Atleta do Bahia sofre preconceito de fé e rebate: "Orgulho do Candomblé"

Roberto Oliveira

Colaboração para o UOL, em Recife

  • EDSON RUIZ/ESTADÃO CONTEÚDO

    Feijão (centro) comemora gol pelo Bahia com os dedos apontados para o céu

    Feijão (centro) comemora gol pelo Bahia com os dedos apontados para o céu

Adepto do Candomblé e filho de Ogum, o volante Feijão, do Bahia, tem sido alvo de intolerância religiosa em seu perfil oficial no Instagram.

O ápice das demonstrações de preconceito de fé aconteceu em sua última postagem na rede social. O jogador escreveu uma mensagem na qual dizia realizar diariamente seu sonho de ser jogador de futebol e terminava com reverência a Ogum, orixá guerreiro oriundo das religiões de matriz africana.

As reações intolerantes logo apareceram. "Que diabo de Ogum, por isso que não vai pra frente", escreveu um internauta, que foi rebatido por Feijão. "Cada um com sua religião, não venha falar sua m... aqui na minha página não", respondeu o volante do Bahia.

"Ô seu macumbeiro, não venha pra cá tirar sua onda não que eu não como regue de você sua carniça. Saia do Bahia miséria", retrucou o mesmo internauta, elevando o tom a discussão.

"Sou macumbeiro, não tenho vergonha não. Quem é você para me mandar embora do Bahia?", rebateu Feijão novamente.

Procurado pelo UOL Esporte, o jogador afirmou respeitar todas as religiões e ter orgulho de pertencer ao Candomblé. Ele ainda lamentou a utilização das redes sociais para propagação desse tipo de discurso.

"O cara confundiu as coisas, confundem muito religião com futebol. Nada contra nenhuma religião. Respeito todas as religiões. Espero que respeitem a minha. Sou do Candomblé e tenho muito orgulho. Tem várias outras pessoas também do Candomblé. Agora, espero que tenha coragem de chegar e falar na minha frente. Falar em rede social é muito fácil", disse Feijão, por meio da assessoria de comunicação do Bahia.

"Querem fazer tumulto, principalmente comigo, que sou prata da casa, um dos líderes do grupo. Eu reagi normalmente. Vida que segue. É tranquilidade", acrescentou o volante de 23 anos.

 

Meu sonho era está aqui , mais antes de cada jogo eu me concentro em lembrar que minha realidade é sempre vencer ! Ogum

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Em meio ao bate-boca pelo Instagram, diversos internautas demonstraram apoio ao jogador e repúdio às mensagens de intolerância religiosa - tipificadas no artigo 208 do Código Penal como crime de ódio, com pena prevista de um a três anos de reclusão.

"Quer discutir religião? Me diz onde está escrito que só a sua salva? Me fala em que você se baseia para criticar uma religião? Me dê argumentos contundentes para que eu aceite o fato de você ter cometido um crime chamado preconceito religioso. As religiões de matrizes afros são tão importantes quanto qualquer outra, creio que seu Deus pregue o amor, assim como o Deus dessas religiões, o que nos diferencia é que alguns cumprem esse amor, outros saem falando besteira. Respeita Ogum, respeita Deus, respeita Alá, enfim, respeite, ame e não venha no Instagram pessoal dos outros querer ofender a fé de ninguém", postou uma internauta.

Reincidência

Não foi a primeira vez que Feijão foi atacado em sua página no Instagram por causa de sua religião. Após a conquista da Copa do Nordeste, no fim de maio, ele postou uma foto com a taça nas mãos em nova mensagem com alusão ao orixá de origem iorubá.

"Campeão! Obrigado meu Deus Ogum", postou o volante do Bahia. "Mané Ogum, rapaz? Jesus Cristo!", escreveu um internauta. 

Senhor do ferro e da guerra, Ogum é cultuado para além do Candomblé. Na Umbanda, religião brasileira que reúne crenças e santos do Candomblé e do Cristianismo, por exemplo, ele é sincretizado também com São Jorge e Santo Antônio, a depender da região. 

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