Líder do Flu "sem glamour", Scarpa mira Puskás, Liga dos Campeões e Copa

Leo Burlá

Do UOL, no Rio de Janeiro

  • Nelson Perez/Fluminense F.C

    Gustavo Scarpa é esperança tricolor em duelo contra o Grêmio, pela Copa do Brasil

    Gustavo Scarpa é esperança tricolor em duelo contra o Grêmio, pela Copa do Brasil

Ao aposentar a camisa 40 e receber o número 10 do Tricolor, em setembro de 2016, o meia Gustavo Scarpa subiu de patamar e passou a ocupar o posto de referência do time. Ali, o Fluminense já iniciava um processo radical de rejuvenescimento, longe da badalação dos tempos de astros e salários milionários nas Laranjeiras. É uma fase "sem glamour" do clube, que tem no jovem armador sua maior liderança.

"Esse ano a gente tem menos medalhões que no passado, mas eles estão ajudando bastante os mais novos. Temos o Henrique, o Cavalieri, o Ceifador e o Lucas. Não tem aquele glamour que tinha nos outros anos, mas o ambiente é muito agradável", garantiu o meia, hoje a estrela do Flu. 

Cria de Xerém, o jogador enfrentou este ano uma fissura no pé direito. Ao disputar uma bola com um jogador do Madureira, Scarpa não esteve em campo para ajudar seus companheiros na final do Campeonato Carioca. De volta, ele diz estar pronto para assumir o protagonismo no grupo tricolor. Nesta quarta, o Flu encara o Grêmio, pela Copa do Brasil, às 19h30, no Maracanã. Para avançar, os cariocas têm de tirar uma desvantagem de 3 a 1.

"Se a gente passar, lutaremos por algo grande", prometeu.

Confira a íntegra da entrevista.

Retorno e protagonismo em campo

Me sinto preparado. Contra o Atlético eu já tinha comunicado ao Abel que eu aguentava os 90 minutos.  Me preparei muito bem fisicamente. Mentalmente estou preparado desde 2015, quando a responsabilidade começou a aumentar. Eu me sinto preparado para as cobranças e sei da responsabilidade que estão colocando sobre mim e o grupo.

Realidade do Fluminense

Muito difícil de analisar, estamos em quatro competições ainda. O Brasileiro é muito longo, a gente pensa em ganhar jogos para ficar na parte de cima da tabela. Nas competições de mata-mata, não tem como a gente prever. Sabemos que nosso elenco tem um número baixo de jogadores, as soluções terão de sair daqui mesmo. Estamos cientes das dificuldades.

"Se a gente passar, vai lutar por algo grande"

Vai ser grande, a gente está bastante confiante para a Copa do Brasil. Mesmo tendo um elenco com número baixo de jogadores, temos condições de passar de fase. Mas sabemos que será muito difícil, são os atuais campeões da competição (Grêmio). Se a gente passar, vai lutar por algo grande.

As diferenças entre o Flu com e sem Unimed

Com a Unimed peguei um pouco em 2014, mas não com tanta intensidade, pois eu não jogava. Comecei a jogar no meio de 2015 e já estávamos sem o patrocinador. Infelizmente é uma fase ruim que o clube está passando, e a gente espera que seja rápida. É difícil passar por ela, mas está todo mundo tentando ajeitar a situação financeira do clube. Quem ganha com isso são os mais novos, que acabam ganhando mais oportunidades. Mas o Fluminense está se saindo muito bem em meio às dificuldades.

2016 foi pior ano no clube

Ano passado foi o pior ano que tive no clube, a questão de não ter um mando de campo influenciou. A gente já estava com um elenco um tanto quanto pequeno e íamos para Volta Redonda jogar, uma viagem horrível. Aí manda jogo em Natal, Brasília... Isso era horrível para nós.  Mas ainda bem que não aconteceu algo pior e que estava para acontecer. A gente terminou o campeonato muito mal. Ainda bem que virou o ano, a equipe está melhor e espero que seja melhor que 2016. A gente se desgastou muito ano passado. O psicológico fica abalado, você não fica em casa nunca.

Nova direção tem menos verba

A direção deste ano está numa situação mais diferente, com uma verba um pouco mais limitada. Mas a gente tem de tentar esquecer isso, jogar e fazer o nosso melhor. Acho que estamos nos saindo bem.

