Em meio a dívidas, time que revelou Roberto Carlos quer voltar aos gramados

Emanuel Colombari

Do UOL, em São Paulo

  • União Mania.com/Reprodução

    União São João, de Araras (SP), contou com Roberto Carlos (em pé) entre 1991 e 1993

    União São João, de Araras (SP), contou com Roberto Carlos (em pé) entre 1991 e 1993

Fundada em 1862, a pequena cidade de Araras (SP) conseguiu um feito considerável na década de 1990, quando tinha menos de 100 mil habitantes: colocar um time na Série A do Campeonato Brasileiro. A honraria coube ao União São João, clube criado por Hermínio Ometto em 1981.

Campeão da Série C (1988) e da Série B (1996), o clube esteve por quatro anos na elite nacional (1993, 1994, 1995 e 1997), com resultados modestos. De um lado, o 12º lugar (entre 32 times) em 1993, com direito a uma vitória por 5 a 1 sobre o Criciúma; do outro, a lanterna em 1995 e 1997, com direito à derrota por 6 a 0 para o Vasco no último ano, com seis gols de Edmundo.

Em seu auge, o time contou com jogadores conhecidos, como os goleiros Velloso e Adinam, o lateral direito Rogério, o meia Piá, o ponta Éder Aleixo e o atacante Paulinho Kobayashi. A principal revelação, porém, foi o lateral esquerdo Roberto Carlos, que vestiu a camisa do clube entre 1991 e 1993.

Mas este período áureo ficou para trás. De lá para cá, o União passou a experimentar uma dolorosa decadência. Endividado, o time foi rebaixado da Série B em 2003 e disputou a Série C (então última divisão nacional) pela última vez em 2005. No Campeonato Paulista, foi rebaixado da Série A1 em 2005, da Série A2 em 2012 e da Série A3 em 2013. Em 2014, despediu-se na terceira fase da quarta divisão do torneio estadual.

Nelson Almeida/L! Sportpress
União São João não joga elite do Paulista desde que foi rebaixado em 2005 (foto de 2001)

Desde a derrota em casa por 3 a 2 para o Pirassununguense, em 20 de setembro daquele ano, o União São João não entra mais em campo para jogos oficiais. No entanto, o cenário pode mudar a curto prazo.

O plano: trazer o clube de volta aos gramados para 2018.

Para tal, a diretoria conta com um projeto do prefeito de Araras, Pedrinho Eliseu (PSDB). A meta é atrair o apoio de empresários da cidade e da região para tentar sanar parte das dívidas da equipe. Embora não cite cifras, o presidente do União, José Mário Pavan, diz que o endividamento "é um grão de areia" no universo do futebol.

"Não tem muita coisa definida. O prefeito tem muita boa vontade com a gente. A Prefeitura não pode ajudar, não pode colocar nada (de dinheiro)", contou Pavan em entrevista ao UOL Esporte. "A gente está tentando fazer algumas reuniões com empresários. É uma ideia que ele (prefeito) teve e está trabalhando em cima dela. A gente está tentando", completou.

A paixão de Pedrinho Eliseu pelo futebol vem de família. O atual prefeito de Araras é filho de Pedro Eliseu Sobrinho, jornalista e radialista de renome na região. Pedrão, como é conhecido, foi prefeito entre 1993 e 1996 – justamente o período áureo do União São João. Em 2016, Pedrão foi eleito vereador na cidade pelo DEM.

"São pessoas que gostam do esporte, do futebol", elogia Pavan. "Ele tem a certeza de que o União é o maior divulgador do nome da nossa cidade. Mas, pela Prefeitura, ele não pode fazer nada - as leis fiscais não permitem. Então ele tenta, com a liderança que tem junto aos munícipes, fazer um pool de empresas para tentar angariar fundos", completou.

O discurso é semelhante ao do próprio prefeito. "A minha parte nesse contexto é tentar juntar empresários interessados. Mas está difícil, até pelo endividamento", explicou Pedrinho Eliseu à reportagem. "É uma questão de endividamento fiscal, trabalhista. Ele tem se esforçado muito nesse sentido", completou, em referência ao trabalho feito por José Mário Pavan até aqui.

50% pronto para voltar em 2018

Até aqui, os planos do União São João e da Prefeitura de Araras correm conforme o previsto. Segundo José Mário Pavan, a meta é conseguir trabalhar na formação dos elencos sub-20 e profissional ainda em 2017. O anúncio oficial do retorno do clube às atividades é previsto para novembro, justamente para poder inscrever a equipe na Segunda Divisão do Paulistão (a rigor, o quarto nível do torneio) de 2018.

"A quarta divisão começa geralmente em abril. O conselho técnico é no final de janeiro ou no começo de fevereiro. A gente está pensando em final de novembro, porque já está tendo uma sobra de jogadores na Segunda Divisão", conta Pavan, indicando um monitoramento entre os 14 clubes eliminados na primeira fase da edição 2017 da competição. "Você consegue arrumar jogadores, vincular jogadores com idade abaixo de 23 anos (exigência do torneio). Eu acredito muito no coletivo. Quanto antes você começar a trabalhar, sem montar de qualquer jeito, você sai na frente", completou.

@uniaodeararasoficial/Facebook
José Mário Pavan, presidente do União São João, em cerimônia ao lado do ex-lateral Roberto Carlos
Questionado a respeito do andamento do projeto, o presidente do União São João se mostrou otimista. "Acho que hoje já estamos 50%", analisou.

Parte do otimismo de Pavan se deve justamente à possibilidade de escalonar as dívidas. A meta é aproveitar o novo programa de recuperação fiscal (Refis) que foi proposto pelo Governo federal em 2016 para poder acertar parcelas da pendência mês a mês.

"Dá para a dívida ser escalonada, com esses Refis que a Câmara está aprovando", explica. "Eu acredito muito no projeto do prefeito. Espero que dê certo. É um trabalho que não é fácil. A situação econômica do país, do empresariado, não é muito fácil", acrescentou.

Caso consiga mesmo voltar aos gramados para a Segunda Divisão do Campeonato Paulista de 2018, o União São João pode até mesmo mudar de mãos no futuro. Segundo José Mário Pavan, há três grupos de investidores estrangeiros dispostos a adquirir o União São João. Um deles já tem conversado com a diretoria sobre a movimentação atual, mas o investimento ainda não é garantido.

"A gente está conversando, mas a conversa está engatinhando. A gente está se olhando, não começou a namorar ainda", explicou o presidente do União, que tem evitado propostas de gestores que "querem usar nosso espaço e levar o dinheiro embora". "A gente não quer que Araras passe por isso", conta.

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