Palmeiras seria forte nas finanças mesmo sem a Crefisa, diz estudo do Itaú

José Edgar de Matos

Do UOL, em São Paulo (SP)

  • Cesar Greco/Fotoarena

    Crefisa reforçou investimento, mas Palmeiras apresenta bons números mesmo sem ela

    Crefisa reforçou investimento, mas Palmeiras apresenta bons números mesmo sem ela

O aporte financeiro da Crefisa faz do Palmeiras o time com maior poder de investimento da atualidade. Sem a empresa de Leila Pereira e José Roberto Lamacchia, no entanto, o clube seguiria saudável financeiramente, segundo um estudo do banco Itaú BBA divulgado na última terça-feira.

Somente na temporada passada, os investimentos da Crefisa no clube se aproximaram dos R$ 90 milhões. O valor, que considera o patrocínio e os investimentos em contratações e salários de jogadores, está muito acima do padrão nacional. No estudo, os especialistas do Itaú BBA avaliam como ficariam as finanças alviverdes se a empresa investisse de acordo com o que pagam parceiros de outros clubes.  

Na visão dos consultores, o "ajuste" representaria R$ 50 milhões a menos nas receitas. Este corte, obviamente, reduziria a capacidade palmeirense de investir pesado no mercado, mas nada que comprometa a saúde financeira. "O Palmeiras dá demonstração de que retomou o caminho da solidez", descreve o estudo.

O índice EBITDA (o quanto a empresa gera de recursos com as suas atividades sem levar em conta impostos e taxas) recorrente cairia de R$ 108 milhões para R$ 68 mi, número 'bastante razoável' de acordo com o estudo do banco.

Para grau de comparação com os grandes rivais da capital – clubes do mesmo mercado paulista -, o São Paulo terminou 2016 com R$ 24 milhões neste indicador, enquanto o Corinthians, retratado como um clube com 'a realidade muito difícil', alcançou apenas R$ 1 mi.

A viabilidade do Palmeiras sem a Crefisa, segundo o Itaú BBA, é resultado de modelo de gestão aplicado nos últimos anos. Somente em 2016, as receitas subiram 56%, consequência do crescimento de fatores como TV (45%), patrocínio e publicidade (39%), bilheteria/sócio-torcedor (35%) e a venda de atletas, anabolizada pela saída de Gabriel Jesus ao City - de R$ 5 mi em 2015 a R$ 51 mi no ano seguinte.

Leila ameaçou rever investimentos por Mattos

A projeção de um cenário com um investimento mais baixo da Crefisa é apresentada quase duas semanas depois de Leila Pereira transmitir um recado claro aos críticos de Alexandre Mattos, diretor de futebol do clube.

Em entrevista ao 'Esporte Interativo', a empresária ameaçou reduzir o aporte em caso de saída do dirigente, que vive pressão por parte de conselheiros e membros contrários à profissionalização de setores do clube como a diretoria executiva e o marketing. O maior crítico do executivo neste processo é o ex-presidente Mustafá Contursi, apoiador político de Leila.

"Confio tanto no Alexandre Mattos que, se ele sair, vou rever o investimento que faço no aporte para contratações", disse no último dia 9.

A análise do Itaú BBA, que leva o ano fiscal de 2016 em consideração, demonstrou o Palmeiras como o principal time – ao lado do Flamengo – em relação ao potencial de investimento. No caso alviverde, muito disso se deve ao apoio da Crefisa. Juntos, os dois clubes atingem um terço do número total do futebol brasileiro.

No índice Ebitda já citado anteriormente, Flamengo e Palmeiras somam R$ 291 milhões de um bolo total de R$ 815 mi; ou seja, os dois clubes representam 36% do valor total.

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