Ex-Flu brinca com "calote" de Ronaldo e lembra "quase prisão" na Finlândia

Bernardo Gentile

Do UOL, no Rio de Janeiro

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    Stéfano Pinho ganhou aposta de Ronaldo, mas levou 'calote' após artilharia nos EUA

    Stéfano Pinho ganhou aposta de Ronaldo, mas levou 'calote' após artilharia nos EUA

Stéfano Pinho iniciou a carreira de jogador com apenas 11 anos, quando deixou a família em São João Nepomuceno-MG para fazer testes no Atlético-MG. Nas dependências do clube mineiro, não resistiu à saudade da família e chorou até voltar para casa. Quinze anos depois, o menino virou chefe de família e virou, nos Estados Unidos, um jogador histórico: foi o primeiro atleta a marcar quatro gols em uma mesma partida no país.

Até chegar a esse momento da carreira, porém, Stéfano passou por muitas experiências. Entre várias histórias, duas são mais curiosas. O jogador chegou perto de ser preso na Finlândia e levou um "calote" de ninguém menos que Ronaldo, então dono do Strikers, time da NASL, considerada a segunda divisão dos EUA.

"Me encontrei com Ronaldo quando cheguei no time e ele fez uma aposta comigo. Ele disse que se fosse artilheiro da Liga me daria qualquer presente. Fiquei todo empolgado e consegui a artilharia. Mas o presente não chegou [risos]. Para o Ronaldo não é nada. Só ia fazer uma pessoa feliz [risos]. Fora as brincadeiras, é um cara sensacional. É um ídolo de infância", brincou Stéfano Pinho em entrevista ao UOL Esporte.

"Hoje jogo no Miami FC e sou treinado pelo Nesta [ex-zagueiro do Milan e campeão mundial de 2006], que me prometeu a mesma coisa. Ele me disse que posso pedir o que quiser, mas para não exagerar com carro ou casa [risos]", completou o atacante, formado nas categorias de base do Fluminense.

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Na Finlândia, ele virou um 'paizão' apesar dos poucos 22 anos. Emprestado pelo Fluminense ao MyPa, passou a morar com dois jovens atletas da base tricolor, ainda menores de idade. Stéfano era quem dirigia e levava todos aos treinos. Nas "horas vagas", era também quem cozinhava para todo mundo em casa.

"Eu era o mais velho e responsável pelos outros dois jogadores do Fluminense que ficaram comigo na Finlândia. Era uma casa muito grande. Um quarto para cada um. Os dois menores estavam pela primeira vez fora do país. A gente se virava. Eu que cozinhava e eles comiam o que eu fazia. Aos trancos e barrancos nos viramos", afirmou.

Os "filhos", no entanto, quase fizeram Stéfano ser preso no país europeu. "Os caras são muito corretos. Eu estava na estrada a 65km/h e a pista era 60 km/h. Fui escutar os amigos que mandaram eu passar um veículo que estava devagar. Quando fiz a curva tinham dois carros da polícia na estrada. Mandaram eu encostar. É normal lá os policiais te levarem para a viatura e você entra para conferir os dados. Mas eu não sabia. Não falava bem inglês, muito menos o finlandês. Fomos nos entendendo na mímica. Entrei quase chorando e os moleques rindo de mim. Tentei ligar para os diretores, mas ninguém atendeu. Fora a multa de 300 euros, deu tudo certo", completou o atacante.

Se na Finlândia ficaram as experiências curiosas, nos Estados Unidos foi onde Stéfano se encontrou. No Strikers, em 2015, foi artilheiro e melhor jogador da Liga. Se transferiu para o Minessota, em 2016, onde acumulou lesões e foi mal. Na atual temporada, defende o Miami FC e voltou a ter grande desempenho.

Na US Open Cup, onde enfrenta times de todas as ligas dos Estados Unidos em sistema de mata-mata, chegou até a vencer um duelo com Kaká. Mais que isso, marcou três gols na partida contra o Orlando, time do melhor do mundo de 2007. Depois, Stéfano ainda faria outras vítimas como o ex-chefe de Messi no Barcelona.

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"Não comecei muito bem e fui me adaptando. E esse mês que passou foi um dos melhores da carreira. Foram dez gols em seis jogos. Ganhamos do time do Kaká. Nunca imaginava e ainda fiz três gols. Conversei com ele e trocamos camisa. Querendo ou não, ele tem um pedaço de mim lá [risos]. Ganhamos depois do time do Tata Martino [ex-técnico do Barcelona] também. Foi 3 a 2, de virada. Esse ano tem tudo para dar certo. Vim de um ano que não fui bem, após ser melhor jogador e artilheiro da Liga em 2015", explicou.

"Eu falei pro empresário que não queria migrar de um time para o outro, mas fizemos um ano de contrato. Se for bem, poderia exigir mais ou esperar novas propostas. Apostei em mim e está dando certo. Estou fazendo meus gols. Artilheiro da Liga, da Copa. Fim de temporada nos Estados Unidos é 15 novembro", completou.

Além de ir bem dentro dos gramados, Stéfano brilha também fora das quatro linhas. Casado desde o ano passado com Carolina, ele comemora o nascimento do filho Nicolas, que se tornou talismã na boa fase.

"Casei em janeiro ano passado e estou com filho de três meses. Falei para ela que depois que ele nasceu é que comecei a fazer gols. Teve um jogo que ele não veio e mandei buscar ele. Fiz quatro gols e bati recorde na Liga" finalizou ele, aos risos.

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