"Neymar do Japão" é são-paulino e deixou o time do coração por ser baixinho

Guilherme Costa

Do UOL, em São Paulo

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    Brasileiro Caio Lucas defende desde 2016 o Al Ain, dos Emirados Árabes Unidos

    Brasileiro Caio Lucas defende desde 2016 o Al Ain, dos Emirados Árabes Unidos

Quando tinha 15 anos, Caio Lucas foi dispensado do São Paulo por ser baixinho demais (media menos de 1,50m). Depois, fracassou em testes no Palmeiras e no Santos. Hoje, aos 23, segue desconhecido no país em que nasceu e ainda nutre o sonho de jogar na equipe do Morumbi. No entanto, o brasileiro é um bom exemplo de como é possível construir carreira no futebol à margem das equipes mais conhecidas do Brasil. Tornou-se profissional no Kashima Antlers, do Japão, onde começou a ser comparado ao compatriota Neymar. Recebeu sondagens para defender a seleção do país asiático e atualmente joga no Al Ain (Emirados Árabes Unidos).

Caio chegou a pensar em desistir da carreira após as malfadadas tentativas de defender São Paulo, Palmeiras e Santos. Voltou por insistência do pai e defendia o Bandeirante de Birigui (São Paulo) quando foi identificado por olheiros e levado ao Japão. Tinha 16 anos e viajou sozinho.

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No Kashima, emplacou 58 partidas e 23 gols entre 2014 e 2016. Nesse período, passou a ser chamado de "Neymar do Japão". "Nossas características são parecidas. Gostamos de ir para cima, pedalar e fazer gracinhas. Gosto de mostrar que não estou ali para ser mais um", disse o atacante brasileiro em entrevista ao UOL Esporte.

"Foram os fãs de lá que começaram com isso. Quando eu vi a repercussão, fiquei muito feliz e acreditei que estava fazendo um bom trabalho. Ser comparado ao Neymar é um elogio bem grande, né?", completou Caio.

O atacante do Barcelona é a grande referência de Caio Lucas como profissional. Os dois também são similares em estilo fora de campo, do apreço por tatuagens às constantes mudanças de cabelo ou cor de chuteira.

Todo esse pacote chamou atenção dos japoneses a ponto de Caio Lucas ter sido sondado para defender a seleção do país asiático. Antes de receber um convite oficial, contudo, o atacante deixou o Kashima Antlers e assinou contrato até 2019 com o Al Ain.

"Aí esse assunto se encerrou. Até agora não falaram mais nada, até porque eu precisaria passar mais cinco anos no Japão. Foram sondagens, mas a conversa não foi adiante", relatou o brasileiro.

No Al Ain, Caio acumulou 12 gols e 12 assistências em 24 partidas. O último desempenho digno de nota aconteceu na partida de volta das oitavas de final da Liga dos Campeões da Ásia: anotou dois gols numa vitória por 6 a 1 sobre o Esteghlal TEH, do Irã, que havia vencido o primeiro duelo por 1 a 0.

"Não digo que é uma vida de luxo, mas tenho uma vida estável e muito boa atualmente. Posso ter o que eu quero e fazer o que eu quero. Vivo com minha mulher e trago minha família quando eu quero. Tenho uma vida além do que eu pensava", admitiu o brasileiro.

O plano de carreira de Caio passa por uma chance no mercado europeu. Entretanto, o grande sonho do jogador é outro: são-paulino desde criança, o atacante espera ter outra chance no clube que defendeu até a adolescência.

"Não carrego mágoas pelo que aconteceu. Se eu puder voltar para lá vai ser um prazer imenso. Daria meu máximo", disse o jogador, que também é conhecido pela sigla CL7, alusão às iniciais do nome e ao número da camisa que ele usa.

Caio Lucas ainda é absolutamente desconhecido no Brasil. Anos depois de ter acumulado frustrações em algumas das grandes equipes do país, porém, o atacante é um exemplo de que a fama no país natal não é o único caminho no futebol.

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