Presidente do Atlético-MG confirma já ter parceiros para construir estádio

Victor Martins

Do UOL, em Belo Horizonte

"Garanto que não vai sair um centavo do futebol para a construção do estádio", prometeu o presidente do Atlético-MG, Daniel Nepomuceno. De acordo com o mandatário alvinegro, os números para que o clube finalmente tenha sua própria arena já estão fechados e vão ser apresentados nos próximos dias ao conselho deliberativo do clube.

"Chegou o momento, depois de muito empenho e muito trabalho. Vamos conseguir colocar para o conselho como ter a nossa arena, sem colocar um centavo. A conta financeira fecha", disse Nepomuceno em entrevista ao programa Bastidores, da Rádio Itatiaia.

Para chegar aos R$ 400 milhões, valor estimado da obra, o Atlético acertou uma série de parcerias, entre elas empresas que já estão ligadas ao clube. O Banco BMG, que foi patrocinador do Atlético entre 2010 e 2014, a construtora MRV, um dos atuais patrocinadores, e Multiplan, que administra o Diamond Mall, shopping que pertence ao clube mineiro, já estão no fundo que vai ser responsável por viabilizar a construção do estádio.

"O Atlético não perderá dinheiro, não vai sair um centavo do futebol. Tudo vai sair do fundo, que vai entregar os 40 mil lugares ao Atlético", informou o presidente.

MRV garante naming rights do estádio

Além de ceder o terreno, localizado no bairro Califórnia, na região Noroeste de Belo Horizonte, a MRV também está disposta a comprar o naming rights, mas com um detalhe. O Atlético ainda está livre para negociar com outra empresa. Caso não consiga, a construtora que pertence a Rubens Menin, que é atleticano, vai pagar o que o clube precisa.

E está aí um dos motivos de o Atlético falar há tanto tempo da construção do estádio e não anunciar de forma oficial. O desejo da diretoria e confirmar a construção já com o naming rights definido, para evitar que o local pegue qualquer tipo de apelido.

Shopping atraiu um dos parceiros

Reprodução internet
Maquete do estádio faz parte da decoração na sede administrativa do Atlético-MG

A Multiplan tem um acordo com o Atlético para explorar o shopping Diamond Mall. A empresa construiu o empreendimento num terreno do clube, no bairro de Lourdes, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. Em contrapartida a Multiplan garantiu o direito de administrar o shopping por 30 anos, a partir de inauguração, que foi em novembro de 1996. Como o contrato está perto de se encerrar, resta menos de uma década, a empresa já se movimenta para conseguir a renovação.

Ajudar o Atlético na construção do estádio foi uma das formas encontradas para permanecer administrando o empreendimento. Os valores, no entanto, ainda não foram informados pelo presidente Daniel Nepomuceno, que vai apresentar primeiro aos conselheiros do clube. É justamente por isso que o conselho do Atlético vai ser convocado, já que a viabilização da construção do estádio passa pela renovação do contrato de concessão do Diamond Mall.

A cada ano a participação do Atlético no faturamento do centro comercial fica maior, até ficar 100% com o clube. Em 2016 o Diamond Mall rendeu cerca de R$ 9 milhões para o Galo.

Venda de cerveja e ajuda da torcida

Outras importantes fontes para que o Atlético viabilize a construção de seu estádio estão diretamente ligadas aos torcedores. O clube negocia com algumas empresas o fornecimento das que vão ser consumidas no local, em dias de jogos e de outros eventos. Esse dinheiro também vai ser usado na obra, assim como a venda de cadeiras para os atleticanos.

Dos 40 mil lugares que estão no projeto do estádio, feito pela Farkasvölgyi Arquitetura, cerca de cinco mil assentos vão ser vendidos aos torcedores de forma antecipada, por um determinado tempo. Uma espécie de cadeira cativa. Com esse valor, o clube vai conseguir levantar uma parte dos custos.  Definição dos preços e tempo de uso da cadeira vão ser revelados em breve, quando o Atlético apresentar os números ao conselho deliberativo.

Mais alguns meses de espera

"Demorou, mas estamos muito próximo". O presidente Daniel Nepomuceno mostra bastante entusiasmo para poder, enfim, anunciar a construção do estádio. Mas o início das obras é algo que não vai acontecer em breve. É preciso seguir algumas etapas. A primeira delas é dentro do próprio clube. Uma comissão vai ser formada entre os conselheiros, para que os números sejam estudados, bem avaliados.

Além disso, falta a parte burocrática. O projeto está na prefeitura e ainda precisa ser aprovado. Nesse quesito o clube já deu alguns passos importantes, com a realização de uma audiência pública no bairro Califórnia, bairro em que vai ser erguido o estádio, que se tornou uma 'Utilidade Pública'. Isso livra o Atlético de algumas exigências e contrapartidas, algo que é pedido na construção de qualquer grande obra.

"A gente tem que respeitar muito cada estágio. Vou apresentar ao presidente do conselho (Rodolfo Gropen), que vai chamar o conselho em no máximo duas semanas. Então vamos tirar uma comissão, para avaliar. Não são números simples, é um trabalho muito técnico. É preciso respeitar o prazo correto, não pode ser uma aventura. Aí vai depender muito da prefeitura, para lançar o projeto na câmara municipal", completou Daniel Nepomuceno.

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