JBS comprou porcentagem do Mineirão para pagar propina a governador de MG

Felipe Pereira

Do UOL, em São Paulo

  • Luana Cruz/UOL

    Mineirão teria sido usado para enviar propina ao governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel

    Mineirão teria sido usado para enviar propina ao governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel

As delações premiadas do grupo JBS indicam que o Mineirão foi usado para repassar propina de R$ 30 milhões ao então governador eleito de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT). Joesley Batista disse que em 2014 foi orientado pelo próprio Pimentel a comprar 3% de participação da empresa que tem a concessão do estádio por esta quantia.

O delator disse que recebeu o pedido de Edinho Silva, tesoureiro da campanha de Dilma Rousseff. Como o valor iria zerar o saldo que ela tinha a receber, procurou a então presidente da República. Durante uma reunião, a solicitação foi confirmada.

Joesley afirmou em depoimento que voou para Belo Horizonte no mesmo dia e encontrou o governador eleito no Aeroporto da Pampulha. No local, foi explicado como deveria proceder - comprar uma porcentagem do Mineirão. O executivo da JBS não explicou qual engenharia fez o dinheiro chegar até Pimentel.

O governador eleito era bastante próximo de Dilma. Os dois se conheceram na década de 1970 quando combatiam a ditadura. Assim como a ex-presidente, Pimentel foi preso por três anos e viveu na clandestinidade. Ao assumir a presidência, a amiga de longa data nomeou Pimentel ministro do Desenvolvimento e mais tarde ele contou com apoio dela na campanha que tirou o governo de Minas Gerais de Aécio Neves.

Reprodução

O que diz Fernando Pimentel

A assessoria de imprensa do governador informou que não iria se manifestar porque entende se tratar de verba para campanha e, por este motivo, quem deve responder é o Partido dos Trabalhadores.

O que diz o PT

O PT/MG esclarece que todas as informações referentes à prestação de suas contas eleitorais, assim como de seus candidatos, foram devidamente apresentadas à Justiça Eleitoral, onde constam arquivadas e à disposição do público.

O que diz o Mineirão

A administração do estádio negou que a JBS tenha participação na empresa.

O que diz a JBS

A empresa enviou uma nota afirmando que todos os dados estão com a Justiça e o Ministério Público. Ainda reiterou a vontade de combater a corrupção. Abaixo, a íntegra da nota.

A J&F entende que o mecanismo de colaboração premiada está permitindo que o Brasil mude para melhor. Não seria possível expor a corrupção no país sem que os responsáveis pelos atos ilícitos admitissem e relatassem como e com quem agiram, fornecendo provas.

Joesley Batista e outras seis pessoas realizaram um acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR), conforme divulgado pelo Supremo Tribunal Federal, que homologou a delação, na última quinta-feira (18).

Todos os atos ilícitos que a companhia e seus executivos cometeram no passado foram comunicados à PGR e estão documentados nos autos da delação premiada homologada pelo Supremo Tribunal Federal. As informações, dados e provas encontram-se em poder da Justiça, órgão responsável pela avaliação de tais documentos. A Companhia segue em seu firme propósito de colaborar com a Justiça brasileira no combate à corrupção no país.

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