Hoje desprezada, Copa Paulista já rendeu título importante ao Corinthians

Leandro Miranda

Do UOL, em São Paulo

  • Fernando Santos/Folhapress

    Viola, Wilson Mano e Marcelinho marcaram na final da Copa Bandeirantes em 1994

    Viola, Wilson Mano e Marcelinho marcaram na final da Copa Bandeirantes em 1994

A Copa Paulista de Futebol, que começa nesta sexta-feira (30) com o duelo entre Taubaté e Juventus no interior do estado, não desperta grande interesse na maioria dos torcedores. Longe de ser uma das mais valorizadas do país, a competição é organizada pela Federação Paulista de Futebol (FPF) basicamente para preencher o calendário de times pequenos no segundo semestre. Mas nem sempre foi assim, como bem sabe (ou deveria saber) qualquer corintiano que tenha comemorado o título da Copa do Brasil de 1995.

Naquela época, participar da Copa do Brasil não era tão fácil, já que o torneio nacional comportava bem menos times do que os atuais 91. Em São Paulo, por exemplo, apenas o campeão e o vice do Estadual tinham lugar garantido. Para a edição de 1995, porém, uma terceira vaga foi criada: ela seria dada ao vencedor da Copa Bandeirantes, nome pelo qual ficou conhecida a Copa Paulista de 1994.

Ao contrário das duas edições anteriores – o Torneio José Maria Marin de 1987 e a Copa 90 anos de Futebol de 1992 –, a Copa Bandeirantes despertou o interesse dos times grandes por dar a vaga à Copa do Brasil. Os oito participantes foram assim definidos pela FPF: os seis melhores da Série A1 do Paulistão de 1994 (Palmeiras, São Paulo, Corinthians, Santos, América e Novorizontino), mais os campeões das Séries A2 (Araçatuba) e A3 (Nacional).

O regulamento era simples: dois grupos de quatro times, jogos de ida e volta dentro dos grupos, e o campeão de cada um fazia a final em partidas de ida e volta.

Final teve clássico épico com o Santos

Com a presença na Copa do Brasil de 1995 já garantida, Palmeiras e São Paulo fizeram campanhas ruins. Os dois times foram comandados por auxiliares: Niltinho substituiu Luxemburgo em quase todos os jogos da equipe alviverde, enquanto o então principiante Muricy Ramalho comandou a campanha tricolor no lugar de Telê Santana. Ambos ficaram em terceiro em seus grupos e foram eliminados.

Já Corinthians e Santos levaram o torneio a sério e passearam em seus grupos. O clube do Parque São Jorge venceu cinco jogos e perdeu só um, sendo surpreendido pelo Novorizontino fora de casa, enquanto a equipe da Vila Belmiro, após começar perdendo do América e empatando com o Palmeiras, ganhou suas últimas quatro partidas para avançar à final.

O primeiro jogo da decisão, no Morumbi, foi um dos clássicos mais épicos entre os rivais alvinegros. O Santos começou ganhando por 2 a 1, mas um show de Marcelinho Carioca no segundo tempo resultou em vitória corintiana por 6 a 3. Wilson Mano, Tupãzinho, Marcelinho, Marques e Viola (duas vezes) fizeram os gols, enquanto os santistas balançaram as redes com dois de Cerezo e um de Marcelinho Paraíba.

Na partida de volta, também no Morumbi, o título já estava praticamente decidido. Demétrius colocou o Santos em vantagem aos 8 minutos, mas Gralak empatou de falta aos 21, e o placar não saiu disso: 1 a 1 e vaga na Copa do Brasil para o Corinthians.

Pouco atrativo para grandes

Foi graças à Copa Paulista que o Corinthians teve a chance de conquistar no ano seguinte um de seus títulos mais importantes na década de 90. Mas o torneio da FPF não empolgou: foi um fiasco de público, com jogos muitas vezes não chegando nem a mil espectadores. Palmeiras 0 x 0 Nacional, por exemplo, foi observado só por 138 "testemunhas". Isso fez com que a competição só voltasse a ser disputada em 1999.

Hoje, a Copa Paulista segue premiando seu campeão, que pode escolher entre uma vaga na Série D do Brasileiro ou na Copa do Brasil (o vice fica com a opção que sobrou). Mas, sem verbas de TV e com públicos irrisórios, o torneio é deficitário para os clubes, e o atrativo existe só para times menores – as únicas equipes de primeira divisão entre os 22 participantes serão Santos e São Paulo, que utilizarão elencos alternativos. Confira como estão os grupos da edição 2017:

Grupo 1: Mirassol, XV de Piracicaba, Velo Clube, Ferroviária, Noroeste, Linense e Penapolense

Grupo 2: São Paulo, Atibaia, Rio Branco, Audax, Taboão da Serra, Inter de Limeira e Desportivo Brasil

Grupo 3: Santos, Nacional, Taubaté, Portuguesa, Juventus, Portuguesa Santista, São Caetano e Água Santa

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