Guerra x paz: antagonismo marca ano eleitoral de Vasco e Botafogo

Bernardo Gentile e Bruno Braz

Do UOL, no Rio de Janeiro

  • Rafael Wallace / Alerj

    Carlos Eduardo Pereira (Botafogo) e Eurico Miranda (Vasco) vivem momentos distintos

    Carlos Eduardo Pereira (Botafogo) e Eurico Miranda (Vasco) vivem momentos distintos

Botafogo e Vasco se encontram nesta quarta-feira, no estádio Nilton Santos, com o mesmo número de pontos no Campeonato Brasileiro. O momento de igualdade, porém, se limita somente à tabela. Em ano eleitoral, os clubes vivem climas políticos completamente distintos antes dos votos nas urnas em novembro.

Se no Cruzmaltino a rotina tem sido de brigas em São Januário, denúncias e acusações, no Alvinegro reina a paz e um favoritismo quase que absoluto da atual administração. Veja as diferenças abaixo: 

Vasco

Eurico Miranda retornou à presidência do Vasco no fim de 2014 após uma gestão frustrante de Roberto Dinamite, em que o clube caiu para a Série B e aumentou consideravelmente suas dívidas.

O discurso populista, somado ao título carioca logo de cara, em 2015, causaram histeria na torcida. Porém, apesar de sanar algumas dívidas, manter os salários em dia na maior parte do tempo e revitalizar o patrimônio do clube - inclusive com a construção de um moderno centro de saúde (Caprres) - o quadro começou a mudar com mais um rebaixamento ao fim daquela temporada.

O bicampeonato carioca invicto em 2016 trouxe paz momentânea, mas a conquista do acesso na Série B a duras penas novamente trouxe instabilidade ao clube.

Ao longo de seu triênio, Eurico perdeu antigos aliados, como o ex-vice de futebol José Luiz Moreira, o ex-vice jurídico Paulo Reis, e o presidente do Conselho Fiscal, Otto Carvalho. Ao mesmo tempo ascendeu seu filho Eurico Brandão, o Euriquinho, ao cargo de VP de futebol, o que desagradou alguns internamente.

Atualmente, o clube vive em estado de ebulição política. Nos jogos contra Corinthians e Avaí, pancadarias aconteceram na social, arquibancada e do lado externo de São Januário, com acusações de torcedores de que seguranças vascaínos estariam agredindo quem criticasse o presidente.

Na internet, cruzmaltinos que manifestam ofensas ao dirigente e ao Vasco estão sendo bloqueados nas redes sociais com a concordância do mandatário.

Paralelamente, a oposição se articula. Atualmente, três nomes já despontam como candidatos à eleição: Alexandre Campello (Frente Vasco Livre), Júlio Brant (Sempre Vasco) e Otto Carvalho (presidente do Conselho Fiscal). Reuniões, porém, têm ocorrido no sentido de unificar os grupos para o lançamento de apenas um único nome contra Eurico.

Botafogo

No Alvinegro, ao contrário, o cenário é de tranquilidade. Carlo Eduardo Pereira foi eleito como principal oposição a Maurício Assumpção no fim de 2014. Pegou o time na Série B e recolocou a equipe na Libertadores dois anos depois – o time pegará o Nacional-URU nas oitavas de final da competição.

Além do bom desempenho dentro de campo, ele reorganizou as finanças do clube. Voltou ao Ato Trabalhista e minimizou os estragos com penhora. Com isso, montou um time barato e competitivo, sem jamais estourar o orçamento, o que gerou uma mudança nos bastidores. Antes comuns, os atrasos de salários já não são mais uma realidade.

Satiro Sodré/SS Press
Carlos Eduardo Pereira acena para fotógrafos após depositar seu voto na urna

Exatamente pelo desempenho dentro e fora de campo, o panorama político do Botafogo é bastante tranquilo. Embora ainda não tenha confirmado participação nas próximas eleições e ter dito em 2014 ser contra reeleição, Carlos Eduardo Pereira deverá ser o candidato da situação e não terá muita dificuldade para alcançar nova vitória.

A oposição existe, mas está bem enfraquecida. As principais reclamações se referem ao uso dado às luvas recebidas na renovação com a Globo. O dinheiro serviu para pagar dívidas antigas e não em investimento em estrutura para o clube. Marcelo Guimarães, ex-diretor de marketing, aparece como principal opção a Carlos Eduardo Pereira, embora isso ainda vá ficar mais claro com a proximidade do pleito.

Parceiros políticos

Apesar do antagonismo no clima eleitoral, Carlos Eduardo Pereira e Eurico Miranda são parceiros políticos em assuntos que envolvem reuniões de governo, de Federação de Futebol do Rio de Janeiro (Ferj) ou de CBF. A dupla costuma estar do lado oposto das decisões em relação a Flamengo e Fluminense.
 

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