Em um mês de Palmeiras, Cuca muda o time e tenta aproximá-lo de 2016

Danilo Lavieri e José Edgar de Matos

Do UOL, em São Paulo

  • Cesar Greco/Site Palmeiras

    O Palmeiras, de Cuca, encara o Cruzeiro

    O Palmeiras, de Cuca, encara o Cruzeiro

Nesta quarta-feira (14), diante do Santos, Cuca completará um mês de trabalho à frente do Palmeiras. No período, foram nove jogos, quatro vitórias, quatro derrotas, um empate e algumas mudanças no time. Desde o retorno, o técnico mostra que ainda pensa parecido com a filosofia desenvolvida em 2016 e trabalha para aproximar o time atual daquele que quebrou um jejum de 22 anos sem títulos do Brasileirão. 

O técnico gosta de um time com meio-campo móvel, não admite um camisa 9 que se restrinja a esperar a bola nos pés e não tem medo de criar coringas no seu elenco. A diferença em relação ao ano passado aponta, principalmente, para a falta desta referência - Gabriel Jesus foi vendido para o Manchester City depois da conquista da Série A.

Veja quais são os pilares do trabalho de Cuca no Palmeiras:

Cesar Greco/Ag. Palmeiras
Cuca sonha com o retorno de Moisés em alto nível

Meio-campo com mobilidade alta

O técnico já deixou bem claro que ainda sonha com um meio-campo igual ao de 2016, com jogadores revezando nas funções de marcar e armar. Não é à toa que Cuca tem encontrado dificuldades de encaixar Felipe Melo no esquema. O volante tem um senso de posicionamento e de leitura de jogo invejáveis, mas sofre para recompor caso não acerte no primeiro combate - no um contra um, por exemplo, enfrenta dificuldades.

Na cabeça do treinador, é essencial ter volantes que possam sair para o jogo, a exemplo do que Moisés e Tchê Tchê faziam no ano passado. Ainda sem poder contar com o primeiro, ele chegou a testar Jean, Thiago Santos e agora espera a chegada de Bruno Henrique como uma nova opção no setor  - no Corinthians com Tite, o provável reforço palmeirense atuou tanto como primeiro quanto como segundo homem do meio.

O 9 não pode ficar parado

O sonho de Cuca era ter uma cópia de Gabriel Jesus para o esquema do Palmeiras de 2017. Sem ter essa opção, o técnico já tentou ensinar a Miguel Borja que o futebol brasileiro não permite que o camisa 9 fique parado na área esperando a bola aparecer. Por enquanto, ainda não convenceu o colombiano, que vive fase irregular.

Por isso, colocou o atacante de R$ 35 milhões no banco e deu chance a Willian. Ainda assim, não se convenceu com o que o jogador tem desenvolvido e pediu à direção uma nova opção. Se encantou com a chance de receber Richarlison, mas o jogo duro da diretoria do Fluminense pode inviabilizar a negociação.

Miguel Schincariol/Estadão Conteúdo
Willian é um dos coringas de Cuca e joga tanto como camisa 9 quanto aberto

Coringas são necessários

Assim como no ano passado, Cuca gosta de ter opções para variar o elenco conforme a necessidade do jogo. Em 2017, o técnico já testou Jean e Tchê Tchê na lateral e no meio-campo; Michel Bastos já atuou como lateral, meio-campista e ponta; Zé Roberto esteve pelos lados e mais centralizado; Willian atuou como centroavante, mas também jogou fora da área; Felipe Melo já foi zagueiro, primeiro e segundo volante; Mina é estimulado a atuar abrindo pela direita, saindo para o jogo quase que como um meio-campista; e Keno e Roger Guedes já foram testados dos dois lados do campo.

A ideia do técnico é poder inverter o time sem precisar mexer nas três opções que tem para as substituições. Além disso, consegue criar situações que pegam os adversários de surpresa. Não é sempre que o rival está preparado para marcar uma investida de Mina, por exemplo. O zagueiro colombiano, hoje, é fundamental na construção de jogo palmeirense desde o sistema defensivo.

Mistério sempre e muito teste

Cuca gosta de falar que não fecha os treinamentos, mas, na prática, ele muitas vezes faz isso. Embora abra os portões da Academia todos os dias, muitas vezes não deixa a imprensa ver absolutamente nada de seus testes. Na última terça, véspera do clássico, apenas o trabalho de bola parada foi testemunhado pelos profissionais de mídia.

Jeferson Guareze/AGIF
Calça vinho é amuleto de Cuca e continua em alta

É comum que os jornalistas entrem no Centro de Treinamento quando o time titular já foi treinado. Especialmente neste início de trabalho, quando ele gosta de promover testes, a tática do mistério tem dado certo. É difícil prever a escalação alviverde. Para o jogo na Vila Belmiro, por exemplo, são cinco nomes (Jean, Fabiano, Mayke, Zé Roberto e Egídio) que disputam as duas vagas nas laterais palmeirenses.

Superstição em alta

A calça vinho virou mania entre os torcedores, mas é muito mais do que isso para Cuca. O técnico mantém alguns artigos que lhe dão sorte, como o vestuário. O treinador também apela sempre para o terço e exalta sempre a religiosidade. De vez em quando, ele gosta de apostar em táticas ousadas, como colocar ponto eletrônico em seus auxiliares e recorrer à tecnologia no banco para ler melhor o jogo.

No ano passado recorreu a táticas peculiares, como a distribuição de balas a alguns atletas antes dos jogos, na esperança de que o agrado resultasse em um gol daquele atleta. Deu certo em alguns casos.

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