Vítima de câncer raro, ex-Galo jogou futevôlei até durante quimioterapia

Roberto Oliveira

Colaboração para o UOL, em Recife

  • Bruno Cantini/Site Atlético-MG

    Segundo amigo, Raphael Aguiar também gostava de jogar videogame e de funk

    Segundo amigo, Raphael Aguiar também gostava de jogar videogame e de funk

Formado nas categorias de base do Atlético-MG, Raphael Aguiar foi vítima aos 29 anos de um câncer ósseo, um dos tipos mais raros da doença, na última quarta-feira (24).

Ele havia passado por cirurgia para retirada de tumor no joelho esquerdo e colocado uma prótese em 2014, quando encerrou a carreira. Pouco tempo depois, foi diagnosticado com metástase, teve grave piora no último mês e não resistiu. Seu corpo foi enterrado em Divino de São Lourenço (ES), sua cidade natal, na quinta (25).

Amigo há mais de uma década de Raphael, o jogador Paulo Roberto, que disputou o módulo dois do Campeonato Mineiro pelo Betinense, falou ao UOL Esporte sobre Cicinho, como era conhecido pelos mais próximos. Paulo revelou a paixão do companheiro pelo futevôlei, esporte que Raphael não deixou nem durante o tratamento com quimioterapia.

"Quando ele descobriu [o câncer], ninguém falava que estava doente, só sabiam porque ele estava careca por causa da quimio. Mas ia para a academia, ia jogar futevôlei, o tempo todo fazendo quimio ele jogava futevôlei praticamente todos os dias, era uma paixão dele, nem parecia que estava doente, sempre foi muito positivo", contou.

Eles ficaram amigos nas categorias de base do Atlético-MG, onde compartilharam momentos difíceis durante a formação como atleta. "Jogamos na base do Atlético-MG, inclusive vivemos nossa primeira cirurgia juntos, tivemos uma lesão grave no joelho com 19 anos e ele chegou a ficar lá em casa uma semana. Íamos juntos se tratar no clube, ele era um cara brincalhão, feliz, mas muito determinado, que dava o máximo em tudo que fazia", relembra.

Reprodução
Paulo Roberto e Raphael Aguiar eram amigos há mais de 10 anos

Ao compartilhar momentos de intimidade com Cicinho, Paulo acabou conhecendo melhor a personalidade e os gostos do colega. Ele detalhou a determinação do amigo e, além da paixão pelo futevôlei, alguns dos seus hobbies.

"Ele sempre quis as coisas mais que os outros, sempre treinava mais que os outros. Gostava muito de malhar, de jogar vídeogame e gostava muito de funk." Paulo acompanhou de perto desde o início a luta de Raphael contra o raro tipo de câncer. Eles atuavam juntos quando Cicinho descobriu a doença.

"Acompanhei a doença desde o início, em meados de 2014, quando estávamos no Tupi. Eu sempre estava com ele. Fez quimioterapia para diminuir o tamanho do tumor e aí fez a cirurgia no início de 2015. Tirou o joelho praticamente para colocar a prótese", explicou.

"Ele estava bem, teoricamente curado, aí nesses exames de rotina que se faz, acredito que uns seis meses depois da cirurgia, descobriu que [o câncer] tinha se espalhado, voltou no pulmão, cabeça, deu metástase", continuou.

Paulo continuou próximo do amigo até seus últimos dias de vida, no Hospital Felício Rocho, em Belo Horizonte, onde faleceu na madrugada de quarta. "Ele teve uma piora grande no ultimo mês, ficou duas semanas no hospital, e estava sofrendo muito." Segundo o amigo, Cicinho sobrevivia sob efeito de morfina, passando a maior parte do tempo sedado.

Raphael integrou o plantel profissional do Atlético-MG entre 2008 e 2009, período no qual foi às redes uma vez como profissional pelo clube. Foi justamente o gol da vitória por 3 a 2 sobre o Santos na Vila Belmiro – encerrando jejum de 60 anos do Galo na casa do rival. 

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