Árbitro de vídeo decide jogos e já gera polêmicas na Copa das Confederações

Do UOL, em São Paulo

Estreando em um grande torneio internacional de seleções, o sistema de árbitro de vídeo da Fifa – VAR, do inglês "Video Assistant Referee" –, decidiu resultados, criou dúvidas e gerou as primeiras reclamações já nas partidas inaugurais da Copa das Confederações de 2017. Nos dois jogos deste domingo (18), o uso da tecnologia foi um dos principais temas e dividiu opiniões.

Na vitória do Chile sobre Camarões, por 2 a 0, o árbitro Damir Skomina pediu duas vezes o auxílio do vídeo e reverteu suas decisões em ambos os lances. Primeiro, anulou um gol de Eduardo Vargas por impedimento; o replay mostrou o atacante chileno em posição duvidosa, mas Skomina não perdeu muito tempo analisando. Os jogadores sul-americanos, que já estavam comemorando, pressionaram o juiz e saíram para o intervalo reclamando.

Já nos acréscimos do segundo tempo, novamente Vargas balançou as redes e o gol foi de novo anulado por impedimento. Mas o árbitro de vídeo jogou a favor dos chilenos dessa vez: após revisar o lance, Skomina decretou que Vargas estava em posição legal ao pegar rebote de um chute de Alexis Sánchez.

"Temos que dar um desconto", disse o técnico do Chile, Juan Antonio Pizzi, sobre o sistema VAR. "Estamos em um processo experimental. Há reações imediatas que têm a ver com a parte emotiva, às quais estamos acostumados no futebol, e para mudar isso precisamos de tempo. Poderíamos ter ido para o intervalo ganhando por 1 a 0, e 20 segundos depois os jogadores entraram no vestiário com um 0 a 0. Não estamos acostumados", avaliou.

O empate por 2 a 2 entre Portugal e México também teve um gol anulado e outro validado pelo árbitro de vídeo, ambos do time europeu. Primeiro, Pepe tentou desviar um chute de Nani que balançou as redes. Também com os atletas já comemorando, o árbitro Néstor Pitana consultou o replay e, após 45 segundos, invalidou a jogada por impedimento do zagueiro. Ao contrário dos chilenos, os portugueses não reagiram com veemência e aceitaram a decisão.

Na segunda etapa, Cédric fez o segundo gol de Portugal aproveitando um corte errado da defesa mexicana após cruzamento de Gelson Fernandes. Pitana ficou em dúvida sobre um impedimento na jogada e ficou mais de um minuto analisando o vídeo, para no final validar o lance.

A demora para as decisões de Pitana, bem acima dos 20 segundos recomendados pela Fifa, e o fato de o árbitro argentino não ter solicitado a ajuda do vídeo no gol de empate do México, nos acréscimos do segundo tempo, para averiguar uma possível falta, irritaram o técnico português Fernando Santos.

"Se o futebol ganhar com essa nova regra, que ela seja bem-vinda. Mas precisamos ser sérios no uso desta novidade. Não entendo por que pararam o jogo em alguns momentos e em outros não. Depois que marcamos, houve revisão, mas quando eles marcaram, não", reclamou Santos.

São quatro as situações em que o árbitro de vídeo poderá ser acionado para tirar dúvidas: verificar se houve irregularidade em algum gol, se um pênalti foi bem ou mal marcado, se uma falta merece ou não cartão vermelho, e para ajudar o juiz de campo a identificar um jogador para adverti-lo. Com quase toda a Copa das Confederações ainda pela frente, a novidade promete gerar mais polêmica.

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