Eric Faria diz que recebeu ameaças de morte por polêmica em jogo do Santos

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Envolvido em polêmica por conta do pênalti anulado pela arbitragem a favor do Santos no duelo contra o Flamengo na última quarta-feira, o repórter Eric Faria, da Rede Globo, disse que recebeu ameaças de morte pela internet. Em participação no programa "Redação SporTV" desta sexta-feira, o profissional da emissora relatou suas impressões depois de que o clube paulista pediu anulação do jogo válido pela Copa do Brasil por conta de uma suposta interferência dele na decisão do árbitro Leandro Vuaden após consulta ao quarto árbitro Flávio Rodrigues. 

"Gostaria de dizer que tudo isso é muito chato. Gostamos de vir aqui para falar de futebol. O futebol está virando uma coisa muita maluca que não gostamos ver. Estar aqui falando de uma acusação leviana, falsa que está me dando dor de cabeça em rede sociais. Já recebi um monte de ameaça de morte, que se for na Vila vou sair de camburão do IML, tomar pedrada, paulada. Mais do que um repórter, tem um cidadão, um pai de família. Tenho um menino de 10 anos que me mandou um Whatsapp e perguntou se estava tudo bem neste rolo todo", contou ao programa "Redação Sportv".

"A troco de que isso? Falamos tanto de não violência no futebol e um clube da grandeza do Santos não preciso disso. A história do Santos é linda, é belíssima. Sinceramente, desviar o foco de uma derrota com uma acusação sem pé nem cabeça...", completou.

Sobre o lance em si, Eric Faria voltou a dizer que não teve nenhuma interferência no lance. Ele, inclusive, citou que haviam outros repórteres ao seu lado e não há nenhuma imagem apresentada pelo Santos que comprove a acusação.

"Foi um lance muito rápido, eu estava perto no banco... Tudo na Vila é muito apertadinho, o estádio é pequeno. Aqui no centro fica o banco do Santos e do Flamengo, a mesa da arbitragem no meio e os repórteres que tem direito de fazer o jogo, que não era só a TV  Globo como diz o Santos, o repórter da Fox (Fernando Caetano) estava também do meu lado", disse.

"Você vendo ali fica em duvida, quem tinha tocado na bola dava para receber. Se tocou antes ou depois fica difícil saber. Não sou árbitro, mas o Flávio (quarto arbitro da partida) tem mais experiência neste tipo de lance", disse.

Árbitro marca pênalti para o Santos e depois volta atrás

Em seu relato, ele analisa que três fatores podem ter interferido na decisão da arbitragem de voltar atrás no lance: a reação do banco do Flamengo, a falta de convicção na marcação de Vuaden e a falta de visão do árbitro no lance.

 

"O que gira em torno são os gestos de quem estava de fora e dentro, você percebe o tamanho do lance. Quando acontece o apito do Vuaden, a reclamação do banco do Flamengo é muito forte. Todos foram em cima do árbitro, foi muito rápido, O jogador percebeu a visão de que o Rever tocou na bola", disse.

"Houve também um pouco de indefinição de ele marcar o pênalti. Ele vai caminhando, caminhando e aponta, sem muita convicção. Juntando a reclamação do banco muito forte, a indefinição e a visão dele, as 3 coisas somadas deram a certeza ao Flávio (quarto árbitro) que não foi pênalti. E ele chama o Flavio... e como o Vuaden estava na dúvida, e o Flávio diz que o jogador  tocou na bola, ele optou por voltar atrás.", completou.

Em entrevista à ESPN Brasil na quinta-feira, o quarto árbitro Flávio Rodrigues também negou que tenha acontecido uma interferência externa. "Impossível ser interferência externa, porque foi muito rápido. Foi em um minuto, no máximo, o que aconteceu. Ficou muito claro que foi uma decisão nossa. Foi isso que aconteceu", disse.

Vuaden também apresentou versão parecida. ''Quando eu marquei pênalti, não estava convicto. No jogo, achei que deveria pegar uma segunda opinião. Em outras ocasiões, não fiz isso e acabei errando. Houve um equívoco de minha parte para não buscar um ângulo mais efetivo da jogada. Quando eu chego no Flávio, ele disse que achava que o jogador não tinha sido tocado, então voltei e marquei escanteio", disse.

Apoio de Rizek

O apresentador do programa, André Rizek, fez coro a Eric Faria e reclamou da postura do Santos. "Você coloca, de forma muito irresponsável, uma torcida contra um profissional de imprensa cuja única camisa é a da emissora para qual ele trabalha. Nesse ambiente de intolerância e violência no futebol e na sociedade como um todo, eu acho que o Santos poderia ter medido mais a atitude. Você coloca em risco os profissionais que vão ao estádio para trabalhar. Uma atitude baixa de um time que é gigante", disse.

Veja outras declarações de Eric Faria ao programa

Nem boa noite
"Eu me mexo no fim do jogo, com um funcionário da CBF que me leva até a linha de fundo para fazer a entrevista no fim do jogo. Estávamos eu e o repórter da Fox, Fernando Caetano. Dizer que não há diálogo… A gente consulta pra quem foi o cartão amarelo, se o gol foi contra. Nesse caso, eu não dei nem boa noite. Não tinha necessidade. Eu realmente duvido e desafio que mostrem qualquer imagem que comprove que falei com o quarto árbitro".

Carreira continua normalmente
"Acho que é uma atitude feia do Santos que me expôs. Não vou deixar de ir a jogo de futebol, trabalhar, domingo estou escalado. Vou na Arena do Corinthians, vou fazer o jogo. Não tenho porque me esconder, porque ter medo de nada. Vou de cabeça erguida e fazer o jogo normalmente. O torcedor é muito passional, acabou sendo movido por uma nota do Santos. Vê a diretoria acusando alguém e acaba comprando o discurso. Isso vai passar, mas é chato você ler que vai morrer, que vai tomar pedrada".

Falta de provas
"Ontem na ESPN, o Modesto deu uma entrevista e o Mauro Cezar disse que gostaria de ver as provas que o Santos diz ter da minha interferência. E o próprio presidente disse que queria ver, que não tinha visto ainda. Então me parece uma loucura completa esse ofício. A gente vive em um país em que as pessoas tem que se defender quando julgam necessário. O próprio presidente que assina o ofício diz que não viu as provas que o Santos alega ter pra me acusar, é o que torna a coisa toda muito louca. O Mauro Cezar disse que a acusação era muito grave, e o Modesto disse que é gravíssimo o que está fazendo".

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