Filho de Doriva larga carreira no futebol para virar cantor sertanejo

Marcello De Vico e Vanderlei Lima

Do UOL, em Santos e São Paulo

Filho de Doriva, técnico do Atlético-GO, Diego, hoje com 20 anos, chegou a seguir os passos do pai e iniciou a carreira de jogador. Começou na base do São Paulo, profissionalizou-se no Ituano e passou pelo Vasco da Gama. Mas mesmo com potencial para ter sucesso dentro dos gramados, ele resolveu largar tudo para se arriscar em outro ramo: a música.

Hoje, Diego e o irmão Marcel, também filho de Doriva, formam uma dupla de música sertaneja. E ele não se arrepende da escolha feita. "Essa minha ideia já estava na cabeça há um mês. A minha cabeça estava aquela loucura, e aí eu tive a certeza que não queria mais futebol e queria seguir outro caminho... Foi quando eu reuni todo mundo numa sala, lá no Ituano, e falei o que eu queria, falei que eu não queria mais jogar futebol profissional e que eu queria seguir na música", conta Diego em entrevista exclusiva ao UOL Esporte.

"Eu também gosto muito de jogar futebol, e eu percebi que eu tinha potencial e quis me aprofundar neste ramo. Me profissionalizei no Ituano com 16 anos, tive uma passagem pelo Vasco da Gama por empréstimo de dois anos, e acabei ficando um ano... Foi aí que a música entrou, no final do ano retrasado [2015]. Eu ia disputar a Copinha em 2016 pelo Ituano, tinha acabado de voltar do Vasco da Gama", recorda Diego, que diz ter recebido total apoio do pai.

"Quando eu tomei a decisão de começar a cantar música sertaneja, a primeira coisa que ele fez foi me apoiar. Ele vem me apoiando, me incentivando e me dando dicas", diz.

Doriva admite: ficou surpreso com a escolha

Com o filho caminhando para um possível sucesso na carreira de jogador, Doriva não esconde que ficou surpreso quando recebeu, por telefone, a notícia.

"No primeiro momento eu fiquei surpreso, porque o Diego estava muito bem encaminhado no futebol, mas foi uma escolha dele, muito convicta. Ele sempre gostou de música, sempre cantou e tocou na igreja evangélica, sempre teve esse lado sertanejo, de estar envolvido em rodeios, e aí o irmão dele, o Marcel, começou a compor, eles começaram a fazer uma parceria juntos e despertou o desejo de entrar nesse ramo. Eu apoiei, é lógico. A gente, como pai, encoraja, ajuda na medida do possível, e eles estão aí procurando o espaço deles", afirma.

Arquivo pessoal
"Ele me falou que tinha essa vontade, que não queria mais jogar, aí eu até encorajei ele, para ele dar sequência, fazer pelo menos a Copa São Paulo para depois decidir, e ele foi bem decidido, convicto, e eu falei: 'cara, você não pode ficar dividido entre dois pensamentos, se este pensamento é o que você tem, vai atrás, corre atrás, eu na medida do possível vou ajudar e encorajar', e assim foi", acrescentou Doriva.

Assim como Doriva, Diego também deu a sua versão para o momento em que contou ao pai que largaria o futebol para buscar o que realmente mais gosta de fazer.

"Eu estava na concentração, e ele não estava em Itu. Eu o comuniquei através de uma ligação. Eu liguei e falei para ele: 'ó, pai, eu já venho pensando nisso faz tempo, só que é a primeira vez que eu estou compartilhando isso com você, que a música está batendo forte demais aqui', e a reação dele foi uma pergunta: 'Tem certeza que é isso que você quer mesmo? Pensa direito, você chegou tão longe, você tem potencial para chegar ainda mais', e aí eu falei para ele: 'não, pai, futebol eu gosto, foi bom passar por isso, mas a música é a minha vida'", disse Diego, que chegou a treinar com Casemiro, Lucão, Auro e Boschilia, entre outros jogadores.

Futebol e música desde pequeno

Os irmãos Diego e Marcel sempre se dividiram entre futebol e música, desde pequenos. Viviam no mundo da bola, ora jogando ora acompanhando o pai, mas sem esquecer do sertanejo.

"Eu sempre acompanhei o meu pai na infância, quando ele ainda atuava como atleta profissional, então eu sempre estive no meio do futebol, mas a música sempre esteve presente também. Desde pequeno eu mexo com música: eu fiz coral, estudei violoncelo, violino... então eu tive o desenvolvimento da música desde criança", conta Diego.

Mas se por um lado a paixão pelo futebol pode ser encarada como uma influência do pai, o mesmo não pode se dizer da paixão pela música. "Meu pai não tem nada de música, não [risos]. Meu pai é futebol e futebol. A música vem por parte de mãe, das minhas avós, minhas tias... Minha mãe deu aula de piano, então a música começou a entrar por aí", brinca Diego.

"Atitude de homem": Ituano apoia filho de Doriva

Em conversa com o UOL Esporte, Diego contou que não foi só o pai que apoiou a sua decisão. No Ituano, seu último clube, ele também foi bastante elogiado, especialmente pela coragem.

"Eles falaram que eu tive uma atitude de homem, que fui muito corajoso de falar daquela forma. Falei mesmo, expus minha ideia, era o que tinha que ser feito. Eles estavam felizes pela minha decisão, foi bacana", diz Diego, que era treinado por Rogério Pinheiro, ex-São Paulo.

"Pai" – Composição dedicada a Doriva

Divulgação
Fã da dupla Jorge e Mateus, Diego compôs com o irmão uma música dedicada especialmente ao pai, Doriva, que não conteve a emoção ao ouvi-la pela primeira vez. Mais tarde, o técnico chegou até a participar de uma gravação da música, realizada em um show da dupla – que ainda está sem gravadora – na cidade de Goiânia que virou até DVD (veja o vídeo acima).

"Um dia a gente estava no quarto, eu e minha esposa, e ele falou que tinha feito uma música para mim e que queria cantar. Aí a primeira vez que ele cantou, caramba, foi um soco no queixo, foi muito emocionante, eu falei: 'caramba, de fato ele tem mesmo o dom da composição', porque a música ficou muito linda, e eu fiquei feliz no segundo momento. Foi muito legal, eu fiquei muito feliz com essa homenagem", conta o 'pai coruja'.

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