Ioga, conselhos e discrição: como o jeito de Zidane conquistou o Real

Do UOL, em São Paulo

Dois títulos da Liga dos Campeões em 18 meses deixaram muita gente surpresa com o desempenho de Zinedine Zidane como técnico do Real Madrid, mas quem acompanhava o time de perto não estranhou tanto. Havia dúvidas sobre seu conhecimento tático e a falta de experiência, mas liderança e confiança junto ao elenco já existiam. E foi isso que fez a diretoria apostar no francês.

Discreto no clube e fora dele, Zidane começou a se aproximar mais do elenco em 2011, quando foi de conselheiro especial do presidente Florentino Perez a diretor do time principal. José Mourinho, técnico na época, não lhe dava tanta abertura, mas com os jogadores era diferente.

Notícias da época já indicavam isso, como destaca o perfil do treinador feito pelo El Mundo. Segundo o portal, a relação com o elenco foi evoluindo ainda mais e motivou o clube a colocar Zidane como assistente de Carlo Ancelotti na temporada 2013-14. Zidane via a experiência para evoluir como treinador e no dia a dia tinha influência direita sobre o grupo.

As participações nos rachões e os trabalhos específicos com jovens jogadores como Isco, Morata, Carvajal e Nacho também foram decisivos. O elenco que já tinha idolatria e respeito por Zidane graças a sua história passou a ter no francês um conselheiro mais próximo e um companheiro de dia a dia.

"Zidane é um técnico com quem converso simplesmente todos os dias. Além de ordens táticas, me dá conselhos técnicos e de comportamento", comentou Varane recentemente, dando só um exemplo dessa proximidade.

Os elogios públicos de líderes como Sergio Ramos e Cristiano Ronaldo também comprovam a liderança natural que Zidane exerce sobre o elenco. Quando assumiu o time B do Real Madrid, a convivência com a equipe principal diminuiu, mas a relação continuou positiva.

E o mesmo aconteceu com os demais funcionários do clube. Não faz exigências mirabolantes nem compra brigas desnecessárias. Segundo o El Mundo, não tenta bancar o "paizão" nem forçar uma rigidez além de sua personalidade. Solicitar ingressos extras para os jogos, por exemplo, não é algo comum para o francês.

Até fora do Real Madrid Zidane mantém essa característica. Os poucos programas que tem como rotina são jantares com sua mulher e as aulas de bikram ioga. Esse tipo de ioga consiste numa sequência de 26 posturas e dois exercícios respiratórios num ambiente cuja temperatura fica em torno de 40ºC.

É nessa atividade que Zidane pratica concentração e se distancia um pouco da pressão de comandar um dos maiores times do mundo. E considerando que ele já conquistou como treinador duas Ligas dos Campeões, um Mundial de Clubes, um Campeonato Espanhol e uma Supercopa da Europa, sua fórmula tem dado certo.

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