Após "invasão", Flu faz política da boa vizinhança em CT na Cidade de Deus

Leo Burlá

Do UOL, no Rio de Janeiro

  • Júlio César Guimarães/UOL

    Perspectiva da área onde foi erguido o CT do Flu. Ao fundo, a Cidade de Deus

    Perspectiva da área onde foi erguido o CT do Flu. Ao fundo, a Cidade de Deus

Seis meses depois de levar um susto com uma invasão de seu CT que resultou em seguranças agredidos e mantidos como reféns, o Fluminense estuda ações para aproximar-se da Cidade de Deus, que fica próxima ao local de trabalho tricolor. Instalado em seu centro de treinamento desde outubro de 2016, o clube mantém contato com líderes da comunidade carente e tenta fortalecer uma política de boa vizinhança. 

A atitude não tem necessariamente a ver com o episódio de violência, mas ajudaria a criar laços com a população local. Como as instalações do CT tricolor ficam a poucos metros da Cidade de Deus, comunidade carente imortalizada por livro e filme do mesmo nome, o clube acertou a doação de 50 cestas básicas mensais. O Fluminense estuda ainda a possibilidade de fazer alguma ação mais concreta no local. O projeto de uma escolinha, por exemplo, não é descartado. Além das cestas, o clube já enviou bolas e alguns jogos de camisa.

Na véspera do Natal de 2016, dois seguranças foram agredidos e mantidos como reféns por três horas. Para quem trabalha no local, o barulho de tiros é algo frequente. A facção criminosa que domina o tráfico de drogas na comunidade já até criou um "código" de acesso para não criar problemas para jogadores e demais funcionários, mas ainda assim quatro seguranças pediram para não trabalharem mais no CT depois do episódio de violência.

UOL

"É um vizinho rico que vem ficar perto de um vizinho pobre, a tendência é que a ajuda aumente. Mas isso não significa que protegemos eles do tráfico. Estamos conversando para trazer o Alexandre Torres [gerente de futebol] aqui, seria legal uma escolinha do clube, temos vários campos sintéticos que foram construídos pelo poder público, mas que estão sem cuidados", disse Josias da Silva Oliveira, vice-presidente da Associação Comunitária Cidade de Deus e Adjacências (ACCDA).

As dificuldades no acesso são um entrave diário para quem frequenta o espaço. Como a obra ainda não está 100% concluída, há apenas uma via de chegada até o CT. No caminho, estão montanhas de lixo e até uma barricada supostamente armada por bandidos. A poucos metros da entrada principal, o caminho cercado por mato é considerado uma rota de fuga. Sem sinalização e iluminação, o trajeto é considerado perigoso, especialmente durante a noite.

Procurada, a assessoria de imprensa do Fluminense não se manifestou.

NELSON PEREZ/FLUMINENSE F.C.
Flu trabalha em parte já concluída do seu centro de treinamento

 

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