Após Palmeiras, Baptistas pai e filho revivem ciclo de 30 anos no Atlético

Napoleão de Almeida

Colaboração para o UOL

  • Reprodução/Livro CAP Paixão Eterna

    A velha Baixada de Nelsinho virou a moderna Arena para Eduardo

    A velha Baixada de Nelsinho virou a moderna Arena para Eduardo

O ano era 1987. Nelsinho Baptista, então com 37 anos, chegava ao Atlético-PR após passagem pela então campeã paulista Inter de Limeira. O Furacão ainda não tinha o mesmo reconhecimento nacional de hoje. Havia no máximo sido quarto colocado no Brasileirão de 1983, em uma época em que não havia muita lógica na CBF sobre quem era elite ou não.

Nelsinho conduziu o Atlético até as semifinais do Módulo Amarelo de 1987, quando caiu ante o Guarani, que depois enfrentaria o Sport e ficaria com o vice-campeonato nacional da temporada, na já amplamente discutida decisão que não aconteceu envolvendo também Flamengo e Inter-RS, então no Módulo Verde. Em 1988, com o Furacão com vaga na elite novamente, Nelsinho foi campeão estadual e partiu para a Colômbia, treinar o Sporting Barranquilla.

À época, a Baixada não era Arena e o clube atuava no Pinheirão, treinando no velho Joaquim Américo. Não existia o moderno CT do Caju. Curitiba fora o estopim das Diretas Já, e não da Lava-Jato – há quem seja contra as diretas hoje por lá. Eduardo tinha 12 anos e ia ver o pai aos finais de semana. "O Atlético não tinha a estrutura que tem hoje, mas era tão grande como é hoje. Sempre foi um clube de grande massa", relembra Nelsinho, que acompanhará de Kobe, no Japão, a estreia do filho no antigo clube.

Como o filho Eduardo, Nelsinho tinha nas mãos um elenco misto entre pratas-da-casa e nomes rodados. Hoje, de Rossetto a Grafite. Na época... "Tinha o Adilson (Batista, hoje técnico, então zagueiro, campeão por Grêmio, Cruzeiro e, claro, Atlético), veio o Fernando que era do Santos para titular. Eu coloquei o Adilson e todo mundo se espantou", lembra, falando ainda do elenco: "Tinha o Roberto Cavalo, da casa, o Carlinhos Sabiá, que veio do Cruzeiro e foi para o Palmeiras. O Marolla veio do Santos. Era um time bom. Ganhamos o Paranaense. A CBF tinha dividido a Série A em verde e amarelo, sem um critério, colocou o Atlético numa série como se fosse a B, com muita discórdia", conta em sua versão da eterna polêmica sobre 1987.

Reprodução/ Livro CAP Paixão Eterna
O time comandado por Nelsinho em 1988

Nelsinho seguiu a vida e nunca mais pisou em Curitiba a lazer, só a trabalho, por outros clubes. Ganhou destaque com o primeiro título nacional do Corinthians em 90, dirigiu Inter, Sport, São Paulo e Goiás antes de fazer carreira na Ásia. Aos 66 anos – quase 67 – consegue ser um profissional de ponta a ter o filho como concorrente em um mercado seleto da elite nacional. Daquela Curitiba, ficaram o carinho e as lembranças de um clube sempre à procura de estrutura.

"O Atlético estava na transição da Baixada, de fazer um novo estádio, ia vender o terreno pra um shopping. Fomos para o Pinheirão. O Petraglia era presidente do Conselho (N.R.: atualmente ocupa o mesmo cargo). Eram os Cardeais da Baixada, um nome engraçado (risos). Tinha ele, o Valmor (Zimmermann, notório dirigente do clube), o Hussein (Zraik, ex-presidente), o José Farinhaqui (ex-presidente), o Osni Pacheco, diziam até que ele era coxa (risos)! São grandes recordações."

Reprodução
Cardeais da Baixada, grupo comandado por Valmor Zimmermann que tinha Petraglia e trouxe Nelsinho

Filho do primeiro casamento de Nelsinho (que tem ainda outros 3 filhos), Eduardo acompanhou o pai por 12 anos como preparador físico antes de ser treinador. O convite do Atlético foi sendo costurado desde a demissão no Palmeiras. Na última sexta, antes mesmo da derrota por 0 a 2 para o Grêmio, Paulo Autuori falou com Eduardo, que tratou de ouvir o velho Baptista sobre a possibilidade. "Dei sinal verde. Conhecendo o Petraglia, é um cara franco: o certo é certo e o errado é errado. Conhecendo o meu filho, acho que é um trio que pode dar muito certo", fala, sobre a nova gestão do clube.

O Atlético começa a resgatar seus velhos ídolos no futebol, com vários jogadores fazendo parte do staff do clube. Na época, o atacante Nilson Borges, já aposentado, recebeu Nelsinho. O Bocão (Borges detesta o apelido) aprontou uma com o hoje novo técnico. "A Baixada era cheia de Quero-Quero, aquele passarinho. E os ovos ficavam na grama, nos cantos do gramado. O Nilson pegou uma bola e provocou o Eduardo: vamos ver se você chega. E jogou na direção do ninho, o Eduardo foi atrás, e os pássaros foram na direção dele, deram um susto no moleque. Ainda falei pro Edu, vê se cobra isso dele agora!", contou Nelsinho, rindo.

Eduardo estreará contra o Flamengo pelo Brasileirão de olho na Libertadores, o projeto do momento. Na época de Nelsinho, com o Coritiba campeão nacional em 85, a ideia era equiparar o feito do rival, quase atingido em 83 (quarto colocado). Nelsinho vê o filho mais preparado que ele na ocasião. "O Eduardo via jogos aqui no Japão de cima, na cabine, e corria me contar como melhorar", relata, sem deixar de citar a experiência recente no Palmeiras. O desgaste foi grande, mas Nelsinho, experiente, falou com o filho.

"Eu acho que isso aí não dá para por na conta de ninguém. É um clube que deu uma oportunidade para um treinador considerado jovem e havia uma pressão grande no ambiente. O Palmeiras fazia uma campanha boa. Uma média de 70 % no futebol sul-americano era excelente. Mas a torcida tinha outro nome de treinador na cabeça; quando ganhava eram os jogadores. Quando perdia era o treinador. Infelizmente acaba estourando numa pessoa só. Eu falei: "Filho, calma. Mais para frente vai surgir algo na sua carreira, isso aí é normal do futebol." 

ATLÉTICO-PR X FLAMENGO

Data/hora: 28/05/2017, às 16h (de Brasília)
Local: Arena da Baixada, em Curitiba (PR)
Árbitro: Bráulio da Silva Machado (SC)
Auxiliares: Kléber Lucio Gil (SC) e Neuza Inês Back (SC)

Atlético-PR
Weverton; Jonathan, Paulo André, Thiago Heleno e Sidcley; Otávio e Matheus Rossetto; Nikão, Carlos Alberto (Guilherme) e Pablo; Eduardo da Silva
Técnico: Eduardo Baptista

Flamengo
Alex Muralha; Pará, Réver, Rafael Vaz e Renê; Márcio Araújo, Romulo (Cuéllar) e Willian Arão; Mancuello (Rodinei), Matheus Sávio (Trauco) e Guerrero
Técnico: Zé Ricardo

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