Campeão brasileiro pelo Flu ganha vida vendendo sorvete em shopping do Rio

Bernardo Gentile e Leo Burlá

Do UOL, no Rio de Janeiro

  • Arquivo Pessoal

    Ex-Flu, Marquinho é gerente da Vitali Gelato, marca de sorvete italiano

    Ex-Flu, Marquinho é gerente da Vitali Gelato, marca de sorvete italiano

Ser campeão brasileiro é um dos sonhos da maioria dos jogadores. Marcus Vinicius da Cruz Alves da Nóbrega alcançou esse objetivo em 2010. Lateral direito da campanha, o jogador, conhecido como Marquinho, ainda não se aposentou do futebol mesmo com 34 anos e sem defender um clube desde 2014 – Madureira. Enquanto nenhuma proposta aparece, ele, formado em educação física, ganha a vida com aulas de futevôlei e gerenciando uma marca de sorvetes (Vitali Gelato).

"Enquanto não aparece nada, sou professor e gerencio uma marca de sorvete italiano e vou dando minhas aulas e me virando. Creio que não encerrei, tenho 34 anos. Fico chateado e triste por não estar jogando, mas é coisa da vida, acontece".

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"Gerencio essa marca de sorvete italiano e dou aulas de futevôlei, sou professor de educação física. Dou aula de manhã e fico trabalhando onde tem a marca [de sorvete], às vezes no shopping, no centro. Se aparecer clube, beleza. Se não aparecer, a vida continua. Nem só de futebol a pessoa vive", afirmou.

"A marca é de três amigos meus, eu gerencio para eles. Eles têm uma gama de funcionários e a gente funciona de domingo a domingo, e, claro, tenho salário para isso. Vivo também dos meus trabalhos como educador físico", completou Marquinho.

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A vida de jogador de futebol parece um mar de rosas, mas nem sempre é assim. E Marquinho viveu os dois lados da moeda. Em Portugal, defendeu o Boavista e viveu melhor fase da carreira em termos financeiros. No Brasil, rodou em times sem tanta estrutura e ficou anos sem receber adequadamente.

"Em Portugal foi uma fase muito, muito boa, comprei meu apartamento e tenho ele há 11 anos. Realizei o que 2% dos jogadores profissionais chegam. Mas tenho várias pendências na Justiça contra clubes que não me pagaram, está tudo bloqueado. Estou colocando essas coisas em dia. O que ainda tenho a receber de alguns clubes, sabe-se lá quando vou receber. Por isso digo que perdi mais que ganhei. Nesses últimos cinco anos vim gastando mais do que recebendo", reclamou.

"Nestes últimos quatro, cinco anos em que estava jogando e que os clubes não cumpriram com os vencimentos. Tive de vender meus carros para poder manter a minha vida", lamentou o lateral direito.

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Mesmo sem arranjar clube há dois anos, Marquinho ainda acredita num retorno ao futebol. Ainda mais por ver que o nível atual dos times não é dos melhores. Ele se vê em condições de voltar ao mercado.

"Em relação aos clubes e o nível técnico, desde o maior ou menor, está nivelado por baixo. Você vê um Campeonato Carioca que só fica entre os grandes, os pequenos não têm poder aquisitivo. Vejo a Série A, a B e a C como campeonatos muito competitivos. Se não estiver preparado, não vai render. Eu estou à disposição do mercado, sempre me destaquei pela parte física", disse.

"Em alguns clubes que a gente abriu conversa houve propostas de contato de risco e por rendimento. Não tenho problema nenhum com isso. Sempre me garanti dentro do campo", finalizou Marquinho.

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