Como Carille foi de deslizes à firmeza diante das câmeras no Corinthians

Dassler Marques

Do UOL, em São Paulo

A afirmação do ex-auxiliar Fábio Carille como treinador do Corinthians envolve uma série de processos novos para quem estava habituado a ficar nos bastidores da comissão técnica. Em cinco meses, ele se tornou uma das figuras corintianas de maior exposição e precisou se acostumar com isso. Como encarar câmeras, perguntas e se preparar para respostas que podem ter enorme impacto no dia a dia? Carille foi atrás de apoio. Em vídeo acima, Cláudia Cotes, fonoaudióloga do UOL, compara o 'antes e depois'.  

Se hoje já consegue agir com maior firmeza, naturalidade e até bom humor, o treinador campeão paulista passou por algumas situações adversas no início da trajetória como comandante em relação às entrevistas. Desde fevereiro com uma assessoria de imprensa particular, além do apoio dos profissionais do próprio clube, Carille se moldou para encarar de melhor maneira esses momentos. 

No ano passado, quando virou treinador e supostamente tinha a promessa de seguir até dezembro, ele se apressou em uma de suas primeiras entrevistas ao afirmar publicamente que Cássio, e não Walter, que vinha em melhor momento técnico e físico, seria o titular do gol. A atitude não refletiu bem no grupo de jogadores, ainda que Carille sempre tenha tido respaldo do elenco para ser efetivado. 

Outro momento em que se evidenciou que Fábio Carille precisava de maior presença diante das câmeras ocorreu na efetivação. Uma semana depois de ter o nome descartado pelo presidente Roberto de Andrade, foi anunciado treinador. Naquele dia [22 de dezembro], posicionado ao lado do diretor de futebol Flávio Adauto e do gerente Alessandro, foi ofuscado. A "Espn" se atentou ao fato e contabilizou: Carille falou por 13 minutos, Adauto quase o triplo.

A pouca vivência com as entrevistas também fez com que o auxiliar técnico se adiantasse em uma de suas primeiras conversas com a imprensa, logo após a referida efetivação. Enquanto o Corinthians tratava de contratações em silêncio, Carille disse à "Rádio Bandeirantes" que o turco Kazim e Pottker, da Ponte Preta, estavam acordados com a direção. Após o episódio, Fábio mudou a atitude em relação ao mercado e passou a evitar comentar negociações. 

O 'media training' feito pelo treinador do Corinthians

Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians
Fábio Carille encara as câmeras: experiências novas em 2017

O chamado treinamento de mídia fez com que as entrevistas de Carille fossem analisadas por profissionais especializados. Bastante aberto a esse trabalho, ouviu entre as recomendações que deveria se expressar de maneira mais pausada e tomar cuidado com brincadeiras que pudessem não ser bem interpretadas. Apesar de aparentemente tímido, o treinador é descrito pelos colegas de comissão como uma pessoa bem-humorada. 

Outras pequenas dicas, somadas, também ajudaram a mudar a atitude diante das câmeras. Maior atenção às concordâncias, a iniciativa de chamar alguns repórteres pelo nome e falar mais em primeira pessoa, evitando as construções em terceira pessoa, estavam entre as dicas absorvidas. A mudança de postura foi notada pelos próprios profissionais que convivem diariamente com o treinador. 

"Convivo com Fábio Carille desde 2009 e ele sempre foi avesso a entrevistas", lembra Marco Bello, repórter da "Rádio Transamérica" e um dos mais antigos no dia a dia corintiano. "Bom de papo nos bastidores, o Fábio nunca gostou muito de microfone e holofotes. Mas desde o anúncio da efetivação percebo um aumento da confiança nas respostas. Mais assertivo, sempre direto nas respostas, até criando atritos quando acha necessário, sendo mais veemente contra esta ou aquela crítica. É nítida a mudança. A palavra para mim é confiança", ressaltou. 

"Acho que houve uma mudança, sim, na desenvoltura do Carille nas entrevistas e também na maneira de se impor", observa Gustavo Zupak, repórter da "Rádio Globo/CBN. "Uma perda de timidez natural, a tentativa de ser bem explicativo e direto nas respostas e em determinados momentos a necessidade de se impor perante algumas questões", opina Zupak.

"A relação de um auxiliar com a imprensa é diferente da relação de um treinador. E ele, quando acha que está sendo injustiçado ou avaliado equivocadamente, tem tentado se impor nas respostas e mostrar mais firmeza nas opiniões. Mas ainda não o vi ser deselegante com ninguém até aqui. Vejo essa evolução como natural e positiva. As entrevistas dele hoje são melhores do que no começo do ano ou na época de auxiliar", concluiu o repórter.

Para tentar se comunicar mais com o público, o outrora reservado Fábio Carille criou até uma conta no Instagram recentemente. O perfil já tem mais de 15 mil seguidores e é atualizado pela assessoria de imprensa do treinador.

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