiário. Não quero parecer muito velho, mas antes não era assim. Acho que Uruguai, nem Argentina, nem Europa é muito assim. É muita gente, muitas câmeras, tudo vira uma bola de neve. Se o São Paulo tivesse ganhado o clássico, isso seria um feito histórico, essa cobrança. Sabemos que é uma estupidez, mas respeitamos que vocês utilizem isso nesse momento, porque o torcedor está emocionalmente sensivel, cada um faz seu jogo, faz parte do futebol".

Cobrança de Ceni e prancheta em Cícero no vestiário
"Como falou o Bielsa semana retrasada, disse que a mesma noticia na derrota é uma condenação, na vitória, seria utilizada de outra forma. Imagina um vestiário sem cobrança em derrota no clássico. Imagina se, isso acontecendo (cobrança e prancheta), o São Paulo tivesse empatado o jogo, o Rogerio seria mais mito pela cobrança, liderança. Tudo se vê do ponto de vista do resultado. É muito subjetivo, mentiroso, mas é a realidade que gente vive"

Comparação entre Ceni e Maradona
"Acho que a figura dele para o futebol brasileiro, para essa indústria, faz muito bem, porque tudo gira em torno dele. Tem personalidade muito forte, direta, é amado ou odiado. Ou querem que ele tenha sucesso, ou que ele fracasse. A figura dele não é só mais uma. No caso dos jogadores, a figura dele ajuda porque absorve toda a pressão. Quando Maradona assumiu a Argentina, assumiu a pressão. Esse é um pouco do pacote de Rogério. O resto depende do resultado, e resultado depende dos jogadores. Se não aproveitamos, de nada adianta"

Dar entrevista sendo reserva é sinal de que as coisas vão mal?
"Se estou aqui hoje obviamente é porque a situação não é boa. Precisamos de um titulo, ficamos fora das decisões três vezes no ano. A situação não é a melhor, então eu como o jogador mais experiente no clube, tem que ser minha responsabilidade. Falo pouco, mas a hora de falar é essa, quando a situação está meio feia".

Cobrança em Ceni é excessiva?
"Eu não acompanho muito imprensa, não sei muito bem o que se falou dele. Acho que vai munto pela aula que ele faltou quando estava estudando para ser treinador (encantador de serpentes). Acho que é uma aula fundamental para esse meio tao midiatico e comercial"

Como elenco reage à má-fase
"Aqui ninguem gosta de perder, sempre esta em jogo o prestígio de nós jogadores, somos afetados. Qualquer atleta, treinador vencedor na vida nao aceita as derrotas. A gente vê nele (Ceni) a vontade de dar a volta por cima, não aceitar. São personalidades, caráter que definem qualquer atleta de alto nivel que se afeta com as derrotas"

Receita para a reação
"Foi um pouco do que falamos outro dia com o grupo. Um time grande como o São Paulo está necessitando urgentemente de um título. A pressão do torcedor, da imprensa, ficam mais em cima. É um momento de ter humildade, ouvir, escutar, apanhar, fechar a boca e tentar, no dia a dia, melhorar. Ser autocrítico. Alguma coisa está faltando, precisa primeiro melhorar cada um individualmente, e ajudar o coletivo. Não tem muito segredo, se alguém tiver alguma outra receita, eu escuto, com todo o carinho, porque é o que estamos precisando. Por enquanto, é azer um bom trabalho, com compromisso, seriedade, para tentar nos 90 minutos o resultado que está faltando"

Renovação de contrato e futuro no São Paulo
"Acho que, por enquanto, não é momento para falar de mim. Existe uma situação coletiva mais importante, precisa primeiro sair dessa fase complicada. O São Paulo está com esse foco no momento"
 

 

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