Como time amador virou embaixador da ONU e vai à África com 700 kg de ajuda

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    O Ramassà esteve em Uganda no terceiro ano do projeto

    O Ramassà esteve em Uganda no terceiro ano do projeto

Começou com um time de futebol tendo a ideia de fazer um jogo na África e, se possível, ajudar um pouco a população local. Agora, o futebol é só uma desculpa para uma ação humanitária. Essa é a história recente do Ramassà, time amador da Espanha que se tornou embaixador oficial da Organização das Nações Unidas (ONU).

Hoje, seus jogadores e fundadores dizem que, não fosse o projeto que cresceu, talvez o time nem existisse mais. A aventura começou em 2014, na Etiópia. A ideia do Ramassà era um amistoso com a seleção local, que estava na luta por uma vaga na Copa de 2014 e não pôde aceitar.

Em contrapartida, a federação acertou uma partida contra o Saint George, campeão etíope daquele ano. O jogo aconteceu no estádio Nacional, diante de 20 mil pessoas. "No nosso campo na Espanha não tem 50 pessoas. Saímos em todas as TVs. Foi um acontecimento", contou Jordi Grivé, ex-jogador e técnico da equipe, ao "Vanguardia".

O Ramassà perdeu a partida, mas o placar pouco importava. "Percebemos que algo havia nascido", disse ele. A equipe espanhola ainda havia levado 100 kg em equipamento esportivo e material escolar para as crianças etíopes, e o resultado dessa contribuição mexeu com todos.

Tanto que, no ano seguinte, eles ampliaram o projeto. O país escolhido foi Benin. Em 2016, pelo terceiro ano seguido, foram à África, desta vez para Uganda. Nas malas, levaram seus uniformes, bolas e 700 kg de materiais para serem doados. Tudo distribuído nas bagagens dos jogadores.

Eles relatam que as entregas são feitas em mãos, sem intermediários. Em todos os países, as federações locais organizaram amistoso contra os times campeões da liga local. A história foi ganhando repercussão até que chegou a Victor Oche, jovem ativista de Uganda indicado em 2015 ao Prêmio Nobel da Paz.

Por meio de Oche, o Ramassà foi escolhido como embaixador da ONU. Desde então, carrega orgulhoso o símbolo da organização em seu uniforme. Carrega, também, valores decorrentes dessa empreitada.

"Como time embaixador da ONU, temos que dar exemplo. E os jogadores sentem esse compromisso. Se alguém briga com outro jogador é afastado imediatamente da equipe. Fazemos de tudo para deixar nossas relações mais humanas", declarou o capitão Albert Viñolas.

A empolgação do Ramassà rendeu até um livro infantil, produzido pela equipe e cuja renda foi usada para custear uma biblioteca em Camarões, quarto destino africano do time. Os jogadores buscam apoio para seguir alimentando sonhos na África, onde já são quase "de casa".

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