"Ceifador" vence desconfiança no Flu: "Não esperávamos muito", diz gerente

Leo Burlá

Do UOL, no Rio de Janeiro

  • Thomás Santos/AGIF

    Artilheiro Henrique Dourado, o "Ceifador", celebra seu gol contra o Atlético-MG

    Artilheiro Henrique Dourado, o "Ceifador", celebra seu gol contra o Atlético-MG

Quando Henrique Dourado desembarcou nas Laranjeiras, em julho de 2016, a torcida do Fluminense ainda vivia a ressaca pela saída de Fred. O segundo semestre do atacante, hoje artilheiro do Campeonato Brasileiro (três gols), só fez a saudade pelo antigo ídolo aumentar. Antes carta quase fora do baralho, o "Ceifador", como ele é conhecido, viu a situação mudar a partir da virada do ano.

Na reapresentação do elenco, ele era tido como uma peça descartável. Em uma reunião com Abel e o gerente Alexandre Torres, o jogador ouviu da dupla que sua permanência seria difícil. O "fico" só se concretizou por falta de propostas, que inviabilizaram a chegada de um substituto de peso ao Rio de Janeiro.

"Henrique é um jogador que desde o início esteve cercado de desconfiança. A verdade é que a gente a gente sempre avalia o jogador pelo passado recente dele, e o fim do Brasileiro passado não foi bom. Quando eu e a nova comissão chegamos, a ideia era fazer uma negociação com ele. Houve até um papo sobre o Barcos, mas estava condicionado à saída. Confesso que a gente não estava esperando muita coisa dele, mas ele encarou com profissionalismo e com seriedade o que foi proposto", admitiu Torres.

As dificuldades nos primeiros meses de Rio de Janeiro foram importantes para explicar o mau começo na nova cidade. Com a esposa grávida, o jogador ainda teve de encarar problemas estruturais no apartamento que alugou. Após obras e muita dor de cabeça, a família se mudou para uma casa no início deste ano.

Como veio do Vitória de Guimarães, de Portugal, não teve férias e viveu problemas físicos que só aumentaram a responsabilidade de substituir Fred. Os gols não vieram, as vaias aumentaram e a decadência tricolor no Brasileiro de 2016 fizeram todo o time naufragar. Para piorar, o esquema de Levir Culpi não privilegiava a figura do "9", algo que mudou da água para o vinho com Abel.

"Nós falamos para ele que o que aconteceu no ano passado não servia, que o que definiria o aproveitamento seria o que acontecesse dali para frente", completou Torres.

O novo técnico, aliás, foi decisivo para o renascimento do atacante. Tão logo sua permanência no clube foi selada, recebeu a incumbência de vestir a camisa 9 em 2017. Desde que Fred deixou o Flu, o "Ceifador" foi o primeiro jogador a usar o número. Em sua chegada, optou pela 89, até para evitar as quase inevitáveis comparações. Com a medida, Abel mandou um recado direto: contava com Dourado na temporada.

No primeiro jogo-treino do ano, ele fez os três gols na vitória sobre o Serra Macaense, mas a sombra de Pedro impulsionou o futebol de Henrique, que viu o jovem formado em Xerém ganhar espaço com o passar do tempo. Uma lesão do concorrente "facilitou" as coisas para o centroavante, que é o maior goleador tricolor no ano com 14 bolas na rede.

A boa fase foi turbinada com o aumento da família. Em março, nasceu Gustavo, que passou a fazer companhia ao pequeno Vinicius. Mais adaptado e instalado em uma casa mais confortável, o atacante, enfim, encontrou seu lar no Rio.

Tido como um profissional de trato fácil pelos profissionais do clube, Dourado tem bom trânsito com o restante dos jogadores do elenco. A cada gol marcado, o ambiente só melhora para o hoje imprescindível artilheiro.

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