Jejum, trocas e atuações. Por que queda de Zago no Inter é iminente

Jeremias Wernek

Do UOL, em Porto Alegre

Antonio Carlos Zago tem 57,7% de aproveitamento no ano, mas a demissão dele já é tratada pelo Internacional como algo iminente. A queda, depois de somente três rodadas na Série B, deve se basear no atual jejum de vitórias, substituições no decorrer dos jogos e desempenho ao longo de toda temporada. O anúncio oficial da saída pode ocorrer ainda no domingo.

O Inter indicou a troca logo após a derrota para o Paysandu, a primeira na Série B, ao não garantir Zago no cargo.

A posição não avançou por conta da logística: comissão técnica e jogadores voltaram a Porto Alegre em voo fretado, depois de deixar o estádio do Mangueirão. O presidente Marcelo Medeiros não estava junto com o time, na viagem até Belém. Uma reunião deverá ser realizada entre a cúpula, com o reforço do mandatário, e o treinador para anunciar a decisão.

Contratado em dezembro, respaldado por uma boa temporada no comando do Juventude, Antonio Carlos Zago foi apresentado dentro da ideia do Inter de jogar um futebol moderno. As diversas trocas no grupo de jogadores foram usadas para atenuar oscilações do time durante o Campeonato Gaúcho, Copa do Brasil e Primeira Liga.

Trocas

Durante o período, o treinador sempre desagradou pelas substituições. As trocas serviram, mais de uma vez, para ajustar o time que não fazia bom primeiro tempo. Foi assim no Gre-Nal do estadual, quando o Inter chegou a virar fora de casa e levou o empate em falha de Danilo Fernandes.

Também ocorreu cenário parecido em outras partidas do Gauchão e Copa do Brasil, especialmente contra adversários fechados e à espera de espaços.

Mas recentemente as modificações seguiram o caminho inverso e afetaram o rendimento da equipe. Diante do ABC, Zago insistiu no uso de três atacantes até metade do segundo tempo. E por fim, saiu radicalmente da proposta. O time levou o empate em casa. Contra o Paysandu, botou Marcelo Cirino no intervalo em movimento oposto ao último jogo.

Desempenho

Em 30 jogos na temporada, o Inter traz consigo um conjunto de poucas partidas como exemplos do futebol que deseja jogar. O clássico diante do Grêmio e os enfrentamentos com o Corinthians, pela Copa do Brasil, estão no topo da lista. Em nenhum deles o Colorado venceu, contudo dirigentes e comissão técnica viam bom desempenho.

Ainda no Gauchão, o Internacional patinou contra o Caxias. E sofreu na final diante do Novo Hamburgo. A estreia na segunda divisão, com um incontestável 3 a 0 em cima do Londrina, deu fôlego ao trabalho e as convicções de Antonio Carlos. Mas o empate em casa com o ABC e a derrota fora para o Paysandu trouxeram a insatisfação à tona.

"Concordo que precisamos melhorar. E precisamos melhorar o rendimento. Ter um jogo equilibrado, consistente. Série B precisa de uma competição maior, equilibrar o jogo aí e vencer na nossa qualidade. Está faltando um pouco disso", afirmou Roberto Melo, vice de futebol.

Jejum

A derrota no Mangueirão foi pesada, pela atuação, mas também por engordar uma estatística nada boa: três partidas seguidas sem vitória. E nos últimos 10 jogos, somente duas vitórias.

A vitória mais recente foi contra o Londrina, no estádio do Café. E antes dela, o Inter venceu o Caxias no duelo de ida da semifinal do Campeonato Gaúcho, no estádio Beira-Rio.

No mais, o time conseguiu somente cinco empates (Corinthians, duas vezes, Novo Hamburgo, duas vezes, e ABC) e duas derrotas (Caxias e Paysandu).

O Internacional volta a campo na quarta-feira, às 21h45 (Brasília), quando recebe o Palmeiras. Derrotado no jogo de ida das oitavas de final da Copa do Brasil, o Colorado precisa vencer por dois gols de diferença para seguir no torneio - triunfo por 1 a 0 leva para os pênaltis. E é bem provável que a tentativa de remontada seja com outro técnico.

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