Glamour nos tempos de Fred
Nelson Perez/Fluminense FC
Fred e Scarpa festejam gol ainda com a dupla reunida no Flu

O ambiente esse ano está muito bom. Ano passado até que foi bom o ambiente também. O que atrapalhou não foi o fato do Fred receber bastante atenção, a gente lidava com isso com tranquilidade. A gente sabia o que o Fred representa pro futebol brasileiro e mundial. É importante ter uma pessoa como referência e capitão. Esse ano a gente tem menos medalhões que no passado, mas eles estão ajudando bastante os mais novos. Temos o Henrique, o Cavalieri, o Ceifador e o Lucas. Não tem aquele glamour que tinha nos outros anos, mas o ambiente é muito agradável, a galera é super do bem. A gente espera que essa questão da união do grupo influencie.

Scarpa é medalhão ou cria de Xérem?

A gente não tem muito essa separação entre "medalhão" e "Xerém", sabe? É um negócio natural de todos conversarem com todos. Claro que às vezes você tem mais intimidade com uma pessoa, mas não me vejo em nenhuma ponta. Não fico preocupado com esses rótulos que as pessoas colocam, a gente sabe que nosso ambiente é bom e isso nos basta.

Sonho de jogar Liga dos Campeões e Copa

Como todos os jogadores, quero jogar em um grande europeu, jogar uma Champions contra os melhores do mundo. É um objetivo que eu tenho, que eu sonho e que eu vou buscar. Tenho o sonho de jogar uma Copa do Mundo, mas sou tranquilo com isso, continuo lutando e dando meu máximo para alcançar esses objetivos o mais rapidamente possível. Não tenho muita preferência por posição dentro de campo, consigo me adaptar muito rápido a situações, ambientes e culturas diferentes. Não tenho preferencia, meu objetivo é chegar num grande europeu e disputar os melhores campeonatos do mundo."

Elogios a Tite e o caminho para a Copa
Ricardo Stuckert/CBF

Único contato que tive com ele foi na seleção. Ele me ligou um dia antes da apresentação [amistoso contra a Colômbia] para me parabenizar, mas não tive nenhum outro contato fora da convocação. Mas todo mundo que conheço fala muito bem dele, pude ver que ele é um cara de caráter e que está merecendo tudo isso que vem conquistando. É complicado, mas não tem por que não sonhar com a Copa do Mundo, mas só vou conseguir me destacando e indo bem no Fluminense. Não adianta eu ir bem, o grupo tem de ir bem. Me preocupo com a parte individual, mas o coletivo é mais importante. Só vou chegar lá se estiver voando, então tenho de buscar minha melhor performance aqui para conseguir esse objetivo que eu tanto sonho.

Lesão controversa atrapalhou

Pelo que entendi, a imagem não detectou nada no primeiro exame. Voltei a trotar, mas como ainda estava sentindo dor, fizemos um exame mais aprofundado que detectou a fissura no pé e tive de engessar. Mas não me preocupei muito, não tinha o que fazer, não tinha como voltar atrás. Optei por receber isso da melhor maneira, fiquei com gesso e me recuperei bem.

Gol do meio-campo pode render prêmio
NELSON PEREZ/FLUMINENSE F.C.
Scarpa festeja seu gol do meio de campo na partida contra o Globo

Penso nisso. Não faço autopromoção, mas penso bastante. Acho que meu gol [do meio de campo, contra o Globo-RN] pode brigar, seria muito bacana se acontecesse isso. Mas vai que consigo fazer um mais bonito ainda? Penso em como seria trocar uma ideia com ele [Messi] pelo respeito e admiração que tenho pelo trabalho dele. Penso que posso ganhar, penso no que eu falaria se eu ganhasse o prêmio [de gol mais bonito do ano], assim como eu treino as minhas entrevistas. Toda semana eu já imagino o que que o repórter pode perguntar para mim e penso nas respostas para não pagar mico. Penso no prêmio, sim, mas de uma maneira tranquila.

Iniesta é um espelho

O Iniesta é fora da curva. A gente sabe que ele está numa fase final, mas é fora do comum. Para mim é o melhor. Melhor do mundo? Talvez. É um cara que eu admiro.

 

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