Política em Cotia faz SP lucrar mais que um Gabriel Jesus com vendas

José Eduardo Martins e Pedro Lopes

Do UOL, em São Paulo

  • Ivan Altman / saopaulofc.net

    Luiz Araújo ao lado do presidente Leco

    Luiz Araújo ao lado do presidente Leco

Vendas como as de Luiz Araújo, David Neres e Lyanco dividem os torcedores do São Paulo. Por um lado, o clube vem se especializando em vender, transformando promessas com pouca experiência no profissional, sem passagens pela seleção e em período de afirmação em suas carreiras em quantias altas. Com as vendas apenas nas gestões do presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, o clube faturou com cinco atletas cerca de R$ 112 milhões, mais do que o Palmeiras recebeu pela saída de Gabriel Jesus (R$ 76 milhões) ou o Santos pela saída de Gabigol (R$ 41,1 milhões). Ao contrario do que ocorre com os rivais, entretanto, os são-paulinos não viram suas promessas conquistarem nenhum título com a camisa tricolor.

Comparativamente, os termos dos negócios são-paulinos acabam sendo proporcionalmente melhores do que as grandes vendas de atletas já consolidados e com passagens pela seleção principal. O Palmeiras ficou com pouco mais 60% dos 32 milhões de euros da venda de Gabriel Jesus (o clube alviverde manobrou para receber mais do que os 52% aos quais teria direito). O Santos teve direito a 40% dos valores da transferência de Gabigol. Nas cinco transações, o São Paulo reteve, em média, 85% do valor total envolvido.

O atacante Ewandro foi promovido ao profissional em 2014 e vendido à Udinese, da Itália, após apenas 22 jogos. O clube brasileiro ficou com 75% do valor total da negociação – R$ 9 milhões dos R$ 12 milhões . Sem nem sequer disputar uma partida pelo profissional, Augusto Galván, de 17 anos foi vendido neste ano para o Real Madrid por R$ 3,2 milhões - com mais R$ 6,4 milhões por metas alcançadas.

Ainda na janela de transferência de janeiro, a diretoria acertou a venda de David Neres, de 20 anos, para o Ajax, por R$ 40,8 milhões, com a possibilidade de chegar a R$ 51 milhões caso metas sejam atingidas. O clube holandês já havia apresentado interesse no jogador em outras oportunidades, mas o São Paulo recusou as primeiras propostas. No total, ele disputou apenas oito partidas pelo profissional e marcou três gols. O Tricolor tinha 100% dos direitos econômicos e manteve 20%, repassando o resto aos holandeses.

Em março, mesmo com a janela de transferência para a Europa fechada, o São Paulo vendeu o zagueiro Lyanco para o Torino. O clube italiano desembolsou R$ 17,3 milhões, sendo que o valor com performance pode chegar a R$ 24 milhões. O defensor, de 20 anos, foi promovido para o profissional em 2015 - sendo ainda utilizado posteriormente pela base em algumas ocasiões - e disputou 25 partidas. Com nacionalidade sérvia, ele era uma das esperanças do clube para fazer caixa, já que o São Paulo tinha 80% dos direitos.

Desta vez, ainda antes de a janela de transferência para a Europa abrir, o Tricolor fechou a venda de Luiz Araújo para o Lille por R$ 38,3 milhões. O São Paulo ficará com 80% desse valor, repassando 20% ao Mirassol.

"Acho que é uma realidade do futebol brasileiro, que continua sendo um excelente exportador de matéria prima. Dificuldade financeira dos clubes unida a vontade de independência dos jogadores, fica difícil fugir. O São Paulo é reconhecidamente um dos maiores formadores de jogadores, esse número grande de vendas em período curto se deve também um pouco ao time sub-20, a campanha na Libertadores sub-20.  A gente que esteve presente, viu a importância da competição e olheiros do mundo inteiro estiveram lá", explica o treinador do Sub-20 do São Paulo, André Jardine.

Do total de venda que pode chegar a R$ 131 milhões, o São Paulo fica com R$ 112 milhões. Além disso, o clube ainda tem percentuais em cima de vendas futuras em alguns desses jogadores: 10% nos casos de Lyanco e Luiz Aráujo, 20% de David Neres e 7% sobre o lucro em caso de uma transação envolvendo Lyanco.

Infelizmente para a torcida, a máquina de fazer jogadores de Cotia ainda está devendo em glórias dentro de campo: a única taça dos últimos oito anos foi a Sul-Americana de 2012, que teve Lucas, hoje no PSG, como protagonista. Se fosse uma ação na bolsa de valores, entretanto, a base são-paulina provavelmente teria seus investidores comemorando pelas ruas.

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