Escudo novo, ídolos e dinheiro chinês: como o Parma quer voltar a brilhar

Do UOL, em São Paulo

  • Reuters

Fabio Cannavaro, Gianluigi Buffon, Lilian Thuram, Amoroso, Juan Sebastian Verón, Faustino Asprilla e Hernán Crespo. É difícil para alguém que cresceu no fim dos anos 1990 acreditar que o Parma, que disputava títulos em todas as temporadas e chegou até a ganhar a Copa da Uefa de 1999, fosse rebaixado à quarta divisão. Mais difícil ainda é pensar que isso aconteceria duas vezes em apenas 12 anos.

Recomeçando do zero mais uma vez, o clube, que hoje possui outro escudo e um nome diferente, aposta novamente em uma parceria milionária e nos ídolos de um passado distante para voltar ao protagonismo do futebol europeu.

Assim como em Inter de Milão e Milan, os empresários chineses compraram a maior parte das ações do clube para ter participação direta na remontagem. Além do dinheiro, os investidores, que também tem ações na NBA, nomearam Hernán Crespo, maior artilheiro da história do clube, como vice-presidente para não deixarem a equipe perder mais uma vez a sua essência com a torcida.

Ascensão e queda

Fundado em 1913, o Parma sempre foi considerado um time médio na Itália até o início dos anos 1990. No entanto, o dinheiro da empresa local Parmalat (que no Brasil investiu em clubes como Palmeiras e Juventude) fez com que a equipe, comandada então por Nevio Scala, pudesse disputar as competições de igual para igual contra Juventus, Milan, Inter de Milão e Fiorentina.

Reprodução
O argentino Crespo é o maior artilheiro da história do Parma

No entanto, os anos de glória, as grandes contratações e a evidência no topo se dissiparam a partir de 2003, quando a investidora foi denunciada por uma série de fraudes e corrupções e deixou de investir dinheiro no clube. Menos de um ano depois, o Parma entrou em falência, mas ainda assim conseguiu evitar a ida ao futebol amador e, sob o nome Parma Football Club, mantém seus direitos assegurados e permanece na elite.

Mas essa elite se restringe apenas a seguir jogando na primeira divisão, e não por muito tempo. Sem investimento, precisando vender seus principais destaques e com reposições modestas do ponto de vista financeiros, a equipe foi rebaixada para Série B em 2008. Após voltar à elite, em 2010, o time se manteve nos pelotões medianos, mas os problemas financeiros voltaram a aparecer, e inclusive impediram o Parma de jogar a Liga Europa em 2014/2015 pela federação local por não quitar dívidas.

Fundo do poço

E foi justamente na temporada 2014/2015 que a humilhação veio de maneira mais avassaladora do que nunca. A última posição na Série A do Italiano foi apenas uma evidência da crise no clube, que teve sete pontos tirados como punição por atrasar salários e ainda viu o seu então presidente Giampietro Manenti ser preso em março de 2015 por lavagem de dinheiro.

Rebaixado, falido e abandonado por sua direção, não restou outra opção ao clube a não ser declarar falência. O rebaixamento imediato à quarta divisão era um sinal tenebroso à história da equipe, mas ao tempo, foi o responsável por trazer novamente os autores de glórias de outrora de volta a vida do clube.

Segundo recomeço

Divulgação
O escudo do refundado Parma Calcio

Refundado pela segunda vez, o agora Parma Calcio 1913 tinha também um novo escudo e passava a ser presidido pelo ex-técnico Nevio Scala, que pouco tempo depois nomeou o ex-defensor e ídolo Luigi Apolloni como treinador da equipe. Se à beira do gramado o recordista de jogos pela equipe (384) dava as ordens, dentro dele Alessandro Lucarelli, que se recusava a deixar a equipe em que era capitão e atuava desde 2008, comandava e era o responsável por trazer a torcida que lotava o Estádio Luigi Ferraris para pressionar os adversários. Não foi muito difícil o Parma conquistar o título e dar o seu primeiro passo para voltar ao topo.

A temporada 2016/2017 foi um pouco mais tensa. Sem conseguir garantir a classificação direta e com a saída de Apolloni, o Parma precisava passar por quatro fases eliminatórias de um playoff com outros 27 times para assegurar a outra vaga à segundona. Foi difícil, mas com o esforço da torcida, e a chegada de Emanuele Calaiò, atacante com passagens por Torino e Napoli, e o trabalho do novo técnico Roberto D'Aversa, a equipe garantiu a classificação nos pênaltis contra o Alessandria, para delírio dos torcedores, que invadiram as ruas da cidade que dá nome ao clube.

Se nos gramados, um trabalho era feito com muita entrega e impulso dos ídolos, nos bastidores ocorria algo bastante semelhante. Desde o início do ano, o argentino Hernán Crespo era o principal responsável por intermediar um acordo entre os donos do clube com a agência de marketing chinesa Desport.

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Lucarelli é a referência do Parma dentro de campo

O acordo, anunciado no fim desta temporada, coloca Jiang Li Zhang, como o principal investidor do clube. Além de Crespo, o chinês conta com os seus trabalhos no clube espanhol Granada e no Minnesota Timberwolves, da NBA, para servir como referência aos adoradores do time italiano.

Vale a pena?

Pode parecer polêmico ver o Parma novamente receber verbas de investidores pelo que causou de negativo ao clube, mas ao mesmo, foi com o dinheiro delas que a torcida viveu os seus anos de maior alegria com a equipe.

Divulgação/Parma
Torcida do Parma compareceu em peso mesmo nas divisões menores

Após Inter de Milão e Milan também serem vendidos, o Parma também entrou nessa linha. Mas agora, os torcedores, que sofreram tanto nas mãos de cartolas, esperam que as referências dentro, à beira do campo e nos bastidores trabalhem não só pelo investimento feito, mas também que ajudem o clube a construir um futuro tão bom quanto o que eles ajudaram a construir num passado não tão distante.

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