Na busca pelo estádio próprio, Atlético-MG tem Palmeiras como referência

Thiago Fernandes e Victor Martins

Do UOL, em Belo Horizonte

  • Reprodução do projeto da Arena Multiuso de Belo Horizonte

    Projeção de como vai ficar no estádio do Atlético, no bairro Califórnia, em Belo Horizonte

    Projeção de como vai ficar no estádio do Atlético, no bairro Califórnia, em Belo Horizonte

É apenas uma questão de tempo para o Atlético-MG ter seu próprio estádio, que será erguido no bairro Califórnia, na região Noroeste de Belo Horizonte. Nos próximos dias, a diretoria do clube vai apresentar ao conselho deliberativo toda a estratégia para levantar os R$ 400 milhões previstos para a construção da arena. Antes de mostrar os números aos conselheiros, os responsáveis pelo projeto pensaram em todos os detalhes. Um dos pontos mais importantes é de como fazer com que o estádio gere dinheiro nos dias sem partidas de futebol.  

Durante os últimos anos, o Atlético estudou bastante como trabalham os clubes brasileiros que possuem estádios próprios. E foi o Palmeiras quem mais chamou a atenção. O clube paulista ergueu o Allianz Parque sem tirar nenhum recurso do futebol. Assim como o Atlético pretende fazer.

E foi a partir da relação entre Palmeiras e WTorre, empresa responsável pela construção e administração do Allianz Parque, que o Atlético elaborou seu plano de administração do novo estádio. Porém, segundo o presidente do clube mineiro, Daniel Nepomuceno, o Atlético vai ter um acordo mais avançado do que tem o Palmeiras com a WTorre.

"O Grêmio tem um estádio que é dele, mas não recebe um centavo. Tem a situação do Corinthians também, que criou uma dívida com bancos, por ter feito uma Arena. Tem o exemplo do Palmeiras, mas o nosso acordo é um pouco mais avançado. Nós não seremos sócios da empresa que ativar os eventos. A empresa vai comprar as nossas datas, então é diferente. Vai prevalecer o futebol. Fora o futebol, vamos poder vender das datas. Não vai existir um canibalismo", disse o mandatário atleticano em entrevista à Rádio Itatiaia.

Como a WTorre precisa recuperar de alguma maneira o dinheiro que foi investido construção do Allianz Parque, a empresa tem preferência nas datas. Em caso de show ou algum outro grande evento, o Palmeiras precisa atuar em outro local, geralmente no Pacaembu. De acordo com Nepomuceno, essa é uma situação que não vai acontecer com o Atlético.

"Diferente do que aconteceu na maioria dos estádios do país, as 40 mil cadeiras serão do Atlético. O poder de negociar todos os eventos também vai ser do Atlético",

E o fato de contar com uma arena moderna faz o Atlético acreditar que vai ocupar bem as datas que não forem utilizadas pelo futebol.

"A gente estudou bastante isso. Você tem em média de 35 jogos em casa durante o ano. Teremos aí um ativo de amis de 300 dias para poder trabalhar. Aí vem uma questão de arquitetura. É uma arena moderna, você consegue montar um palco e pegar uma parte para dez mil pessoas. Tem como preparar também para eventos para mais de 15 mil pessoas. Algo que não ocorre no Mineirão e muito menos no Independência. Você deve ter no país, no mínimo, uns 20 eventos de grandes artistas e Belo Horizonte só recebe três, por não ter espaço para isso", completou o dirigente atleticano.

Atlético criou um fundo de investimentos

Para levantar R$ 400 milhões que serão usados na construção do estádio, o Atlético usou bastante criatividade. O clube conta com alguns parceiros já confirmados. A MRV doou o terreno e garante o pagamento dos naming rights, caso o Atlético não consiga negociar com outra empresa. A Multiplan tem um acordo comercial com o clube mineiro para a exploração do shopping Diamond Mall. Como o contrato se encerra me menos de uma década, a empresa já se movimenta em busca da renovação e vai ajudar na construção do estádio. E todas as garantias financeiras vão ser dadas pelo Banco BMG, que pertence a Ricardo Guimarães, que foi presidente do Atlético na década passada.

Para completar o valor necessário, o Atlético vai recorrer a mais algumas estratégias, como contratos de exclusividade no fornecimento de bebidas e alimentos no estádio, assim como a exploração do estacionamento. Além disso, o clube vai vender cadeiras cativas aos torcedores, para atingir a marca de R$ 400 milhões.

"Não vamos colocar um tijolo ou uma grama de cimento enquanto todo o dinheiro não estiver no fundo de investimento", garantiu Nepomuceno.

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