Ensaio de 'golpe' na Federação da PB teve intolerância religiosa e B.O.

Roberto Oliveira

Colaboração para o UOL, em Recife

  • Raniery Soares/Correio da Paraíba

    Vice-presidente Nosman Barreiro entrou na sede da FPF com ajuda de um chaveiro

    Vice-presidente Nosman Barreiro entrou na sede da FPF com ajuda de um chaveiro

Na última quinta-feira (1º), o vice-presidente da Federação Paraibana de Futebol, Nosman Barreiro, tentou tomar posse da entidade durante uma viagem à França do presidente Amadeu Rodrigues. Não bastasse o ensaio de golpe, o episódio teve contornos lamentáveis.

Em conflito administrativo há meses com o mandatário, Barreiro aproveitou a oportunidade para invadir a sede da entidade com ajuda de um chaveiro, acompanhado de seguranças e advogados. Ele sentou à mesa da presidência, abriu um livro de ata e tentou tomar posse sob o argumento de que Rodrigues deveria ter lhe passado a presidência durante a viagem, e que o cargo ficara vacante. No Torneio de Toulon acompanhando a seleção sub-20 a convite da CBF, o presidente outorgou-o ao diretor jurídico Marcos Souto Maior via procuração.

Houve bate-boca entre os aliados de Rodrigues e Barreiro, e o presidente interino chamou a Polícia Militar. O ensaio de "golpe", porém, foi além. Enquanto o vice se preparava para dar uma entrevista coletiva intitulando-se novo mandatário, uma aliada sua removeu uma estátua de Nossa Senhora Aparecida da mesa da presidência, proferindo palavras de injúria racial e intolerância religiosa. A história foi publicada em primeira mão pelo Globo Esporte da Paraíba, e confirmada ao UOL Esporte por testemunhas presentes no tumulto.

"Vamos tirar ela daqui. Porque ela aqui não. Não, deixa ela aqui atrás. A gente só adora uma coisa: Deus. Deixa ela aqui", afirmou a mulher, que seria irmã e assessora de Barreiro, colocando a estátua de costas num sofá. Sentado, ele ainda impedi-la, segurando-a pelo punho.

"Tá repreendido. Botaram a 'neguinha macumbeira' pra cá", continuou a aliada de Barreiro.

A cena foi registrada em vídeo pela reportagem local. Barreiro, então, concedeu a entrevista coletiva como pretenso presidente, ladeado pela aliada.

Raniery Soares/Correio da Paraíba
Estátua de Nossa Senhora Aparecida foi retirada da mesa do presidente por aliada do vice

Não parou por aí. Após a entrada à força do vice-presidente e seus aliados na Federação, os funcionários da entidade foram impedidos de trabalhar. Alguns deles, inclusive, se sentiram intimidados durante o tumulto, segundo o diretor jurídico e presidente interino Marcos Souto Maior

"Alguns funcionários se sentiram vilipendiados no seu direito de trabalhar, estavam no meio das atividades, registrando jogadores, organizando jogos do sub-19 e sub-20, e tiveram as atividades suspensas. Mais de 50 pessoas invadiram a Federação, muitas delas com postura suspeita, e isso gerou indignação e medo", afirmou.

"Os funcionários foram à delegacia para prestar queixa [Boletim de Ocorrência] porque se sentiram ameaçados pelo vice-presidente. [Foram] Cerca de 4 funcionários, eles me perguntaram se a Federação era contra, eu disse que não e perguntei se eles se sentiram ameaçados, e eles tomaram a decisão", explicou Souto Maior.

Uma fonte na Paraíba ouvida pela reportagem confirmou que alguns funcionários registraram o B.O.

Na última sexta (2), a Federação Paraibana de Futebol teve as atividades suspensas e sua sede amanheceu cercada por seguranças. O que era um conflito administrativo entre presidente e vice, que inclusive corre sob sigilo na Comissão de Ética da CBF, pode se transformar em caso de polícia em João Pessoa. 

O UOL Esporte tentou contato com Nosman Barreiro na quinta à noite e na sexta, mas não teve seus telefonemas atendidos. 

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