Por que Danilo, reserva do Real, custou mais do que R. Carlos e Cafu juntos

Do UOL, em São Paulo

  • Reprodução/Instagram

O lateral direito Danilo, ex-Santos, foi contratado pelo Manchester City por R$ 104 milhões. O valor surpreende não somente pelo fato de Danilo ter sido reserva durante os dois anos em que defendeu o Real Madrid. Também chama atenção que esse número é superior à soma de todas as transferências envolvendo os dois maiores laterais brasileiros que jogaram no futebol europeu, Cafu e Roberto Carlos.

Em valores atualizados, corrigidos pela inflação dos últimos anos, Cafu movimentou R$ 41,5 milhões em sua carreira, incluindo as transferências do São Paulo para o Zaragoza, do Zaragoza para o Palmeiras e do Palmeiras para a Roma – a chegada ao Milan, sua última troca de clube, foi após o fim de contrato.

Mesmo sendo o maior lateral esquerdo da história de um dos clubes mais ricos do mundo, Roberto Carlos fez circular ainda menos dinheiro. Em três transações, ele movimentou R$ 25,5 milhões, indo do União São João para o Palmeiras, do clube de São Paulo para a Inter de Milão e da Itália para o Real Madrid – pesando contra o fato de que, após não brilhar na Inter, ele foi uma compra barata para o Real.

Somando, os R$ 67 milhões dos dois laterais campeões do mundo com a seleção brasileira em 2002 são ainda menores quando você calcula o quanto Danilo movimento em toda a sua carreira. Antes do City, ele tinha chegado ao Real Madrid, saindo do Porto, por R$ 113 milhões. E ao sair do Santos, fez o Porto pagar quase R$ 30 milhões por ele.

São mais de R$ 250 milhões movimentados em sua carreira. Será que Danilo vale quase cinco vezes mais do que Roberto Carlos e Cafu? É claro que não. Para começar, os clubes, atualmente, tem um poderio econômico muito maior do que na época dos dois veteranos. Usando números da consultoria Delloite, em 1997 o faturamento total do Real Madrid ainda era inferior a 100 milhões de euros. Após 20 anos, está próximo dos 700 milhões (R$ 2,5 bilhões). Esse crescimento é fruto da criação de um mercado forte de patrocínio esportivo, do aumento substancial do que as TVs pagam para transmitir o futebol e um aproveitamento muito melhor das receitas geradas pelos torcedores – como ingressos e vendas em dias de jogos.

Mais ricos, os clubes passaram a ter um poder de compra muito maior. E isso se refletiu, claro, no mercado de jogadores. Em 1997, por exemplo, a contratação mais cara da temporada foi a ida de Ronaldo Fenômeno do Barcelona para a Inter de Milão, por 28 milhões de euros – como comparação, um negócio cinco vezes maior do que a venda de Roberto Carlos para o Real. Hoje, a contratação mais cara da temporada foi a ida do atacante belga Lukaku do Everton para o Manchester United, por 84,7 milhões de euros – e existem relatos que o Real Madrid vai contratar o jovem francês Mbappé, do Monaco, por 180 milhões de euros (cerca de R$ 660 milhões).

Laterais valem ouro nesta janela

Outro fator que explica o preço de Danilo é a importância que os laterais ganharam no mercado nessa temporada – fruto das dificuldades de grandes clubes nos campeonatos passados com a função. O Barcelona, por exemplo, sofreu desde a saída de Daniel Alves e, só na temporada passada, usou três jogadores na função (Sergi Roberto, Aleix Vidal e Rafinha) sem muito sucesso. O Manchester City mandou embora os quatro jogadores que tinha para a função (Zabaleta, Clichy, Kolarov e Sagna).

Dois casos de sucesso com a função foram Juventus e Chelsea. O clube italiano, após perder Pogba para o Manchester United, mudou seu estilo de jogo com a chegada de Daniel Alves, usando um jogo muito mais agudo pelas laterais – além de Daniel, outro destaque do time foi Alex Sandro, o lateral esquerdo, que se consolidou como um dos melhores do mundo na função. Já o time inglês embalou na Premier League logo depois que o técnico Antonio Conte descobriu seus dois jogadores de lado de campo: o espanhol Marcos Alonso na esquerda e o surpreendente camaronês Moses na direita.

Tudo isso fez com que os jogadores da função ganhassem proeminência nessa janela de transferências. Como o jornal espanhol Marca ressaltou, os laterais, em 2017, estão sendo vendidos por preços de atacantes. O Barça, por exemplo, comprou o português Semedo por 30,5 milhões de euros. O Real Madrid pagou 30 milhões de euros por Theo Hernandez (para ser reserva de Marcelo).

Já o Manchester City fez mais: contratou, além de Danilo, outros dois laterais que quebraram os recordes de defensores mais caros da história. Primeiro, desembolsou 51 milhões de euros para tirar Kyle Walker do Tottenham. Depois, pagou 57,5 milhões de euros para o Monaco por Benjamim Mendy.

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