Mano diz que tinha direito de atrapalhar lateral. Especialistas discordam

Enrico Bruno

Do UOL, em Belo Horizonte

  • Reprodução

    Momento em que Mano tromba com o lateral Reinaldo na beira do gramado

    Momento em que Mano tromba com o lateral Reinaldo na beira do gramado

Além das confusões dentro e fora de campo após o apito final, o jogo do Cruzeiro contra a Chapecoense também contou com um momento para lá de polêmico ainda com a bola rolando. No segundo tempo de jogo, Mano Menezes chamou atenção ao impedir que o rival Reinaldo executasse um arremesso lateral. Em sua entrevista coletiva, o comandante alegou que estava dentro da área técnica e, por isso, tinha o direito de atrapalhar o adversário. Consultados pelo UOL Esporte, no entanto, especialistas da arbitragem discordam do cruzeirense e acreditam que ele deveria ter sido punido.

Para Renato Marsiglia, a atitude antidesportiva de Mano deveria ser punida com a expulsão. Se o árbitro principal não tivesse visto o lance, o quarto árbitro deveria avisá-lo do ocorrido.

"Ele não pode fazer o que fez. Deveria ser expulso do banco de reservas pelo árbitro", disse o ex-árbitro, citando ainda que, de acordo com as regras do futebol, os ocupantes das áreas técnicas "devem comportar-se de maneira responsável", o que não foi o caso.

No lance, nota-se que Mano ainda observa o lateral Reinaldo e dá dois passos para a direita, indo de encontro ao jogador propositalmente no momento do arremesso.

"Não concordo com essa atitude. A área técnica está prevista na regra 1, que é muito clara quando fala sobre comportar-se de modo responsável. A função ali é exclusivamente para dar orientações aos jogadores. O técnico não pode, em momento nenhum, utilizar daquele espaço, para atrapalhar os jogadores, até porque o jogo também se realiza fora de campo, seja em um drible, um arremesso ou em um deslocamento de jogador. Se o Mano estivesse parado, a gente poderia entender que estaria correto. Mas o movimento lateral que ele fez e a sua declaração estão completamente em desacordo com a regra 1", comentou Sálvio Spínola, ex-árbitro e hoje comentarista de arbitragem.

Na última sexta, dia seguinte ao jogo, a repercussão negativa foi evidente. Mano deu o assunto como encerrado desde o fim do jogo, mas reconheceu, ainda em Chapecó, que a proximidade com o próximo duelo entre as equipes, marcado para este domingo, pode contribuir para gerar algum clima de animosidade no Mineirão.

"Independentemente do que aconteceria no fim, você leva algumas coisas de um jogo para o outro. A disputa dos 90 minutos já levaria alguns fatos para domingo, porque os jogos são muito próximos. Mas vamos saber entender que o aconteceu já ficou para trás, agora é outro campeonato e o Cruzeiro vai buscar jogar futebol", disse.

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