Restos mortais de Garrincha desaparecem em cemitério no RJ

Bruno Thadeu

Do UOL, em São Paulo

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    Filha de Garrincha diz que administração do cemitério fez exumação do corpo sem avisar

    Filha de Garrincha diz que administração do cemitério fez exumação do corpo sem avisar

Os restos mortais de Garrincha, que morreu em 1983, estão desaparecidos. Em contato com o UOL Esporte nesta quarta-feira, a filha do ex-jogador, Rosângela Santos, informou que a família não foi notificada da exumação do corpo do pai e busca informações.

Garrincha foi enterrado no cemitério municipal Raiz da Serra, em Magé (RJ). A filha do ex-jogador disse que ficou sabendo na terça-feira que os restos mortais de seu pai estavam desaparecidos.

"Fomos informados de que o corpo do meu pai havia sido exumado, mas não sabemos quando isso aconteceu. Não temos nenhum documento. Não sabemos o que foi feito com ele. Estou tentando o contato [com os funcionários do cemitério], mas ninguém sabe responder", disse Rosângela, que foi ao cemitério na manhã desta quarta-feira.

Júlio César Guimarães/ UOL
Foto de 2013: Rosângela, filha de Garrincha, observa o túmulo que era do pai no cemitério de Raiz da Serra

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Magé, responsável pela administração do cemitério, mas ainda não teve retorno.

No cemitério, existem duas sepulturas com o nome de Garrincha. Segundo Rosângela, o corpo de Garrincha teria sido removido há mais de cinco anos e colocado em outro jazigo. O corpo de uma tia da família teria sido enterrado no jazigo que pertencia a Garrincha. A família não foi notificada sobre essa suposta mudança. 

"É algo indecente. Pensar que alguém sumiu [com os restos mortais] e não avisou".

Impasse na definição do mausoléu

Em 2013, o UOL Esporte publicou matéria retratando as precárias condições do cemitério onde Garrincha esteve enterrado.

O ex-ponta da seleção estava enterrado com outras quatro pessoas, num túmulo sem pompas. Por mais de 25 anos, a família esperou pela conclusão de um mausoléu. Um impasse entre os herdeiros ajudou a complicar a burocracia da reforma.

A espera por uma sepultura digna a Garrincha começou em 1985, quando o então prefeito de Magé, Renato Cozzolino, começou a erguer um mausoléu para abrigar os restos do craque em um local de destaque no cemitério Raiz da Serra. No entanto, na oportunidade a família do jogador proibiu a transferência.

No fim das contas, o impasse deixou túmulo e mausoléu em estados lamentáveis.

Mané: duas conquistas de Copa do Mundo

Manuel Francisco dos Santos, lendário camisa 7 do Botafogo, morreu aos 49 anos em 20 de janeiro de 1983, derrotado na luta contra complicações do alcoolismo. "Aqui descansa em paz aquele que foi a alegria do povo", diz a mensagem na lápide simples de Garrincha no cemitério de Magé. À época do enterro, as despesas foram custeadas pelo cantor Agnaldo Timóteo.

Pela seleção brasileira, Garrincha brilhou nas conquistas dos Mundiais de 1958 e 1962. No Chile, em 62, o ponta direita assumiu a condição de maior estrela da equipe; Pelé se lesionou durante a competição e não terminou o Mundial. Com suas pernas tortas, Garrincha enfileirava adversários com dribles desconcertantes.

Garrincha também defendeu a seleção na Copa do Mundo de 1966, quando o Brasil foi eliminado na fase de grupos.

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