Preparador diz que Jô é o mais veloz do Corinthians e brinca: "Como Bolt"

Diego Salgado

Do UOL, em São Paulo

  • ALAN MORICI/FRAMEPHOTO/FRAMEPHOTO/ESTADÃO CONTEÚDO

    Jô já marcou nove gols na temporada 2017 e é tido como o mais veloz do elenco

    Jô já marcou nove gols na temporada 2017 e é tido como o mais veloz do elenco

Jô causou surpresa ao conseguir voltar ao futebol brasileiro em alto nível. Com a camisa do Corinthians, o atacante fez gols em todos os clássicos da temporada e começou o Brasileirão com dois gols nas duas primeiras rodadas. Aos 30 anos, o jogador destaca-se também pelo desempenho nos treinos.

Segundo o preparador físico do clube, Walmir Cruz, Jô é o atleta com mais velocidade no elenco do Corinthians, ao lado de Léo Príncipe, 20 anos. "Para o jogador ser veloz é uma série de situações, questão de fibra muscular. Jô tem a passada larga, como se fosse o Bolt [risos]. Passadona larga, tem muita fibra branca, que é a de velocidade", explicou.

Em entrevista ao UOL Esporte, Walmir falou sobre o caso do atacante e ainda explicou que há jogadores com outros perfis, como os marcados pela agilidade e resistência. O preparador físico corintiano também comentou sobre Clayson, recém-contratado, que terá um trabalho específico após chegar da Ponte Preta. Além disso, explicou a importância das últimas semanas sem jogos às quartas-feiras. 

Confira a entrevista completa com Walmir Cruz:

Maycon, Gabriel e Rodriguinho são os mais resistentes

Os que mais correm hoje são Maycon, Gabriel e Rodriguinho. Diferença dele [Rodriguinho] para o Romero é que o Romero corre naquele setor do campo. O Rodriguinho tem de ter movimentação e procurar espaços vazios, sempre volta para fazer cobertura, o Desgaste dele é muito grande. É um cara que a gente sempre fica de olho. A gente já faz a recuperação para ele voltar no peso dele, porque ele não tem muita massa muscular.

Quem é o mais veloz?

Os atletas chegam a atingir 32 km/h em velocidade. Vou falar um dado aqui que você vai falar que não é possível. Léo Príncipe e Jô. O começo do Jô foi muito difícil porque ele vinha de uma inatividade e estava se condicionando. Ele foi ganhando a condição melhor com a sequência de jogos. Nós temos jogadores rápidos e velozes. É diferente. O Arana é rápido, o Fagner é rápido, o Pablo é rápido, de movimento. Para o jogador ser veloz é uma série de situações, questão de fibra muscular. Jô tem a passada larga, como se fosse o Bolt [risos]. Passadona larga, tem muita fibra branca, que é a de velocidade. Tem outros velozes, como o Maycon. 

N.R: Segundo um estudo do clube mexicano Pachuca, o galês Gareth Bale é o jogador mais veloz do mundo. O atleta do Real Madrid atinge 36,9 km/h. Berrío, do Flamengo, é o segundo, com 36 km/h. A velocidade de 32 km/h coloca Jô entre os dez mais velozes do mundo, de acordo com esse levantamento. 

Semanas sem jogos às quartas

Podemos comemorar, para nós foi um alívio. Os atletas, principalmente os que jogam, não conseguem treinar. Eles jogam, recuperam, a gente faz algum estímulo de potência e força e já vão para o jogo de novo. Com essas semanas livres, conseguimos planejar e individualizar bastante o treinamento, para quem precisa trabalhar mais força, potência, para quem precisa fazer um tratamento mais específico pelo fato de tomar uma pancada. Isso ajudou no planejamento semanal, que chamamos de micro-ciclo. Conseguimos nessas duas semanas calibrar bem o time, porque logo terá sequência de novo.

Fôlego para os próximos jogos

Vamos jogo a jogo. Temos as informações detalhadas de todos os atletas, de treinamento, frequência cardíaca, intensidade e volume de cada treino, além da minutagem e ações nas partidas. Colocamos tudo isso numa balança e estudamos caso a caso. Os que estão numa sequência maior, com desgaste e não consegue se recuperar, nós observamos melhor e faz ponderações. Tiramos um pouco do treinamento e recupera de alguma maneira para ver se vale a pena arriscar.

Trabalho com os jovens

Ajuda bastante. Os jovens querem seu espaço, ele tem fome, está correndo atrás. Temos jovens aqui com experiência, como Maycon a Arana. Isso é bom porque estão maduros já. Há o jovem que vem da base que tem de ter outro tipo de adaptação. Não podemos queimar etapas, porque a maturação está sendo feita. Temos atletas já formados, com 28, 29 anos. A diferença no aspecto físico é muito grande. Então para igualar isso precisa de tempo, paciência e saber trabalhar.

Atenção a Clayson

Clayson sempre teve esse biotipo. Ele vai fazer um trabalho com a gente, com calma para não ter problemas futuros. Vai ser suplementado. Conversei com ele sobre o jogo contra a Ponte, quando ele estava sentindo dores na perna. Era câimbra e ele estava desidratado. Diminuiu bastante isso. Agora vamos entrar com a parte nutricional. É um trabalho minucioso. 

Daniel Augusto Jr. / Ag. Corinthians
Walmir Cruz orienta Jadson logo que o meia retornou ao Corinthians

O futebol atual e a exigência física

Mudou muito, o futebol hoje é físico e tático, com espaços diminuídos. É preciso planejar uma logística para minimizar esses efeitos que ocorrem numa partida. Os atletas correm 12 mil metros e não é em linha reta. Tem deslocamento, cabeceio, confronto, dividida, mudança de direção. São muitas variáveis. Trabalhando bem e obtendo resultado é bom. Não chega a ser um desafio, porque já estamos acostumados com esse modelo. No começo do ano tivemos sete dias para apresentação dos atletas, avaliação, treino e viagem. Precisamos quebrar a cabeça, é pouco tempo para uma exigência muito grande. E a cobrança vem, as pessoas não querem saber se o time está treinando há uma semana ou um mês.

Ápice físico na temporada

Esse modelo de periodização que utilizávamos muito tempo atrás, de ter uma curva ascendente para chegar no ápice para cair um pouco, não utilizamos mais, quase. Hoje precisa ter uma metodologia que chamamos de linear. Não adianta ter um ápice este mês e cair muito. São pontos corridos. Tem de ser regular o campeonato inteiro, senão fica muito para baixo e não consegue recuperar. Eu diria que os atletas já atingiram uma condição muito boa e tem um pouco mais ainda a crescer. É bem homogêneo isso, temos um caso ou outro de atletas que chegam de outros clubes e precisam se adaptar a nossa metodologia. Mas acho que 80% do grupo tem uma condição muito boa.

Condição ideal

Com a sequência de jogos, mais umas seis, sete rodadas. Aí o desafio é manter a performance em alto nível para eles desempenhar tudo que podem e dar o retorno através de resultados.

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