Torcedor assiste goleada de time sozinho na arquibancada. E não era 1ª vez

Marcello De Vico

Do UOL, em Santos (SP)

  • Divulgação/Twitter

    Daniel Oliveira, torcedor 'solitário' do Angra dos Reis E.C., do Rio de Janeiro

    Daniel Oliveira, torcedor 'solitário' do Angra dos Reis E.C., do Rio de Janeiro

Daniel Oliveira, 19 anos. Este foi o único torcedor do Angra dos Reis-RJ a acompanhar a goleada por 4 a 0 do seu time sobre o Ceres, no último dia 5, em jogo válido pela Série B2 do Carioca, a terceira divisão do futebol no Rio de Janeiro. Outros 275 estavam presentes no estádio da Rua Bariri, em Olaria (RJ), mas todos eles torcedores do time anfitrião.

E foi justamente Daniel Oliveira, entre os 276 presentes no estádio, quem mais chamou a atenção. Não pelo simples fato de estar sozinho na arquibancada para o time visitante, mas pelo barulho que fez – gritando até 'olé' nos momentos finais da partida. Ainda durante o jogo ele foi exaltado pelos jogadores e técnico e também pelo Twitter oficial do clube de Angra dos Reis. E vem vivendo dias de 'celebridade'.

"Está sendo um momento único na minha vida. Não precisava ter esse reconhecimento todo. Apenas do clube já estava bom demais", disse Daniel Oliveira em entrevista exclusiva ao UOL Esporte. "A vitória do meu time sempre é minha vitória. Era eu contra 275, foram 276 presentes", acrescenta o solitário torcedor, que aproveitou o dia de folga para viajar de Angra dos Reis até Olaria (RJ), gastando horas de viagem para acompanhar o seu time, sozinho.

Curiosamente, esta não foi a única vez que Daniel ficou sozinho nas arquibancadas para torcer pelo seu time. "Eu já tinha ido sozinho no Angra dos Reis x São João da Barra, em 2015. Me senti normal, estava fazendo o meu papel, não olhei para a arquibancada para ver se eu estava sozinho ou não, estava focado em ajudar o time. Achei que iam ter outros torcedores lá, amigos de jogadores que moram lá por perto, mas nem percebi", conta Daniel, que vende picolé nas ruas de Angra dos Reis nos períodos da manhã e tarde e de noite estuda.

Apesar do trabalho e dos estudos, Daniel sempre dá um jeitinho de, quando possível, ir aos estádios para acompanhar o Angra dos Reis. "Não perco nenhum. Mesmo doente eu estou lá. Eu vou quando eu posso, quando dá, né? A paixão pelo meu time vem das pessoas que desacreditam dele. Aí me chama de maluco, de bobo, de otário, e isso me motiva mais, porque eu acredito no meu time, eu sei o potencial, eu sei como é. Se todos abraçarem o time aqui, empresários, prefeito, comerciante, nosso time vai chegar longe", acrescenta Daniel.

Sonho de ser jornalista esportivo. Ou jogador

Desde segunda-feira (5), Daniel vem sendo procurado por diversos meios de comunicação para contar a sua história. E, se depender dele, daqui a uns anos será quem estará no papel de entrevistador – a não ser que outro sonho dele se realize antes: o de virar jogador. "Eu sonho em trabalhar na área do futebol. Ou ser jornalista esportivo, ou na área de educação física. Ou até mesmo ser jogador de futebol", completa Daniel.

O dia histórico de Daniel, contado pelo próprio:

Saí de casa às 07:40 da manhã

Peguei o ônibus até Conceição 08:35

Peguei a van até Itaguaí

Mais um ônibus até Campo Grande

Um último ônibus até a Avenida Brasil [já no Rio]

Desci na Avenida Brasil e andei aproximadamente 3 km

Cheguei na tão famosa Rua Bariri

Bati boca com o presidente do time adversário

Comemorei 3 gols do Fabio Saci

Coloquei 270 pessoas da torcida deles (Ceres) no bolso

Gritei 'olé' sozinho

Comemorei mais um gol

Voltei com 3 pontos

O técnico Leandro Silva falou que a minha presença foi importante em uma entrevista para uma rádio

Fui reconhecido nas redes sociais do clube

Tô cansado e vou dormir. Respeita a minha história

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