SP tentou evitar novo "Casemiro". Mesmo assim, Lucão deve sair em baixa

José Eduardo Martins

Do UOL, em São Paulo

  • Ronny Santos - 18.mai.2017 / Folhapress

    Lucão durante treino do São Paulo; zagueiro está na berlinda, apesar dos esforços

    Lucão durante treino do São Paulo; zagueiro está na berlinda, apesar dos esforços

Casemiro trocou as vaias no São Paulo para se tornar peça-chave no Real Madrid bicampeão europeu e titular da seleção brasileira. A história ainda não é bem digerida por muitos no São Paulo e, por isso, o clube tentou fazer o possível para que não se repetisse com Lucão.

O zagueiro, no entanto, caminha para seguir os passos do antigo companheiro e deixar o Morumbi em baixa. Depois da falha na derrota por 2 a 1 para o Atlético-MG, no domingo (18), o defensor declarou estar perto de sair do clube "para a alegria de muitos". 

Na segunda-feira, comissão técnica e diretoria chegaram à conclusão de não utilizar o jogador na partida desta quarta-feira, contra o Atlético-PR. Caso ele seja relacionado para o jogo em Curitiba, vai atingir o limite de sete duelos pelo São Paulo no Brasileiro e não poderá defender outro clube da Série A nesta temporada.

Lucão subiu para o profissional em 2013. Na época era considerado uma das principais promessas do CT de Cotia. O jovem, então com 17 anos, havia sido capitão nas seleções brasileiras de base e passou a se destacar nos treinamentos. Fora do gramado, também era elogiado por sua conduta exemplar.

Por conta de seguidas falhas, no entanto, a situação mudou e ele passou a ser alvo de críticas da torcida. Em fevereiro do ano passaso, o clima para Lucão ficou quase insustentável quando o time perdeu para o Corinthians por 2 a 0 com erros do zagueiro.

Para tentar blindá-lo, o São Paulo evitou que o jogador concedesse entrevistas, enquanto colegas e comissão técnica deram declarações de apoio. Por outro lado, o treinador Edgardo Bauza evitava escalar o zagueiro até que ele recuperasse a confiança e o ambiente ficasse mais ameno. Por isso mesmo, Lucão foi usado em apenas três partidas do Brasileiro.

"O São Paulo sempre preservou o Lucão. Já quiseram levá-lo quando subiu para o profissional. Na época, o Juvenal (Juvêncio, presidente do clube) e todo o pessoal achavam que não teria de vender. Ele era uma aposta, como foi o Lucas", disse o ex-auxiliar e técnico do São Paulo, Milton Cruz.

Em mais uma demonstração de confiança no potencial do jogador, o São Paulo recusou uma proposta do Dínamo Zagreb e outra do Vitória neste ano. Rogério Ceni, que assumiu o comando da equipe em 2017, fez questão de ligar para o zagueiro. Na conversa, mostrou a sua admiração pelo defensor e chegou até a cogitar a possibilidade de utilizá-lo como volante.

No início do ano, a comissão técnica também evitou expor o jogador. Coincidência ou não, as primeiras partidas dele nesta temporada foram longe do Morumbi - onde a pressão da torcida é maior.

Lucão fez a sua estreia no estádio tricolor apenas no dia 8 de abril, na goleada por 5 a 0 sobre o Linense, pelo Campeonato Paulista. O problema é que, no jogo seguinte, contra o Defensa y Justicia, ele errou e o time foi eliminado. Agora, com a falha contra o Atlético-MG, a pressão aumentou e a situação ficou insustentável.

Casemiro tinha mais potencial e menos comportamento

O esforço da direção para evitar a saída de um talento pelos fundos não significa que Casemiro e Lucão tenham histórias idênticas. O volante, que igualmente teve passagens de sucesso pelas seleções de base, era visto como um jogador com ainda mais potencial que o zagueiro em seus tempos de clube.

Membro de uma geração promissora que tinha Lucas como destaque, Casemiro era muito mais cobrado pela postura, considerada "pouco aguerrida" em campo e com problemas de comportamento fora dele, que por falhas técnicas. Lucão, ao contrário, é tido como um exemplo de conduta, mesmo com tanta pressão sofrida.

No caso dele, são os vacilos à frente da zaga tricolor que irritam a torcida. Só no último fim de semana, no ápice da pressão após o erro contra o Atlético-MG, Lucão reagiu mal às críticas, anunciando uma provável saída e incomodando Rogério Ceni.

Outros casos de "corneta" que deram errado

Casemiro e Lucão não são os primeiros exemplos de quem deixou o São Paulo após críticas. Nos últimos anos, a torcida tricolor perdeu a paciência com inúmeros jogadores. A lista conta com atletas que brilharam em outros times, como Kaká. Há também os que ainda tentam se firmar longe do Morumbi, como Michel Bastos e Carlinhos.

"O Lucão é um grande jogador, uma pessoa do bem, mas é complicado ser pressionado desta maneira. Tudo é culpa dele. Isso aconteceu com outros jogadores. Vi com o Bordon, Júlio Baptista, Edmílson, Casemiro.... O cara não cai nas graças de algumas pessoas, mas tem potencial, futuro. Falhas acontecem, mas às vezes não as pessoas têm paciência com uns", afirmou Milton.

"Continuo achando Lucão um ótimo zagueiro. Lamentavelmente não tem sorte e é marcado por suas falhas. Será bom onde for. Outro Casemiro. Sempre trabalhei vendo as falhas e incentivando corrigir. Vivi muitos atletas sem crédito e sabendo do potencial os ajudava", opinou o ex-diretor de futebol tricolor, Marco Aurélio Cunha.

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