Guto dispensou Jr. Baiano, foi campeão e esteve em "quase queda" no Inter

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

  • Divulgação/Inter

    Guto Ferreira tem carreira marcada por passagens pelo Internacional

    Guto Ferreira tem carreira marcada por passagens pelo Internacional

Guto Ferreira volta ao Inter 15 anos depois de erguer uma taça comandando o Colorado. Foi com ele à frente que o Inter conquistou o título do Campeonato Gaúcho de 2002, sobre o 15 de Campo Bom. A passagem foi relâmpago e acabou após cinco rodadas de um Brasileiro que acabaria com a fuga da Série B na última rodada. Pouco antes, o novo técnico do Inter participou da dispensa de quem parecia ser uma das principais contratações daquele ano: Júnior Baiano.

Baiano foi contratado pelo Inter em janeiro de 2002. Estava jogando na China, chegou por empréstimo, vinha de uma suspensão por doping e, aos 31 anos, tentaria recuperar a carreira. Àquela altura, não era Guto Ferreira quem comandava o time vermelho. O ano começou com Ivo Wortmann, que acabou pedindo demissão após um empate por 0 a 0 contra o Esportivo pelo Gauchão.

Guto era técnico do time de juniores. Foi alçado ao principal como interino e, de cara, teve a fase final do Gaúcho pela frente. Venceu o São Gabriel e foi para a decisão contra o 15. Ganhou em casa por 3 a 2 e fora por 2 a 0, erguendo a taça dequele ano e quebrando um jejum de cinco anos sem conquistas do Inter.

Em seguida, porém, viria o Brasileiro. Até então, Júnior Baiano era parte do elenco, atuava eventualmente, sofria para estar em forma e nem apareceu no time nas finais. Só que a indisciplina o marcou no início da trajetória no Nacional.

O Colorado começou perdendo para Flamengo e Corinthians. No primeiro jogo, ao ver uma invencibilidade de 19 jogos ruir, a torcida gritava 'Fora Guto', como registrou o jornal Correio do Povo de 12 de agosto de 2002, consultado pelo UOL Esporte. Teve, inclusive, protesto no local de saída dos jogadores do estádio, o conhecido 'Portão 8', onde ocorriam as manifestações da torcida do Inter naquela época.

A recuperação veio contra a Ponte Preta, com vitória por 1 a 0. Em seguida, no empate por 2 a 2 com o Botafogo, o problema que gerou a dispensa de Júnior Baiano. O zagueiro se atrasou para a apresentação, no Rio de Janeiro, foi desligado por justa causa e depois entrou na Justiça contra o Inter. O ato de dispensa partiu de Guto, que não queria Baiano no elenco depois dele ter ignorado a necessidade de recuperação da equipe.

Foi o penúltimo jogo dele no comando do Colorado. Depois do empate com o São Paulo, em seguida, veio a demissão. Naquele ano, o Inter ainda teria Celso Roth e Claudio Duarte, escapando do rebaixamento apenas na última rodada do Brasileiro, ao vencer o Paysandu. A campanha foi marcada por outros atos de indisciplina de jogadores, dispensas e mudanças no grupo. 

Guto voltou ao clube anos depois. Foi coordenador das categorias de base e técnico interino em uma partida em 2008, e rodou o Brasil depois disso. Se aperfeiçoou sempre na expectativa de um dia voltar, algo concretizado agora. "Valoriza a base e se identifica muito com isso. Foi campeão em 2002 no Inter, traçou uma caminhada muito longa para estar aqui de volta, muito trabalhosa e com muito profissionalismo. E seus últimos trabalhos o credenciam com a missão de colocar o Inter de volta ao Brasileiro. Ele já subiu equipes deste cenário que estamos inseridos e temos muita confiança no trabalho dele", disse o presidente Marcelo Medeiros.

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