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Cavalinhos do Fantástico viram sucesso de vendas em estádios do Brasileirão

Felipe Pereira
O cavalinho do Fantástico será muito bem recebido na família Marinho, de Macapá Imagem: Felipe Pereira

Felipe Pereira

Do UOL, em São Paulo

2017-07-25T04:00:00

25/07/2017 04h00

Nos Jardins, um dos bairros mais chiques de São Paulo, uma concessionária se esforça para vender Ferraris. Não bastasse o apelo dos carrões, o cliente é recebido num casarão arrojado, que lembra o Ninho de Pássaro, estádio das Olimpíadas de Pequim famoso pela fachada moderna. Tanto apelo em vão.

O dono da rua é um ambulante que perambula entre os carros a cada sinal vermelho. No paraíso do alto consumo, são versões fakes dos "Cavalinhos do Fantástico" que vendem como água. E se vende em rua de rico, imagina nos estádios?

“É a epidemia do Brasileirão por causa do Fantástico. É mais criança que compra, mas tem adulto que leva também”, conta Roberto Alessandro Pereira, ambulante que trabalhava no Morumbi segunda à noite.

Ele levou 20 cavalinhos e, 1h antes do jogo São Paulo e Grêmio, já não tinha nenhum. O preço depende da capacidade do cliente em pechinchar – varia de R$ 35 até R$ 50. Roberto Alessandro acrescenta que não é só em São Paulo que os bichinhos de Tadeu Schmidt viraram mania.

“Fui para Porto Alegre com 45 e vendi tudo no Beira-Rio. Se tivesse levado cem, saía”, completa.

Cavalinho já tem até nome

Felipe Pereira
Imagem: Felipe Pereira

Em Macapá, ainda não tem Cavalinho do Fantástico. Sorte de Aléx Marinho, que ganhou de aniversário uma viagem para ver o São Paulo. O bicho de pelúcia entrou no pacote de presentes e fez as irmãs ficarem na vontade. O cavalinho já tem até nome, Cícero. São-paulino, Aléx se apressa para explicar.

“É Cícero por causa do estádio [aponta para a fachada do Morumbi]. Do jogador eu não gosto”.

Mauro de Melo Cândido, 53 anos, é outro ambulante que agradece a moda dos cavalinhos. Conta que ela começou há um mês e desde então pega os produtos no Brás, bairro de comércio popular de São Paulo. Acrescenta que os bichinhos são que nem bebês: nascem se time. Dependendo do jogo que vão, ganham a camisa de um clube.

Horas antes da torcida chegar ao Morumbi, era possível ver vários homens vestindo os bichos de pelúcia como fazem as crianças. E são justamente elas que movem o negócio. Mauro diz que os pais compram para os filhos. Renato Tiago dos Passos, 8 anos, já sabe onde ficará o dele. “Vou deixar na sala porque é onde eu assisto os jogos de futebol”.

Bruno Freitas
Imagem: Bruno Freitas
cavalinho

Popular na 25 de março e na internet

Lugar mais conhecido de compras populares de São Paulo, a rua 25 de março não deixou passar a oportunidade de fazer dinheiro. O sucesso é tamanho que faltam produtos. No dia que a reportagem visitou o local, somente duas barracas tinham Cavalinhos do Fantástico. Numa delas havia quatro com a camisa do Palmeiras. Na outra, o único exemplar vestia-se de Grêmio.

Os vendedores diziam para voltar na quarta. Aconselhavam a não demorar porque o bichinho nem para no estoque. Ambulante de estádio sabe bem disso, Roberto Alessandro vendeu 20 cavalinhos no Morumbi, mas não vendeu 20 camisas (foram dez).

Felipe Pereira
Imagem: Felipe Pereira

A internet também está cheia de Cavalinhos à venda, mas na versão original, licenciada pela Globo. Neste caso, porém, eles saem mais caro. Em uma busca rápida em sites como o das Lojas Americanas, por exemplo, o bichinho chega a R$ 247, com desconto. O sucesso deles não assusta. Antes de virarem produto, o quadro do Fantástico virou perfil de Twitter, o que ajudou a popularizar a mascote:


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