Bilionário em fuga e crise na Ucrânia: Cruzeiro em dívida por Willian

Danilo Lavieri, Enrico Bruno, José Edgar de Matos e Thiago Fernandes

Do UOL, em São Paulo (SP) e em Belo Horizonte (MG)

  • Pedro Vilela/Getty Images

    Willian, hoje no Palmeiras, foi comprado pelo Cruzeiro na temporada 2014

    Willian, hoje no Palmeiras, foi comprado pelo Cruzeiro na temporada 2014

O Cruzeiro recebeu uma notificação da Fifa por uma dívida de mais de R$ 5,3 milhões – sem contar os juros – na contratação do atacante Willian, atualmente no Palmeiras. Quem cobra esta dívida é o Zorya-UCR, clube pelo qual o atual jogador do Palmeiras nunca jogou, mas que adquiriu os direitos pela transferência por uma situação política de tensão na ex-república soviética.

A confusão começou em 2014, quando o Cruzeiro negociava com o Metalist Kharkiv, da Ucrânia, time que Willian defendeu na temporada 2012-2013. Naquele momento, o bilionário Sergey Kurchenko, presidente do clube, deixou o país em meio à crise política que resultou na deposição do chefe de estado Viktor Yanukovich, acusado de ordenar o assassinato de civis.

Kurchenko, dono de uma companhia de gás natural que domina quase 20% do mercado no país, fugiu da Ucrânia em fevereiro de 2014 e até hoje o seu paradeiro é desconhecido. "Na época, por conta do problema político do país, o Metalist transferiu a sede deles para essa cidade [Luhansk, cidade do Zorya] e acabou repassando o crédito ao clube", explicou Benecy Queiroz, supervisor de futebol do Cruzeiro.

O Zorya cobra o Cruzeiro pelo atraso de três parcelas de quase 500 mil euros (R$ 1,7 milhões), previamente acordadas na negociação ocorrida em 2014; o clube mineiro pagaria o Metalist em sete parcelas, mas os direitos econômicos, em virtude da crise responsável pelo 'sumiço' do presidente do clube, acabaram repassados ao clube que nunca chegou a ter Willian em campo.

A decisão da Fifa protocolada em 13 março deu 30 dias para o Cruzeiro quitar as dívidas com o clube ucraniano, sob a pena de sanções do Comitê Disciplinar da entidade máxima do futebol brasileiro. Em caso de atraso, os mineiros ainda pagarão os valores fixados com juros.

Consultado pela reportagem do UOL Esporte, o clube mineiro disse não ter recebido qualquer notificação da entidade máxima do futebol mundial. Depois de se destacar pelo Cruzeiro na conquista do Campeonato Brasileiro de 2013, quando estava emprestado, Willian foi comprado pelo clube mineiro em sete parcelas de aproximadamente 500 mil euros; três delas, segundo acusação dos ucranianos, não foram pagas.

O caso foi levado à Fifa, que deu veredito favorável aos ucranianos em março deste ano. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a Federação Ucraniana de Futebol também foram notificadas e estão cientes da cobrança do Zorya sobre o clube mineiro. A reportagem estabeleceu contato com o diretor jurídico Fabiano Oliveira Costa. O dirigente, contudo, optou por não comentar a situação na ocasião.

Os mineiros, hoje, têm outros problemas envolvendo pagamento por atletas contratados. Defensor Sporting, do Uruguai, e Huracán e Independiente, ambos da Argentina, já acionaram o clube na Fifa com o intuito de regularizar os valores referentes às transferências de Arrascaeta, Ramón Ábila e Matías Pisano, respectivamente.

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